A vida do festivalouco de classe média

O Brasil nunca teve tantos festivais de música eletrônica como agora. Alguns festivais, como os de EDM, são pra algumas pessoas o rolê do ano, especialmente pra quem não tem como dar um pulo em Ibiza tão fácil. Apostamos que você também faz parte de grupos no WhatsApp dedicados a algum festival, e apostamos também que você que foi no EDC já está ansioso pra próxima edição. O que acontece na vida de um viciado em festivais?

Você se prepara pro festival

Quem for festivaleiro troo sabe do que estamos falando: você se organiza pros festivais. Com antedecência, faz checklist de tudo o que deve comprar e marca tarefas na agenda. Você tem praticamente decoradas as regras do festival sobre o que pode ou não pode levar. Com o tempo, várias coisas que você consome são em função de um festival: aquela camisa foda que ficaria top, topíssima no evento, aquele coturno impermeável meio caro porém necessário, óculos, uma barraca mais confortável, entre outros itens do seu kit-raveiro.

A taquicardia é constante

Ser louco por festivais faz você ser uma pessoa frequentemente ansiosa. Você fica ansioso pelo anúncio das datas da próxima edição. Você fica ansioso pra comprar os ingressos. Em grandes festivais como o Tomorrowland, você quase morre na fila dos ingressos com medo de não conseguir comprar. Você fica ansioso pro line-up, mesmo sabendo que não vai dar pra ver tudo. Você fica ansioso pro dia de viajar, mas até lá, vê fotos do evento e vídeos no YouTube, lê tudo o que tem na web sobre, baixa até app de contagem regressiva no telefone. Unhas? Já roeu todas.

Você sacrifica coisas

Como festivalouco, você não se importa tanto se a crise econômica te atingiu ou não, simplesmente porque ela sempre esteve ali. Você deixa de gastar grana com algumas baladas que agora vê como descartáveis. Você libera espaço no cartão de crédito. Se você for desses que ainda estão na barra da saia da mãe, você pede com antecedência e se comporta como um anjo até o dia das vendas. Você economiza em muitas coisas, ou se você for desleixado, se enrola em algumas dívidas mas continua com o sorriso no rosto.

Você faz muitos amigos

Os festivais criam uma onda de interação sempre. Se você for sozinho, você não tem a menor preocupação com isso porque sabe que vai fazer novos amigos. Às vezes esses amigos acabam encontrando você no próximo festival, e no próximo, e no próximo. Festivais com fama gringa ainda podem te fazer conhecer uma galera mais diferente ainda, com quem você compartilha coisas e enriquece sua experiência.

Você tem experiências inesquecíveis

Ir a festivais é nada mais que uma viagem, ainda que seja uma viagem curta. Como toda viagem, cada experiência é diferente. Você nunca sabe ao certo as coisas que vão acontecer, as pessoas que vai conhecer, as descobertas musicais inacreditáveis que vai ter, as situações engraçadas pelas quais vai passar. Se for um festival no estilo do Soulvision, a jornada pode ser até espiritual: você tem encontros reveladores com si próprio e começa a pensar diferente sobre as prioridades da sua vida. Já adiantamos logo que uma delas é ir a mais festivais.

depressão depois de um festival

Você tem deprê por semanas

Quem nos dera se o maior problema em ir a um festival fosse como o corpo fica depois: todo ralado, sem conseguir mover as pernas, resfriado e com muitas dores. O tenso mesmo é a deprê. Por semanas, nenhum outro rolê faz sentido. É bem difícil voltar à vida normal e ser alguém produtivo. Seus amigos que não foram ao festival não suportam mais você falar sobre isso. Não é mole.

Você é muito feliz

Com ou sem álcool, com ou sem outras drogas, com ou sem perrengue você sabe que naqueles dias do festival você é a pessoa mais feliz do mundo. Primeiro porque o perrengue sempre terá valido a pena. Segundo porque você se sente recompensado pelo tempo que esperou. Terceiro por todos os motivos deste texto. Qual o próximo festival em que você está de olho?

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