#EsquentaBRMC: 5 tendências de marketing que DJs e promoters devem aproveitar

Escrito por Matheus Tavares // Formado em Administração de Empresas Pela PUC-Rio e MBA em Marketing Digital pela UVA, Matheus é Marketing Manager na Hub Music Group (Hub Records & Boost MGMT), Co-fundador da The BOREAL Agency e tem experiências em mídias sociais de marcas como Ultra Brasil, Kaballah, Cat Dealers, Felguk, Só Track Boa, Brazil Music Conference, Gabriel Boni JØRD.



Sejamos sinceros: passado o ano novo, dois terços do verão e todo o feriadão de carnaval, para nós brasileiros o ano só começa agora. Na cena eletrônica, entretanto, as engrenagens continuam rodando e nosso mercado prossegue vivendo seus altos e baixos. A maturidade e o profissionalismo conquistados nos últimos anos, porém, se mantêm #graçasadeus.

O Brazil Music Conference (antigo RMC), principal conferência do mercado da música eletrônica latina, chega a uma nova edição, desta vez reformulada e voando em direção a São Paulo, no Unibes Cultural, entre os dias 9 e 12 de maio (inscrições neste link). É claro que participaremos e estaremos absorvendo — e na medida do possível, compartilhando — conhecimento com vocês. Até lá, certamente nossos olhos se voltam para as pautas e tópicos que serão levantados neste ano e iremos publicar aqui um pouco sobre cada um deles.

Uma das áreas mais importantes pra quem trabalha no setor do entretenimento é a relação marketing versus música, e visando prepará-los para esses debates, resolvi compilar 5 tópicos do que eu considero que serão as tendências do marketing na música para este ano de forma direta e prática, sem enrolação. Vamos lá?



1- A SUPER TRÍADE: VÍDEO + MOBILE + CONTEÚDO AO VIVO

brmc dicas 8"Ótimo, Scott. Este é o ano do mobile."

Ok, todo mundo está careca de saber que o vídeo não apenas é o formato mais usado nas redes sociais como é o que mais cresce em consumo na Internet. Pra ser exato, um estudo da Cisco mostrou que, em 2019, o vídeo será responsável por 80% de todo o tráfego da internet.

Fora o YouTube e similares, todas as grandes redes sociais estão direcionando grande foco no formato — não à toa o Facebook e o Instagram adicionam cada vez mais funcionalidades sobre isso.

Mark Zuckerberg, aliás, já mandou avisar que até o fim do ano que vem praticamente todo o conteúdo da rede social será em vídeo. Em breve teremos acesso ao Watch, por exemplo, a funcionalidade que vai permitir que você busque e descubra vídeos de amigos e interesses na plataforma. O feice quer ser o novo YouTube, tá na cara.

Agora, se você juntar isso à revolução do conteúdo em tempo real e descartável, nos moldes do Snapchat e consolidado com os Stories do Instagram, já fica meio claro qual é a tendência de agora e de adiante.

Na prática: use e abuse do Instagram e Facebook Live — desde que o conteúdo seja relevante e faça sentido para seus seguidores.

Mobile first - faça seu conteúdo sempre pensando na experiência de consumir no celular. O número de pessoas acessando as redes e permanecendo conectadas no celular já é maior que o dobro do desktop.

Dica 1: o Instagram tem um recurso legal chamado Live With, que permite que você convide alguém que está assistindo o live para ativar seu vídeo e participar da conversa. Você pode, por exemplo, entrevistar e trocar uma ideia com fãs aleatórios, como fez o Gabriel Boni em um dos seus lives recentes.

brmc dicas 1

Dica 2: atualmente temos 4 grandes formatos de vídeos para as redes sociais:
- 1:1 (tradicional quadrado)
- 4:5 (ótimo para Instagram Feed)
- 9:16 (vertical/stories)
- 16:9 (wide/YouTube)

brmc dicas 2

Meu preferido geralmente é o 4:5, pois, ao contrário do quadrado, preenche a tela (chamando mais a atenção) e, ao contrário do 9:16, é mais fácil e rápido de ser consumido no feed — você não precisa clicar no vídeo para vê-lo em tela cheia, por exemplo.

EXEMPLOS

Ano passado, o Cat Dealers transmitiu, ao vivo, o warm-up oficial da sua festa Cat House em São Paulo. Os irmãos entregaram um conteúdo exclusivo, grátis e de qualidade aos seus fãs e a quem mais quisesse consumir naquele momento.

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Outro exemplo foi Esperanza Spalding, artista de Jazz americana que transmitiu a gravação na íntegra do seu álbum no Facebook Live. Ao todo, o livestream durou três dias consecutivos, mostrando todo o processo criativo e de produção.



