BOOM é o festival de psytrance mais respeitado do mundo

A felicidade só é real quando compartilhada, então senta que lá vem textão, porque é impossível descrever em poucas palavras o que é o Boom festival! Aproveite cada linha desse texto que foi escrito com muito amor, cheio de informações, depoimentos e dicas pra você conhecer, e quem sabe estar lá na próxima edição!

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Há 1 ano atrás, este ser que vos escreve estava embarcando junto de um seleto grupo de brasileiros para a experiência mais marcante da vida, experiência esta não passível de comparações.

A ideia era registrar em tempo real aqui pra SM, porém a emoção e intensidade dos 8 dias ininterruptos de festa foi tanta que só agora, já no planejamento da próxima edição, que preciso me redimir compartilhando com vocês essa incrível experiência!

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Mas o que de fato é o Boom Festival?

Criado em 1997 como um evento musical, sua evolução ao longo dos anos o torna hoje o mais importante encontro multidisciplinar e intercultural do planeta. O festival bienal, sempre na lua cheia do mês de agosto, coleciona prêmios mundo afora, sendo inclusive reconhecido pela UNESCO no que diz respeito a questões ambientais.

Atividades como Yoga, meditação e diversos tipos de terapias alternativas acontecem em tendas ou espaços espalhados por todo o festival, que é gigantesco. Galerias de arte psicodélica, grafites, esculturas, jardins secretos, muitas áreas tão singulares que é impossível pisar em todos os cantos que são feitos com muito carinho e tantos detalhes.

É realmente impressionante tudo o que você vê a cada passo que dá, e perceptível que cada espaço foi feito pensando no seu bem estar. Mesas e bancos de pallets, redes, balanços, tendas com sombra, estruturas pra você ficar sentado, deitado, curtindo... é tanta coisa que dá uma saudade só de lembrar.

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No "Liminal Village", que é o espaço cultural e laboratório de sabedoria, onde as ideias radicais e os conhecimentos científicos mais recentes convergem em uma programação educacional, lá ocorrem dezenas de palestras, oficinas, exibição de filmes e documentários sobre ambientalismo, soluções de vida natural, ativismo visionário, uso terapêutico de enteógenos e fábricas de medicamentos, mídias sociais... e uma série de outros assuntos baseados na construção de uma nova identidade individual e coletiva através de uma nova visão de mundo.

Esse é com certeza o local que faz as ideias do Boom transformarem-se em realidade, mostrando ao mundo que é possível encontrar de formas diferentes e mais eficazes, soluções práticas pra questões universais, mesmo que algumas apenas testadas e praticadas durante os 08 dias a cada biênio.

Já outras, como transformar a cidade de Idanha-a-Nova, que é onde acontece o festival, em uma das 47 cidades criativas da UNESCO, e ser reconhecido pela ONU como exemplo de uma "nova consciência" já não são tão pequenas assim, não é mesmo?

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Em 2014, muita gente queixou-se de uma superlotação, foram em média 43 mil pessoas, e com isso a organização em 2016 reduziu a limitação de convites (foram 33.333 em 2016), para que a qualidade de vida dos "Boomers" durante o evento não fosse reduzida, mais um detalhe pensado em cada serumaninho que andou pela gigantesca Avenida Albert Hoffman e pela Goa Avenue.

Além disso, aumentou consideravelmente o número de chuveiros e banheiros disponibilizados no espaço, que impressiona não só pela quantidade, mas sim porque toda água utilizada no banho já é tratada no momento em que cai do chuveiro, e é reutilizada de forma segura. Nossos resíduos no festival também servem pra fertilizar os campos e os incontáveis jardins ao redor.

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E tem mais: o Boom não é feito por marcas, e sim por pessoas. Não existe publicidade, não existem anúncios. Na verdade o que vimos em 2016 foi pela primeira vez os cartazes do nosso famosíssimo e tão esperado "Universo Paralello" que será agora no final do ano, fixado nos bares. São 8 dias de uma liberdade jamais encontrada em outro lugar.

O respeito destinado a todos como pessoas e não como consumidores é perceptível quando dentro do festival você encontra uma praça de alimentação maior que as dos shoppings em São Paulo, com variedades de todos os lugares do mundo, sendo preparadas pelos nativos de cada região a preços justos.

