2015 na música eletrônica: o que teve?

2015 é um ano que vai deixar saudades. Muita farofagem, muita desfarofagem, muito som bom, muitos festivais, muita zoeira... e mesmo que não possamos colocar absolutamente tudo de legal que rolou — isso renderia milhões de artigos — conseguimos colocar alguns pontos. O que teve na música eletrônica em 2015?



jamie-xx

Teve os álbuns maravilhosos de Jamie XX, Galantis, Spor e Scuba

De todos os álbuns lançados nesse ano, Jamie XX e Galantis ganham destaque. Todas as tracks do Pharmacy do Galantis são puro chiclete. Pudemos ver um lado bem emocional de Jamie XX no seu primeiro trabalho solo, In Colour, que demorou cinco anos pra ficar pronto e parece ter colhido todos os bons frutos possíveis. Spor mostrou no seu primeiro álbum Caligo como se faz um drum n’ bass que bambeia perfeitamente entre atmosfera dark e melodias bonitas. Claustrophobia do Scuba é não mais secretamente o nosso favorito do ano.

Teve despedida de Gesaffelstein e estreia de KSHMR

Gesaffelstein fez seu último live show no Coachella desse ano e deixou vários fãs órfãos de seu estilo techno meio fundo-do-poço-tecnológico. Pra não esbagaçar de vez, ele ainda toca alguns DJ sets, como fez no Hard Summer. Mas ok, os deuses do eletrônico tiram de um lado e colocam no outro: o KSHMR decidiu que já estava na hora de sair do estúdio e se apresentar ao vivo como DJ, tendo sua estreia em Los Angeles em Agosto.

Teve UMF não voltando ao Brasil pela milésima vez

Não tem sido fácil esperar pelo Ultra Brasil. O festival que já esteve no Brasil em 2011 teve que cancelar de novo o seu retorno, que já estava anunciado. Mas agora vai! Já fizeram trailer confirmando a edição de 2015, fazendo um mistério sobre a cidade onde vai rolar o festival. Vamos mandar energias positivas pra ser no Rio de Janeiro? Os cariocas estão precisando.


Teve Eric Prydz dando um tiro na nossa cara

Opus é aquele tipo de track que faz você se lembrar daquele dia que você percebeu que se apaixonou por música eletrônica de verdade, quando tudo era ainda muito novo e surpreendente. É o tipo de track que faz você se sentir como se pudesse conquistar o mundo. Ninguém estava com estruturas pra essa surpresa do Eric Prydz. E olha, Generate também não fica nada atrás.

Teve deadmau5 sendo deadmau5

Não seria um bom ano se não tivesse nosso guru deadmau5 tacando o foda-se. Entra ano, sai ano, e ele continua bem ácido. Ele fez coisas tipo produzir uma versão própria de Where Are U Now do Jack Ü, ou responder com essa foto ao comentário do Mat Zo sobre ele querer desprender-se do resto do mundo da EDM “como um duque no castelo”. Dias atrás, deletou seu Twitter e seu Facebook, e até ameaçou deixar a carreira de lado. Eita.

Teve mágoa

Achamos no mínimo divertido quando rola um sofrimento desnecessário. Tipo um pessoal do techno sofrendo pela música mais que irrelevante do Vinai que zoava o techno. Tipo Mat Zo sofrendo no Twitter por causa de toda a EDM, ou o Skrillex sofrendo também no Twitter pelo deadmau5. Tipo Avicii sofrendo porque ~um cara aí do Oasis~ não curte ele; o Dyro sofrendo pelo vídeo do Seth Troxler que zoava a EDM durante um show no Tomorrowland mesmo muitos meses depois de sua publicação. Foi um ano de muita exaltação.


Teve Tomorrowland e EDC no Brasil

Quem aqui há dois anos imaginava que dois dos maiores festivais do mundo viriam ao Brasil? Pois então, os deuses escutaram nossas preces. O Tomorrowland Brasil superou muitas expectativas pra quem achou que seria uma versão pé-de-chinelo da edição belga, e o EDC Brasil trouxe o caloroso espírito neon-PLUR do EDC Vegas e uma galerona da bass music que ninguém esperava ver por aqui, incluindo uma apresentação inédita do Dirty Noise.