2- MICRO-INFLUENCIADORES DIGITAIS

influencer meme

Todo mundo sabe o quão valiosos se tornaram os chamados “influenciadores digitais” no marketing. São aquelas pessoas com centenas de milhares de seguidores nas redes sociais cujas opiniões, comportamentos e atitudes servem de referência e aspiração para seu público.

Só que, sendo você um artista ainda em ascensão, é bem difícil entrar em contato com esses caras e propor uma parceria. Eles só conversam com grandes marcas e, às vezes, até cobram caro por isso.

A saída podem ser os “micro-influenciadores”, que segue o mesmo conceito, porém em uma escala menor: marcas e artistas fazem parcerias com indivíduos que possuem um número menor de seguidores nas redes sociais, na casa dos 10k talvez, e, na verdade, podem conseguir resultados até mais eficazes, como veremos a seguir.

O lance é que esses caras pequenos normalmente são especializados em algum nicho e possuem uma base muito mais fiel e engajada. Eles também trazem autenticidade pela forma como divulgam produtos — são pessoas reais, com conteúdos que expõem mais a sua verdade. É muito mais fácil você confiar em algum conhecido ou alguém com uma realidade próxima à sua do que em uma celebridade distante.

Estudos de agências como a Markely, a Mediakix e a Experticity mostram que os influencers de 1k a 10k seguidores possuem taxas de engajamento e conversão muito maiores do que os grandões de mais de 1 milhão. Além disso, ao fazer parceria com um micro-influenciador especializado em algum assunto você está atingindo uma segmentação muito mais certeira, indo direto à nata do seu público-alvo.

Na prática: faça parcerias com pessoas influentes da sua região: frequentadores de festas eletrônicas, produtores de eventos, outros DJs que estão no mesmo patamar que o seu, modelos, etc. Durante a abordagem, ofereça algo em troca, como ingressos para uma gig, divulgação mútua ou até mesmo grana. O importante é que seja uma troca em que todos saiam ganhando. É essencial também que a promoção seja o quanto mais autêntica e espontânea for possível, como se o micro-influenciador estivesse realmente recomendando o seu produto para um amigo porque ele gosta daquilo.

EXEMPLOS

A @jenniferojima gravou um vídeo dançando “Hey Hey Hey”, do Chemical Surf e o vídeo viralizou, gerando mais de 180 mil visualizações e muita mídia espontânea para o artista — exemplo perfeito de conteúdos autênticos vindo de pessoas reais.

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Por fim, a Só Track Boa convidou fãs e clientes a postar fotos com os produtos da marca usando hashtag e marcações em troca de exposição no perfil da marca, gerando um benefício mútuo de mais engajamento e mais seguidores para ambos os lados.

brmc dicas 5 A @nathysouza_0 (c/ 3,7k seguidores) gerou mais de 21k curtidas e 140 comentários no perfil da STB.

Ao valorizar “pessoas da vida real” ao invés de só modelos e celebridades, você torna a sua marca mais pessoal e humana, gerando proximidade e identificação necessárias para o aumento do desejo de compra.

Fique ligado: para acompanhar o Facebook, o Instagram também mudou seu algoritmo. Agora os posts que aparecem primeiro no feed são os de perfis que você mais interage ou interagiu recentemente e, dentre esses posts, autenticidade e qualidade de conteúdo saem na frente de posts patrocinados ou grandes marcas.



3- MARKETING DE CONTEÚDO

brmc dicas 9"Se o seu conteúdo não tem propósito, então não gaste o meu tempo."

Content marketing foi o grande hype do marketing moderno nos últimos anos. Trata-se basicamente de criar conteúdo relevante e consistente pra sua audiência visando agregar valor, atrair e reter possíveis novos clientes à marca.

A abordagem mudou. Ao invés de simplesmente dizer “compre isso”, as marcas estão contando histórias, provendo informações e sendo transparentes.

O que aconteceu é que a internet virou um turbilhão de informações. Virou também um lugar democrático, onde qualquer um pode escrever sobre qualquer coisa. Resultado: muito conteúdo ruim, superficial, banal, falso, incompleto, incoerente...

A saturação do conteúdo no meio digital trouxe o “mais do mesmo” e a competição entre marcas e indivíduos pra se destacar e captar a atenção da audiência. “Ouça meu set”, “me siga aqui”, “dê play ali”, “vá nessa festa” não funciona mais.

Simplesmente fazer um vídeo aftermovie de uma gig, por exemplo, por melhor que seja a qualidade, às vezes não é o suficiente para chamar a atenção, porque todos os DJs o fazem, filmando momentos explosivos dos seus shows, bastidores, viagens, etc.