Existe uma mesa feita especialmente pra evitar o desperdício de comida, lá nada é jogado fora, quem não comeu deixa, quem quer comer pega, e isso é muito comum e natural. É impressionante como pequenos gestos tornam a vida tão diferente. A coleta seletiva do lixo é perfeita, e se você encher uma garrafa de água com bitucas de cigarro, troca por uma cerveja!

Há dentro do festival um mercado onde você pode comprar coisas orgânicas, frutas, utensílios como lanterna e sabonete (sim, eu lesado precisei comprar pois esqueci o meu no banheiro no primeiro dia, e as pessoas o usaram até o final sempre deixando onde esqueci), e pão quentinho a todo momento (sim, é real! tem uma fucking padaria no rolê)!

Existe também um pequeno hospital, que atende aos feridos, no caso eu, no quinto dia de festa fui parar lá devido a abrir uma rachadura tenebrosa no meu pé, de tanto dançar naquele clima seco. Para o atendimento é super simples, você dá seus dados como número do passaporte, nome e país, e é atendido rapidamente. No meu caso, uma higienização e curativo foram suficientes.

Além do hospital, o festival também é modelo no mundo no que diz respeito à Redução de Danos, que é um assunto que precisa MUITO ser falado e que por lá já está bem avançado em relação a nós Tupiniquins. No festival, uma grande tenda é montada com informações sobre todos os tipos de substâncias psicoativas.

Diversos voluntários de todo o mundo trabalham para espalhar esse novo posicionamento em relação às drogas, seja fornecendo informações a respeito do assunto, realizando testes das substâncias (sim, você pode testar suas coisinhas pra saber exatamente o que está consumindo, e antes ter informações seguras pra diminuir os riscos e danos ao seu corpo), ou auxiliando psicologicamente em situações que ocorrem as "bad trips".

Num momento como o nosso, em que o consumo recreativo é abundante, é imprescindível que pessoas saibam lidar com essa delicadíssima situação, que são as viagens psicodélicas ruins.

A coisa da Redução de Danos é tão grandiosa, que me apaixonei pelo tema de tal forma e atualmente ele é meu projeto de mestrado aqui no Brasil.

14264147_1261207390598713_24384835368434161_n Uma das oficinas realizadas durante o Boom festival 2016.

Não tem preço viver toda essa experiência. Mas de fato precisamos desembolsar uma grana. Os ingressos foram vendidos no mundo todo, em 154 países pra ser mais exato. O valor do ingresso variou de 120 a 180 euros, dependendo do seu país de origem. Países com situações econômicas diferentes pagam de acordo com tal, mesmo que a diferença não seja tanta. Toda edição um país é convidado. Em 2016, 500 japoneses que comprovaram residência no japão tiveram seus convites gratuitos.

Para nós brasileiros, houve 2 opções: comprar pelo site normal pagando o valor europeu (que em poucos dias esgotou), ou aguardar os embaixadores brasileiros (que foram 2 e receberam pouquíssimos ingressos, esgotados praticamente horas depois do anúncio). Tem que ser ágil pra comprar, os ingressos são nominais e você pode até desistir, mas não pode repassar, existe uma fila oficial de espera e ela é rigorosamente seguida. Ao contrário do nosso querido país, que se duvidar nem as leis de Newton andam funcionando, lá a coisa realmente é séria.

O sistema de transporte feito pra chegar ao festival é surreal de tão maravilhoso! Acostumados com os perrengues por aqui, fica difícil acreditar que é possível sim fazer algo tão organizado com tanta gente diferente! Existem ônibus que saem dos aeroportos de Lisboa e Madrid, que te deixam DENTRO DO CAMPING!

Existem os dias certos de embarque e desembarque. Há 1 ano atrás eu chegava no aeroporto de Lisboa e já via freaks do mundo todo balançando seus dreads e se localizando na fila gigantesca, quem está de fora não entende nada que está acontecendo. Voluntários organizam a fila, as galeras se encontram e rapidamente embarcam numa viagem de 4 horas até parar diretamente no camping, sem revista, sem filas. Você pode levar o que quiser, inclusive suas bebidas. Eu, louco da catuaba, levei 8 garrafas aqui do Brasil, e foi sucesso absoluto!

20668493_10155217221470379_425529746_n Jornal entregue junto com a pulseira e fanzine

Em uma cidade, os ônibus param numa praça, é colocado a pulseira e entregue um jornal explicando todo o conceito do evento, regras para sobrevivência, e demais informações necessárias. Uma regra que chama atenção é que pede-se não levantar bandeiras de países pelo festival, para que não exista qualquer tipo de diferença entre os Boomers.

