Lisérgico! A linda arte nos blotters de LSD

O ilustre LSD, dietilamida do ácido lisérgico, foi descoberto por Albert Hoffman em 1938, mas ele só ficou sabendo das suas propriedades psicodélicas em 1943. Até 1966 o ácido era distribuído principalmente na forma de líquido, além de ser disponibilizado para compra no laboratório Sandoz. Às vezes até cubos de açúcar ~turbinados~ eram vendidos.



IMG1 Hofmann com um blotter art de Timothy Leary

Depois da proibição do governo dos EUA, o comércio foi banido tanto para uso médico quanto científico. As leis eram baseadas no peso das substâncias portadas, então alguém detido com uma dose de ácido em um cubo de açúcar que pesava 1 grama obteria a mesma sentença que outro com 1 grama de cristal LSD - cerca de 10000 doses. Todo o processo de produção e distribuição era feito por baixo dos panos, utilizando-se de métodos inovadores de fabricação. Não demorou muito pra que um gênio descobrisse um jeitinho mais "leve" de distribuir o quitute.

Assim nasceu o “blotter”, o tal doce. O método envolve saturar um pedaço de papel absorvente com a solução de LSD. Os primeiros blotters eram dosados cuidadosamente, pingando-se a solução no papel em forma de grade. Mas pra melhorar a eficiência, no papel era impressa a grade (que auxiliaria no recorte) e toda a folha era mergulhada na solução de LSD.



IMG2

Os fornecedores queriam distinguir suas mercadorias, então tiveram a ideia de marcar os papeis. Ela podia ser impressa ou marcada por um carimbo com alguma imagem zoada. Só que essas marcas começaram a virar imagens muito criativas e com designs incríveis (por que será?!). Surgiu assim a “Blotter Art”.

Mark McCloud, artista e ex-professor, possui uma coleção de blotters chamada Instituto de Imagens Ilegais. É a coleção mais abrangente no mundo e, não de forma inesperada, já foi julgada criminalmente 2 vezes. Os primeiros blotters obtidos por McCloud continham LSD e eram emoldurados e pendurados. Mas ele conseguiu adquirir papeis sem LSD e produzir seus próprios blotters.



IMG3

Thomas Lytte também começou sua coleção depois de conhecer McCloud. Além disso, pediu para que pessoas da psicodelia como Albert Hofmann e Timothy Leary assinassem algumas edições limitadas de blotters, que seguiram para museus. Atualmente alguns websites vendem os blotters artísticos sem LSD, e por preços salgados.

Confira alguns blotters, dos mais simples aos mais fantásticos:

blot1 Sperm: 1 dose, de 1979 blot25 Tree of Life: blotter art

blot24 Liquid #25: blotter art

blot23 Blues for Allah: blotter art

blot22 Luke Brown Remix: blotter art por Lucifer

blot21 Vermillion Tongued Siren: blotter art por Justin Bonnet

blot20 Jimi Hendrix Rainbow: blotter art por Jeff Hopp

blot19 Evolution: blotter art por Amanda Sage

blot18 Bosch

blot17 Om: 100 doses, 2006

blot16 Camisinhas dançantes

blot15 Bicicleta de Hofmann: 500 doses, a icônica viagem de Albert pós-LSD, 2000

blot14 900 doses de 1000 µg (ou seja, 1 mg de LSD), 1993

blot13 Orange Op: folha inteira

blot12 Dr. D

blot11 Sorriso de Leary: 25 doses

blot10 Cérebro: folha inteira

blot9 Chapeleiro Maluco: 4 doses

blot8 Tubos de ensaio dançantes: 100 doses, 1988

blot7 Flamingos: 40 doses, 1987

blot6 Arranjo de jesus roxo (arte de Alex Grey)

blot5 Albert Hofmann: 20 doses, o pilar de cada coleção, 1984

blot4 Party Animal: 100 doses, 1983

blot3 Barrel of Monkeys: 1 dose, DIVERSÃO!, de 1982

blot2 Circle Star: 1 dose, lendas que esse blotter era do Estado da Estrela Solitária (Texas), de 1981

Raiane Reis ᕕ༼⌐■-■༽ᕗ

Autora // Estudante de Química, paulista caipira de 22 anos. Fala poRta e bolacha. Queria que o Orkut voltasse. Na barriga da mãe já DALE. Puxou o pai no vício da música eletrônica. Rainha é Beyoncé, rei é Justin Timberlake, lenda é Armin van Buuren. Ouve de tudo mas o coração é do trance e psytrance. Not afraid of 138 BPM e forever in a state of trance. Quer conhecer o mundo (24 ✓) e seus festivais de música.

Publicidade

Participe da conversa