EXEMPLOS

Embora parte do crescimento da base do Marshmello nas rede sociais tenha sido pela viralização dos seus vídeos de drops EDM em festivais monstruosos, ele saiu da sua zona de conforto e criou uma série de vídeos chamada “Cooking With Marshmello”, que mostra de maneira bem humorada o artista fazendo receitas curiosas na cozinha.

A série bombou, já tem 14 episódios, e desde que foi iniciado, em meados de Outubro/17, alavancou mais de 3 milhões de inscritos em seu canal do YouTube.

Deadmau5 tem uma série no YouTube chamada “Coffe Run”, em que ele convida outros artistas/celebridades para dar um rolê em um dos seus carros esportivos e trocar uma idéia.



4- STORIES

brmc dicas 10"Instagram Stories? Mas eu acabei de aprender o Snapchat."

Costumo dizer que o Stories virou uma rede social à parte dentro do Instagram. O recurso ganhou tanta importância que as grandes marcas já criam estratégias próprias para alcançar mais pessoas e engajar com seu público por lá.

Para o bom uso do Stories, você precisa de consistência e coerência. Isso significa fazer stories com frequência, procurando dar uma sequência lógica ou sentido entre os conteúdos como se fosse uma série de televisão com vários capítulos — o seguidor precisa perceber uma história com início, meio e fim. Isso ajuda a capturar a atenção das pessoas e as mantém curiosas. Isso também te faz pensar no primeiro Stories do dia, ele precisa ser atraente o suficiente para fazer com que as pessoas queiram ver os seguintes.

Na prática: para ser bem sucedido no Stories você precisa criar conteúdo pessoal, íntimo, tanto com cenas exclusivas que jamais serão vistas em outros lugares quanto um canal de comunicação direta e espontânea com os seguidores.

Muitas marcas e artistas também usam o Stories como um complemento na divulgação de produtos e músicas. Ao ter uma conta business com mais de 10 mil seguidores você consegue inserir links externos e levar usuários a outras plataformas sociais e de streaming. Só tome cuidado para não tornar seu Stories algo meramente comercial, pois as pessoas vão deixar de assisti-lo.

Também é legal usar todos os recursos da plataforma. Efeitos, gifs, grafias, emojis, animações, boomerang, zoom, vídeos, fotos... quanto mais variações e diversidade, menos monótono e mais divertido.

EXEMPLOS

O Gabriel Boni usa muito bem o Stories para divulgar seus shows, tanto antes, ao publicar cards animados com informações sobre o show, como depois, reprisando os momentos principais da noite.

A cantora Anitta faz muito bem o lance de mostrar os bastidores, não só de shows, mas do seu dia-a-dia de trabalho e lazer. Quase sempre ela conversa com personalidades, parceiros de trabalho, fãs e amigos no stories.



5- MÍDIA PAGA

brmc dicas 7"Eu vou te encontrar e vou te mostrar um anúncio de Facebook altamente específico."

Sim, o alcance e engajamento orgânico do Facebook praticamente morreu e até mesmo o alcance de vídeos virais diminuiu. Em 2018, investir em anúncios virou praticamente uma necessidade após mudanças recentes no algoritmo do feed, que prioriza cada vez mais postagens e interações de amigos e parentes em detrimento à de páginas e marcas.

Cada vez mais agências e empresas investem em mídia online, que é barata comparada a outras e mesmo assim pode alcançar incontáveis pessoas.

A grande vantagem de fazer anúncios online é que não é preciso investir alto e não há valor máximo nem mínimo de investimento. Facebook, Instagram e YouTube fornecem sistemas de mídia paga tão democráticos que você pode gastar quanto você tem no momento e ter um resultado proporcional ou até melhor do que esperado.

Na prática: para fazer uma campanha de anúncios bem-sucedida, você precisa ficar ligado em duas coisas: relevância de conteúdo e segmentação.

O sistema de anúncios do Facebook, Instagram e afins é justo. Se seu anúncio não for relevante e interessante o suficiente para o público segmentado, o algoritmo vai entregar para poucas pessoas e não vai gerar resultado, qualquer que seja o valor do seu orçamento. Ao mesmo tempo que o Facebook quer que o anunciante consiga cada vez mais resultado e invista cada vez mais, também quer que o usuário não pule fora da plataforma após ver um feed super poluído de propagandas tediosas e inúteis.

Pense, portanto, no conteúdo em primeiro lugar. Depois de fazer um conteúdo bombado, vem a segmentação (definir sexo, idade, região, interesses, etc). Esta precisa ser certeira pra atingir em cheio seu público-alvo e para que o conteúdo que você planejou seja coerente com a audiência que está sendo veiculado.

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