O máximo que fazemos é levar uma canga com nossa bandeira, até porque só assim pra reconhecer os conterrâneos, mas bandeiras levantadas no camping ou na pista não são consideradas nada legais.

A água é gratuita, disponibilizada em centenas de torneiras, e vem fresquinha! Ter água potável em abundância diminui consideravelmente o perrengue do calor, que é bem intenso, pois o lugar tem o clima super seco. Nos 2 primeiros dias é até tenso a poeira que não para de subir nunca. Levar lenço, soro nasal e pelo menos um cantil pra carregar água é o básico.

Mas a noite é bem fresca, faz frio até e dá pra dormir beeeem de boa, tanto pra quem curte dormir a noite, coberto e agasalhado, quanto pra quem curte a noite e quer dormir até mais tarde, pois os campings são na floresta, com muita sombra!

Mas como começar esse texto classificando o Boom como um festival de PsyTrance sem até agora ter se quer citado música? Pois é, o PsyTrance é o estilo musical predominante e sim fator primordial dessa reunião mundial, mas o festival vai muito além disso, então não tem como chegar na música sem antes contextualizar tudo o que ele representa em todos os aspectos.

Ir ao Boom foi um sonho concluído com sucesso que venho tentando realizar desde 2008. Não é um festival convencional, nos 2 primeiros dias nem tem som! Como assim um festival sem som? Isso mesmo! Mas são esses detalhes que fazem do Boom um festival diferente de todos os outros do planeta. Você vive a experiência do Boom como um todo, apreciando cada momento naquele lugar mágico, desde a recepção até a saída (chorando por ter que ir embora). A experiência vivida naquele lugar é levada pra toda a vida! que venha 2018!!! Ivone Esther de Lima, Empresária - Boomer São Paulo

IMG-20160815-WA0005 Ivone literalmente rodeada de amigos no Boom!

Viver a experiência do boom é cultivar dentro do coração a esperança de um mundo diferente, por encontrar pessoas que realmente estão ali para se unir, celebrar a vida, diversidade cultural e artística de uma forma nunca vista em qualquer outro lugar. Mais de 150 nacionalidades da tribo psicodélica reunidos só pode dar numa mistura de seres humanos únicos e diferentões, que te ensinam como a vida pode se expressar de formas infinitas assim como a música, ponto principal que conecta todos ali. Na 1• edição que fui (2014) foi um choque cultural e de paradigmas muito grande sobre como pode ser, e sobre como é o mundo naquele festival, um lugar de pessoas felizes, que pensam no coletivo e na evolução do todo. Um festival que pensa em cada detalhe e traz uma mensagem oculta em cada lugar ao redor do lago de Idanha-a-nova, e que vai muito além do psytrance! Poder viver essa experiência novamente em 2016 sem dúvidas foi muito gratificante, porque após dois anos você já evoluiu e enxerga tudo sob uma nova perspectiva, mais preparado e consciente! É um festival que pra nós brasileiros é muito fácil ir, porque não tem aquela desculpa de não falar inglês, fica em Portugal cheio de pessoas falando português. Uma vivência que quem ama psytrance e deseja ter uma experiência sonora marcante não pode deixar de ir.Camila Soares, DJ - Boomer João Pessoa

86a583f3-7ae6-4a24-96b7-8a5eae089989 Boom 2014

dfa63810-e7bb-41b0-be90-eb93180c735f Boom 2016

O line-up do Boom é sempre uma seleção especial e impecável.

O Dance Temple é o maior palco, onde se apresentam os principais artistas de PsyTrance do mundo. A primeira apresentação é sempre Às 22h com uma banda de música orgânica, e na sequencia o arrebento do trance funciona até as 18h do dia seguinte. Das 18h às 22h existe um break nos principais palcos, quando o som é desligado e todos precisam sair da tenda para que a equipe de limpeza esvaziem as lixeiras, e também pra que as pessoas possam realizar outras atividades fora da "pista".

A princípio essa ideia parece estranha, mas a realidade é que fundamentalmente parar o som é algo que torna a experiência mais especial ainda. Quando dá 18h é comum as pessoas irem tomar banho, comer, e aproveitar pra conversar, conhecer gente nova, relaxar, e principalmente ver o pôr-do-sol, que nessa época do ano acontece entre 21h e 21h30. Com o silêncio das pistas dá pra ouvir os gritos, uivos e aplausos dos Boomers.