Teve Avicii entrando na nossa lista negra

Ah, Avicii… o que esperar de você? Primeiro você desmarca todos os shows do resto de 2015 e destrói nossas expectativas de vê-lo por aqui, e depois lança um álbum mega chato com praticamente o mesmo conceito do último. Vamos rezar por você.

Teve um montão de movimentos musicais

Tropical house, future house, jungle terror, future bass... you name it. A música eletrônica já vinha sendo constantemente reconstruída e reinventada no ano passado, mas 2015 foi o ano da consolidação dos novos movimentos de música eletrônica. Nunca antes tivemos tanta coisa aparecendo e levando um monte de seguidores atrás. E adoramos isso. Prossigam!


ten walls dj homofóbico

Teve Ten Walls se vendo obrigado a tirar umas férias pra pensar

Quando temos uma cultura que foi em grande parte construída com a ajuda dos gays, é sempre bom ver um cara como o Ten Walls se dar muito mal. Ter escrito um post homofóbico em lituano no Facebook saiu caro, e o exemplo que ficou é importante: preconceito não passará. Ironicamente, poucas semanas depois, vários DJs americanos comemoraram a decisão da Corte Suprema de legalizar o casamento gay em todo o país, e o Electric Forest promoveu o primeiro casamento gay dentro de um festival de que se tem notícia. Ten Walls 0x1 Vida.

Teve fãs abandonados no TomorrowWorld

A edição norte-americana do Tomorrowland teve que lidar com uma baita crise esse ano. Umas chuvas fizeram a produção cancelar um dos dias do evento pra todos que estivessem fora do acampamento oficial e, ao chegar lá, esse pessoal ficou andando pela rua sem sinal de ônibus ou táxi, sentindo frio e até dormindo no acostamento da pista. Mas já foi confirmada a edição de 2016 no mesmo local, Chatahoochee Hills, e vamos ver se dessa vez o TomorrowWorld terá um plano B.

Teve uns pequenos sustos

Recentemente, Tchami e DJ Snake sofreram juntos um acidente de carro. Felizmente, não deu nada além de umas lesões e alguns shows cancelados. No meio do ano, também achamos que veríamos o fim do Knife Party quando Rob Swire, uma metade do duo, perdeu a audição. Tudo se resolveu com o próprio Rob avisando que estava bem, apesar de que teria que dar um fim nos cigarros a vapor, que teriam tido culpa nisso tudo. Ufa! Fiquem vivos, fiquem bem, galera. A dance music agradece.


baile do dennis rio music carnival Foto: RMC

Teve o RMC colocando um dia de funk no Rio Music Carnival

Esse foi o momento vish mais recente. Sério, se fizéssemos um contador de vish sobre isso, ele estouraria. O Rio Music Carnival escolheu um dos dias de festival pra fazer Baile do Dennis e a reação nos comentários de algumas pessoas foi bizarríssima, do nível “voltem pra favela”, “vai ter um monte de furtos”, “funk não é cultura” pra baixo. Se combinou ou não com as expectativas do público sobre o festival, é discutível, mas será que precisamos avisar que o funk também é nada menos que outra vertente de música eletrônica? Quando foi que as pessoas da nossa comunidade se tornaram tão preconceituosas?

Teve Ricardo Villalobos deixando um pessoal muito puto

Ricardo Villalobos, uma das nossas lendas do techno, causou um barulho no festival Coccon in the Park na Escócia depois de fazer um set que deixou uma boa parte do público bem bolada, seja porque ele estava tocando um som meio estranho, ou porque estava dançando e enchendo a cara de costas pro público o tempo todo de óculos escuros. Pra piorar, choveu. Bom, talvez aquela galera não estava tão familiarizada com o Villalobos como deveria.

