10 fatos que você esqueceu se você detestou o line-up de um grande festival

Porque né?

-> Se você quer vender seu ingresso só porque “faltaram” dois ou três DJs favoritos no line-up, você não vai poder reclamar se um dia o festival deixar de acontecer na sua cidade, estado ou país. O principal combustível para um festival crescer e trazer ainda mais atrações do seu interesse nas próximas edições seria a sua presença na edição anterior — se você fica feliz quando muitos amigos participam do seu aniversário, imagine a felicidade de um festival que deu sold out. Alguns eventos, inclusive, acontecem sem pretensões de obter lucro nas primeiras edições, fato que torna ainda mais importante que o público engaje com sua proposta na edição atual.



-> Os grandes festivais europeus e americanos que você usa como exemplo pra criticar os festivais daqui também contêm uma quantidade enorme de DJs locais e de DJs estrangeiros pouco conhecidos. No Tomorrowland Bélgica, por exemplo, existiam stage hosts específicos para DJs belgas e uma grande parte dos DJs presentes em todos os palcos era formada por DJs de médio porte.



-> Muitas pessoas que vão aos grandes festivais lá fora não têm ideia de quem sejam a maioria dos DJs do line-up, mas comparecem mesmo assim porque estão interessadas na experiência de um modo geral e em explorar todo o conjunto de atrações que o evento quer oferecer. Muito além dos DJs, as ativações, brinquedos radicais, exposições, performances, lojas ou feiras e muitos outros itens podem ser considerados como atrações.



-> Um festival internacional no Brasil vai ter que lidar primariamente com o custo brasileiro de se realizar um festival — ultimamente, sob uma crise econômica bastante desconfortável — e, caso você não se sinta satisfeito ou o line-up não esteja dentro das suas expectativas, recomenda-se que junte dinheiro e vá até o exterior participar do seu festival ideal. Edições estrangeiras de um grande festival quase nunca são a mesma coisa que o festival original.



-> Os 100, 150, 200, 250 mil dólares que a produção de um festival no Brasil gasta em apenas um DJ só pra tentar te agradar poderiam ser investidos em melhorias consideráveis na estrutura ou diminuir os preços dos ingressos e das bebidas. Se o festival tem um puta line-up mas os banheiros são horríveis, a cerveja é uma fortuna, as filas são gigantes, o local está “lixoso”, a segurança está incompatível e os palcos estão meio cagados, você consegue imaginar onde é que foi parar a maior parte do dinheiro dos ingressos.



-> Ainda que muitos DJs que você gosta compareçam a um festival, você provavelmente vai se frustrar ao longo do caminho, pois vai perceber que não vai conseguir ver todos os shows. É garantido que muitos horários vão colidir e você ora terá que sacrificar alguém, ora terá que se virar nos 30 e assistir só um pouco de cada. Dependendo do horário que chegar ao festival, a média de shows que você vai assistir por dia é de entre 4 a 6 shows, tornando aquele tradicional flyer anunciando o line-up nas redes sociais um sonho distante ou praticamente uma ilusão.



-> Se você não se dá a oportunidade de se surpreender assistindo DJs que antes não conhecia, o único culpado pela sua inflexibilidade é você mesmo e não o festival. Lembre-se que um dia você desconhecia o artista que hoje tanto gosta. Permita-se descobrir novos DJs.



-> Se o cachê do seu DJ favorito inflou, tenha certeza de que um dos responsáveis por isso foi você. O hype custa caro, cobra em dólar e torna mais difícil você ter a noite da sua vida.



-> Nem sempre a ausência do seu DJ favorito no festival é resultado de má vontade da produção. Grandes DJs têm datas concorridas e negociações vindo de todos os cantos do planeta. Além disso, no caso da América do Sul, quase sempre é necessário que mais shows em outras regiões ou países sejam contratados pra que o artista venha em formato turnê.



-> Nada — nadinha de nada — é perfeito, muito menos vai te agradar sempre. E isso é pra vida de um modo geral.




Rodrigo Airaf no Instagram.

Rodrigo Airaf ¯\_(ツ)_/¯

Co-founder/Editor-chefe // Brasiliense de 23 anos. Nômade. Festivalouco. Festeiro. Fã máximo do Stephan Bodzin, do Above & Beyond, do Porter Robinson; daquele techno mais macumbeiro, daquele trance mais viajante, daquele house mais groovado, daquelas farofas bem enérgicas, daquelas músicas que tocam a alma e de tudo que for bom e diferente. Trocou de sobrenome. Ama os amigos. Fala alto. Bebe pra caralho. Gosta de experiências. Grato pela vida.

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