O Dance Temple começa funcionar no final do segundo dia de festival, então durante o primeiro dia é comum uma onda sonora passar pela gente, do nada começam uivos e gritos vindo dos campings na floresta, e isso vai sendo atravessado pelo espaço como uma ola, e quando você menos percebe já está uivando ou gritando também, essa energia contagiante é uma das coisas que arrepia só de lembrar! Existe um discurso antes de ligarem o som, e o start do Dance Temple é um evento, como a maioria dos boomers já está no festival, todos se reúnem pra esse momento fantástico!

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Já no palco Alchemy Circle, rola uma sonoridade mais expansiva, incluindo além de trance, alguns sets de techno. E lá as pessoas não têm preconceitos, o techno também é super bem vindo!

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O Chill Out dispensa apresentações sempre né? aquele espaço pra dar aquela relaxada, recarregar as energias curtindo aquele som mais tranquilo, no Boom ele é levado a sério. Todo em carpete, é necessário tirar os calçados pra poder ficar por lá. Em 2016 a estrutura estava a coisa mais linda, e vi apresentações lá que nunca imaginei que teria oportunidade!

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Durante o horário do break, mais precisamente às 19h começavam as apresentações no palco Sacred Fire, que é onde acontecem apresentações de outros estilos musicais, como batuques africanos, fado, e diversas outras misturas e estilos regionais de diversos lugares do mundo.

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Além disso tudo, pra quem não tem preguiça de caminhar MUITO, ou pra quem vai de bike(uma ótima opção pois as tendas são bem distantes), existe numa ponta do festival o Funky Beach, um lugar incrível que mais parece uma praia de Ibiza, com um bar que vende drinks mais elaborados, e rola de tudo musicalmente. A dica é que pelo menos um dia durante o break vá conhecer, pois apesar de ser bem longe é muito interessante.

Quando estive lá tocou de Bob Marley a Amy Winehouse. Dá pra ver toda a margem do lado onde acontece o festival e ter uma noção da dimensão de tudo aquilo ali. Os muitos topless e corpos nus fazem parte não só do Funky Beach mas do festival como um todo, que incentiva o nudismo.

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É super comum também de repente um grupo de pessoas cantando, dançando, performando, caminhão com som circulando pelo festival durante a noite e um grupo de pessoas seguindo, alguém tocando de repente na beira do lago. Diversas apresentações ou performances acontecem o tempo todo por todos os lugares. O Boom é um festival que respira música e arte, até uma banda feita de robôs teve na praça de alimentação.

Claro que tudo isso atrai além de amantes da música muitos músicos principalmente DJs, e tive a chance de conhecer por lá o Goastral, que deixou um recado por aqui:

Olá a todos, estou muito feliz pela oportunidade de compartilhar com vocês as minhas 3 incríveis experiências vividas no Boom Festival. Sou DJ aqui no Brasil e sempre tive um sonho de conhecer e viver toda a magia do maior festival de psytrance do mundo e depois de muito trabalho e planejamento financeiro eu consegui realizar esse sonho em 2012. E realmente essa experiência mudou totalmente a minha visão do que vem a ser a cultura trance mundial. Primeiro, porque pude me deparar com uma organização que prioriza sua comodidade e segurança durante os 8 dias de festival, depois porque notei que a galera que vai ao Boom sabe muito bem o real espírito do festival e isso contribui e muito para a harmonia plena, fazendo com que pessoas de 154 países se sintam em casa entre irmãos, unidos em prol de apreciar a boa música tocada pelos melhores artistas da cena. Já no quesito decoração a estrutura é um show a parte. Simplesmente uma cenografia ímpar e gigante, coo se o festival fosse uma galeria de arte psicodélica. Você é impactado por arte por todos os lugares onde você anda e isso te coloca numa atmosfera mágica. sem falar no esplêndido por-do-sol, na bela lua cheia todas as noites e naquele lago refrescante a sua disposição. Diante desta inesquecível experiência eu não consegui perder mais nenhuma edição e acabei voltando em 2014 e 2016. Tive a honra de tocar no Utopia Boom Landing, que é o after oficial do Boom e pude perceber ainda mais a seriedade com a qual a organização trabalha para realizar um festival com essa grandiosidade conseguindo atender a todos com muita qualidade. Em 2018 estaremos lá novamente para viver toda essa experiência mágica. Espero encontrá-los lá na caixa direitaPedro Oliveira (GOASTRAL), DJ - Boomer São Paulo

goastral-min Goastral em suas experiências no Boom

Não citei nenhum artista neste texto porque seria injusto com os demais que se apresentaram, e a lista é bem longa... Pra quem quiser saber direitinho o que e como foi que tudo aconteceu, segue link com toda a programação.