Teve dois dias de Tribaltech

Um dos maiores festivais de música eletrônica underground do Brasil aconteceu em dose dupla lá no Sul, e com direito a acampamento. Doeu muito que não estávamos lá. Foram mais de 100 atrações, de Dubfire a Carl Craig, e pelo que vimos na web, nem a chuva nem o frio conseguiram quebrar a magia do festival.


Teve um integrante do Dada Life lançando álbum experimental

Olle Cornéer doou-se por completo ao seu projeto solo Night Gestalt no seu período pós-diagnóstico-de-câncer. É um projeto bastante revelador e muito diferente do que você poderia esperar do careca doidão que joga bananas infláveis na galera nos shows do Dada Life. É sempre bom ver um novo lado de qualquer artista. Night Gestalt desafia alguns ouvidos desavidados por ser um tanto dark e por não ter aspecto algum de música pra dançar.

Teve Starkillers acusando Avicii de roubar sua música

Starkillers, uma das figuras mais carimbadas do Beatport Top 100, decidiu soltar no Twitter a bomba de que o manager do Avicii na época de “Seek Bromance" havia roubado suas ideias para o clássico hit. Ele até mostrou uma prévia do que seria a música dele em 2009.

Teve tragédias infelizes

Duas meninas, de 18 e 19 anos respectivamente, morreram no Hard Summer Festival no verão americano por causas relacionadas ao uso de drogas, resultando no cancelamento de um evento futuro da Hard e de limitações na lotação da edição de Halloween do festival.

Um maluco de 19 anos morreu no ASOT 700 com rumores de que ele havia feito apostas com os amigos sobre quem usaria mais drogas naquela noite. Também teve notícias de mortes no EDC, no Beyond Wonderland, no Stereosonic e no Paradiso Music Festival. A festa da Mad Decent que rolava em um navio foi interrompida após uma mulher cair na água e desaparecer.

Na capital romena Bucareste, um incêndio causado por pirotecnia dentro do club (esse pessoal nunca aprende, né?) matou cerca de 30 pessoas e deixou quase 100 feridas. Em Taiwan, mais de 500 pessoas ficaram feridas — sendo 194 com queimaduras graves — em uma festa após um tipo de pó colorido inflamar.


richie hawtin universidade

Teve Richie Hawtin sendo premiado por uma universidade

Em Julho, a Universidade de Huddersfield, na Inglaterra, entregou a Richie Hawtin o título de Doutor honorário pelo seu trabalho e visão com música e tecnologia. Isso é o que acontece quando você é um profissional lendário que vê a importância da música eletrônica para além dos clubs, como o CNTRL, um dos seus projetos. Outra coisa genial: o prêmio foi entregue pelo Patrick Stewart, que é chanceler da universidade e também o Professor Xavier de X-Men.

Teve caça às bruxas no SoundCloud

O SoundCloud não é mais uma ferramenta tão livre pra usarmos como antes. Nos últimos meses, muitas contas de DJs, incluindo contas de DJs famosos, foram deletadas por violação a direitos autorais. DJ sets também têm dado trabalho. E o pior de tudo: muitas vezes o SoundCloud nem fica sabendo! C e r t a s c o r p o r a ç õ e s podem deletar essas contas quando quiserem. E agora a treta da vez é sobre estarem deletando tracks apenas pelos seus títulos. As manchetes por aí já falam sobre como o SoundCloud deu as costas ao mesmo público que o consolidou.

Teve o Beatport começando a vender stems

Os stems são um tipo de novo formato de áudio — na verdade, são quatro arquivos MP4 — que entrega partes separadas da música pra que o DJ possa manipulá-las como quiser. Criada pela Native Instruments, alguns dizem que essa tecnologia é o futuro da discotecagem. O Beatport já abraçou a coisa e começou recentemente a vender stems em seu site.


Teve mais coisas também... mas o resto a gente deixa pra segunda parte, que você pode conferir aqui.



Quer mais música? Os nossos Moods só têm música desse ano. Confira!

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