8 lições simples que aprendi no ADE 2016

Amsterdam Dance Event — ou ADE — é o maior encontro mundial entre profissionais e DJs da música eletrônica. Todo ano, Amsterdã reúne essa galera toda (nesse ano foram 2515 artistas) e a cidade inteira se volta para os acontecimentos do evento. A 21ª edição aconteceu entre os dias 19 a 23 de outubro, e eu estive lá pra ver tudinho.

O ADE trouxe muito conhecimento e debates em torno das questões da cena, as novidades tecnológicas em equipamentos de DJ e produção musical, tendências musicais e de mercado para os próximos anos, tudo isso em 5 dias de muitas emoções, aprendizados e festas pra curtir. Agora, aqui estou, ansiosa para contar a vocês 8 lições/coisas que trouxe em minha bagagem depois desse rolê inesquecível.

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1. A cidade de Amsterdã abraça a música eletrônica

Era incrível ver a cidade toda enfeitada com bandeiras pretas e amarelas com o símbolo do ADE, além de infinitos anúncios de festas, underground ou mainstream. A cidade é rica em cultura, com diversos museus, galerias e muita história. Mas isso não significa que a música eletrônica não seja cultura: teve Armin van Buuren tocando/guiando no museu do Van Gogh e teve Maceo Plex tocando pertinho do Rijskmuseum.

Nas festas tinha gente de todas as idades, sem nenhum preconceito, dançando mais e reparando menos. Havia respeito. E é aqui o início da magia: ninguém na cidade irá te julgar por curtir música eletrônica; Amsterdã estava tomada por aficionados pela dance music e todos estavam bem com isso. Paraíso.

img1-min-1 As bandeiras tomavam conta dos canais

img8-min Fim do AMF, a espera do Hardwell

2. Você não deve se prender a gêneros ou artistas favoritos

Claro que vamos comprar ingressos para ver DJs que conhecemos, mas no ADE, incrivelmente, havia muitas festas de qualidade praticamente de graça - menos de 10 euros, ou 35 reais. O evento dá uma oportunidade inigualável, com uma gama imensa de festas nos mais diversos gêneros. Você respira cultura e aprende muito ouvindo o que não conhece/gosta. Eu voltei um pouco arrependida, pois me prendi ao trance e senti que devia ter explorado um pouco mais.

img2-min Liquid Soul botando a casa abaixo no In Trance We Trust

3. Deixe que artistas que você não costuma dar tanta atenção lhe surpreendam

Os artistas preparam sets de altíssima qualidade e apresentam novas músicas que trabalharam por muito tempo. Não vou pagar para ver David Guetta, mas que o set dele no AMF foi inesperado, isso sim. O Guetta abriu com uma orquestra maravilhosa e mandou um set diversificado, com um pouco de trance e trap, além daqueles hits que não nos deixam ficar parados. Nicky Romero também mereceu esse troféu, tocando na Armada Invites e no AMF com músicas bem diferenciadas e menos daquele EDM. Eu como uma tranceira, poderia ter dado mais atenção ao pessoal do techno: Dave Clarke, Richie Hawtin e Joris Voorn eram alguns dos nomes.

img3-min David Guetta pedindo para apagar as luzes. Segurou o drop por 2 minutos pra soltar uma tranceira fantástica

img4-min Nicky Romero tocando Lighthouse

4. Aproveite tudo que os grandes eventos oferecem

A organização do ADE trabalha duro para que tudo saia perfeito. Apesar de ser corrido ( muito corrido mesmo) dá para se fazer de tudo um pouco. No mesmo dia é possível ir em um museu, conferência, festival e ainda um show, e até descolar uma visita ao QG da Armada de graça. Mas não pode se esquecer de deixar o corpo e a mente descansarem, pois no dia seguinte o ciclo se reinicia.

img5-min HQ da Armada!

5. Aprenda com as mentes brilhantes da cena

Com papos descolados de Q&A, sessões coordenadas e entrevistas, o ADE é a plataforma para se fazer muito networking, seja para aprender mais sobre um assunto, de um artista e sua rotina ou ainda de equipamentos tops que serão lançados. E é claro que dá para ficar de frente com seu artista favorito e rolar aquela foto ou autógrafo.

img6-min Armin van Buuren

img7-min ADE MusicTalks com Oliver Heldens

6. Não seja ingênuo e afobado

Eat, sleep e rave - apenas. Não ache que seja necessário ir em todas as festas e não descansar direito. O nosso corpo precisa de descanso sim, além de uma alimentação equilibrada (às vezes uma coisa mais leve no fast-food). Quanto às drogas: cuidado. Não é porquê em Amsterdã seja legal o uso de soft drugs (maconha e haxixe) que é legal entrar com elas nas festas. E não dê ouvidos aos vendedores dentro das festas.

7. O ADE se preocupa com você

Com todo esse papo de redução de danos, o ADE fez bonito. Antes mesmo do início do evento, as redes sociais e e-mails estavam bombando com o “Celebrate Safe” ("celebre com segurança") e algumas dicas. Eles se preocupavam muito com a saúde da galera: nos eventos espalhavam os cartazes com as dicas de como se manter seguro, cartazes sobre drogas perigosas (como ecstasy com elevada quantidade de MDMA ou que possuíam PMMA) nas festas e além de uma parceria com fabricantes de plugs de ouvido personalizados.

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8. O ADE é muito mais que um evento, é uma experiência

Não minto quando digo que foram os dias mais incríveis da minha vida. Era belo de se ver gente do mundo todo juntas em um só lugar, por só um motivo: a música. E tudo que eu posso desejar a você é que você vá um dia, de coração e mente abertos. Tenho certeza de que serão os dias mais incríveis da sua vida também.

Raiane Reis ᕕ༼⌐■-■༽ᕗ

Autora // Estudante de Química, paulista caipira de 22 anos. Fala poRta e bolacha. Queria que o Orkut voltasse. Na barriga da mãe já DALE. Puxou o pai no vício da música eletrônica. Rainha é Beyoncé, rei é Justin Timberlake, lenda é Armin van Buuren. Ouve de tudo mas o coração é do trance e psytrance. Not afraid of 138 BPM e forever in a state of trance. Quer conhecer o mundo (24 ✓) e seus festivais de música.

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