Estar no Boom é um momento tão mágico, te dá a oportunidade de conhecer muita gente, muitas histórias, e nós brasileiros somos um povo amistoso, gostamos de bagunça e de nos juntar. As redes sociais facilitam esse contato então bem antes do festival acontecer já existem grupos, discussões, e pessoas que já foram anteriormente dão dicas e trocam figurinhas.

Estar no Boom pra brasileiros é muito simples, a maior parte da equipe fala português, e sempre tem algum brasileiro pra te ajudar caso precise de um inglês mais avançado.

Durante os dias que antecedem o festival um monte de brasileiros já conectados pelas redes começam a se encontrar pelos bares de Lisboa e Madrid, então já se forma uma boa turma. No meu caso, até no vôo já conheci um casal que passariam por essa experiência junto comigo e que a história deles sobre festivais de trance é tão incrível que merece ser compartilhada também:

A minha história com a música eletrônica, começou sem a música eletrônica. rs rs Conheci meu marido Yuri há 7 anos e desde sempre soube da sua paixão pela música eletrônica, raves, amigos e rolês incríveis que já tinha curtido. Me considero uma pessoa muito eclética musicalmente, mas a música eletrônica tinha ficado num passado distante, tempos de da escola, matinês, e depois, com irmãos e primos roqueiros me juntei à amigos punk rock/hardcore e por muito tempo vivi intensamente shows e dias inteiros em festivais de rock. Nas sessões nostalgia com Yuri, conversávamos sobre os festivais, ele das raves e eu dos shows, como ele também gosta de rock e já foi em shows, eu tentava imaginar toda aquela energia que ele falava, mas não conseguia acreditar ou dimensionar, nunca tinha ido num festival de trance. Na verdade tinha até um certo pré conceito, porque minha concepção de rave era de um lugar com muita gente muito louca adicionado àquilo que comumente vemos nas mídias sociais. No trabalho fiz amizade com uma pessoa que, no convívio pessoal também falava das suas épocas de festas e da saudade que tinha daquela energia num tom tão empolgante ou mais ainda que o Yuri. Foi então que eu acredito que ele tenha aproveitado a 'deixa' e começaram a conversar de um tal de 'Universo Paralelo', um sonho na vida de tranceiros brasileiros. 7 dias de festival ouvindo SÓ eletrônico ? Não sabia se eu seria capaz de aguentar, mas levando em consideração a Bahia, praia, ano novo e um pedido de presente de aniversário do marido, topei essa loucura! juntamos uns amigos e embarquei nessa sem nem fazer ideia do que me esperava. A experiência foi incrível, a praia, decoração, o clima, e a música.. que não conhecia, não sabia quem eram os DJs.. eu sabia do que gostava mais, do que gostava menos... A energia e conexão no festival foram tão intensas, que cada vez mais vinha uma vontade imensa de poder viver aquilo sempre, uma energia de bem, sorrisos largos e abraços verdadeiros de pessoas que vc nunca tinha visto! era muita sintonia, um Universo Paralelo perfeito! era impossível não lembrar de tudo aquilo que eles me contavam das festas de antigamente. Tudo foi fazendo cada vez mais sentido, até que surgiu a ideia do Boom e eu não tive dúvida! semana de 16 de agosto, meu aniversário! Comemoramos o aniversário do Yuri no meu primeiro festival e eu me empolgando pro primeiro rolê na Europa, no meu aniversário, num festival maior ainda que aquilo que eu estava vivendo...os meses foram passando, e o Boom? ahhh o Boom.. (suspiros) é inexplicável a grandiosidade e intensidade de tudo aquilo! Em tempos, mais festas. Pequenas, médias e grandes, mais experiências, mais amigos, lugares diferentes, e hoje o trance faz muito mais sentido pra mim. Já tenho minhas preferências, já consigo diferenciar algumas vertentes, já coloco pra ouvir vindo trabalhar e no trabalho. Hoje, festivais já fazem parte da minha vida, com certeza desejo voltar ao Boom em 2018, e não só a ele, tenho certeza que fui picada pelo mosquito do trance, afinal o que levamos dessa vida senão as experiências e relacionamentos que cultivamos? Hoje, me considero uma pessoa melhor para o Universo ou pelo menos mais aberta! abri minha cabeça e procuro expandir minha consciência, tento não pré conceituar nada e ninguém (exercícios diários para o Ego) expandir meus relacionamentos, expandir, aprender, trocar, agradecer... tudo isso que se cultiva e muito nos festivais. P.L.U.R.Bianca Degaspari Fernandes de Espirito, Executiva - Boomer São Paulo

