Um salve à verdadeira house music: falamos com o duo Anhanguera

Influenciados pela cultura house da virada do século, Dudu e Décio se encontraram pela paixão em comum por música e fundiram-se na alcunha artística Anhanguera. Há mais de uma década tocando pras principais pistas do país, é natural que eles sejam reconhecidos como grandes expoentes da house music no Brasil. Essa premissa ganha força ao olharmos para o catálogo do duo, repleto de colaborações importantes com grandes nomes da cena house internacional - como esta aqui, com o lendário DJ Sneak:

Seja na pista ou no estúdio, é encantador ver a forma como o Anhanguera lança sua identidade pro ouvinte. Por essa e por outras, convidamos Dudu e Décio para um bate-papo exclusivo e o resultado desse encontro você confere logo abaixo.


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STEREO MINDS - Olá! Após mais de uma década tocando e produzindo juntos, é possível dizer que vocês estão 100% entrosados? Como funciona a dinâmica de produção e pesquisa musical de vocês em dupla?

ANHANGUERA - Olá. Sim, a gente super respeita a identidade que criamos pro Anhanguera, buscando sempre aperfeiçoar a qualidade da nossa produção. A dinâmica varia: alguns sons emblemáticos do Anhanguera surgiram quando estávamos ouvindo música descompromissados e de repente apareceu uma ideia ou ouvimos uma música que resolvemos samplear na hora. Depois do momento inspiração, o Dudu se concentra no trabalho de estúdio, fatiando e tratando as partes da música e montando a track. Com relação à pesquisa, temos uma conta do Anhanguera nas principais lojas on line e, sempre que um de nós tem tempo, jogamos algumas músicas na cesta.



STEREO MINDS - O catálogo do Anhanguera possui lançamentos por grandes selos da cena house, além de colaborações e remixes com nomes do calibre de Phil Weeks, Sonny Fodera e DJ Sneak. Falem um pouco sobre a importância desse trabalho na carreira de vocês.

ANHANGUERA - Todos esses nomes foram em algum momento da nossa carreira uma grande referência musical. É gratificante poder ter trabalhado com eles. No auge do Jackin House, produtores veteranos se uniam aos novatos para impulsionar a cena. Como tocávamos as músicas desses caras e eles tocavam as nossas, o passo seguinte foi eles remixarem nossas faixas, e isso aconteceu naturalmente.



STEREO MINDS - Os últimos anos da cena underground no Brasil foram dominados pelo techno. Obviamente o house não morreu, longe disso, mas certamente perdeu um pouco de espaço nas pistas. Como vocês avaliam esse momento?

ANHANGUERA - Já passamos por isso antes. O house é o começo de tudo, ele sai e entra de moda de 5 em 5 anos por ser o estilo mais versátil de todos. Portanto, se hoje o techno está mais forte, logo o house voltará a ser o protagonista das pistas.



STEREO MINDS - Olhando para o Brasil, quem vocês enxergam como os grandes representantes da house music dentro do nosso país na atualidade?

ANHANGUERA - O Brasil já teve uma leva de produtores mais emblemáticos de house. Éramos fãs, por exemplo, do Prtz e Jamanta Crew. Embora seu nome seja mais associado ao techno que ao house, algumas das faixas de house que mais tocamos foram produzidas por Renato Cohen. Atualmente vemos coletivos interessantes que misturam referências de disco nacional e outras brasilidades com música eletrônica, como é o caso dos meninos da Selvagem, que ora passeiam mais pelo house, ora focam mais no new disco.

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STEREO MINDS - Que programas e equipamentos vocês usam em seus sets e produções? Qual formato de mídia é o preferido para as apresentações do Anhanguera?

ANHANGUERA - Preferimos tocar com vinil ou CDJ pois a sensação de encaixar a batida de duas músicas manualmente, além de ser muito prazerosa, transmite pra pista uma emoção muito maior. Cubase, Acid, Ft Loops, Sound Forge são alguns sotfwares utilizados pelo Anhanguera. Também temos um sintetizador vintage da Roland que está presente em algumas tracks.



STEREO MINDS - Quais são os principais desafios que vocês enfrentam hoje em relação à época em que começaram a trabalhar em conjunto?

ANHANGUERA - Os desafios são os mesmos. Tocar e fazer música boa nunca será o suficiente para conseguir mais gigs.



STEREO MINDS - Como foi a experiência de tocar junto com Derrick Carter?

ANHANGUERA - O Derrick sempre apoiou o Anhanguera. Chegou inclusive a incluir uma faixa nossa (Hot Jazz in Ya Face) no seu Essential Mix para a BBC Radio 1 em 2011. Na última vez que ele veio para o D-EDGE, o nosso nome era um dos mais óbvios para abrir a pista. Foi uma noite incrível.



STEREO MINDS - Por fim, uma pergunta direta. Qual caminho seguir para continuar soando interessante para o público?

ANHANGUERA - É sempre preciso buscar um equilíbrio entre um trabalho autoral que se conecte com as tendências e o gosto das pistas. Tentamos sempre nos adaptar ao momento do mercado sem perder nossa identidade.

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