c5353441-22bb-4aef-a9af-1129c56cb6dc Bia e Yuri

A conexão entre pessoas no Boom é ímpar! Além de conhecer pessoas incríveis, como uma brasileira parcialmente surda, que sente as vibrações do som e há muitos anos vive a cena psytrance, tive uma surpresa quando me reuni no grupo de brasileiros que iriam ao Boom. Um português que adora os brazucas, e que já nos encontrou na fila do Boombus no aero de Lisboa.

O que é pra mim o boom festival? é muito mais que um festival ou uma festa onde as pessoas só vão pra curtir, aliás isso pode ser uma parte do festival mas para mim é um lavar de alma que não encontro em mais lado nenhum. Incrível como desde o momento em que se chega no festival ou mesmo até no aeroporto para pegar o busão, todos os problemas que afetam e as preocupações normais da vida simplesmente desaparecem e são substituídos por um sentimento de liberdade espiritual, aceitação e igualdade social que não tem igual. Único lugar que nunca ninguém me olhou estranho. E quem não lembra da galera toda no camping uivando todos em sintonia? Tem energia melhor que essa? no boom festival sinto que posso ser eu mesmo e das 3 vezes que já fui (2012, 2014 e 2016) sempre voltei a me sentir mais feliz de quando fui! A parte da diversão no dance temple e nas outras pistas tem um grande papel na experiência. A caixa direita do dance temple dominado pela galera BR já me deu muitos amigos os quais eu admiro muito e por qual razão? O brasil sim é um país com bastantes dificuldades sociais e políticas mas também é um povo muito alegre que não deixa essas dificuldades afetar as suas personalidades, e com uma muito boa energia que se transmite no dance temple deixa todo mundo alegre até noix os portugueses.Pedro Fernandes de Almeida - Português abrasileirado pelo Boom

14068083_10154502262729433_461477079815365045_n Portuga Pedro fumando junto de seu amigo brasileiro Kromah, DJ integrante do projeto WindFire.

14095760_10157305996355526_4337396366125340858_n O portuga reunido com os brasileiros na caixa direita lugar em que brasileiros tradicionalmente se encontram nos festivais lá fora.

O Boom conseguiu no final de 2016 comprar o terreno onde é feito o festival. Com doações do mundo todo foi possível adquirir os 150 hectares de terra numa transação de mais de 1 milhão de euros. A organização pretende transformar a região de Idanha-a-Nova num destino conhecido mundialmente.

A organização agora fará além do Boom, eventos de arte, retiros e atividades com foco na sustentabilidade além de programas de longo prazo como reflorestamento, preservação de espécies animais e desenvolvimento de bioconstrução recorrendo a práticas de permacultura e agricultura biológica.

aa73e136-86ac-4d5c-9c62-5a48db513bf0 Mapa do local onde é realizado o Boom Festival.

Se você deseja ir ao Boom Festival saiba que é possível, com planejamento e abrindo mão de algumas coisas dá certo.

Primeiramente, é preciso ter passaporte. Caso você não tenha, pelo menos com uns 6 meses de antecedência é bom tirar o seu, até porque sempre temos problemas com emissão de passaporte por aqui, o valor dele é de +- R$260,00. Acompanhe os grupos no facebook de brasileiros no Boom, pra saber quando comprar seu ingresso.

Para a próximo edição provavelmente lá parra outubro ou novembro eles já estarão disponíveis e também serão poucos, o evento não tem a intenção de crescer de tamanho. O valor do ingresso com a excursão que te leva e busca diretamente no aeroporto de lisboa ou madrid vai sair em média 200€, que está na faixa de 4 reais, ou seja uns 800 reais.

Garantindo seu ingresso, é hora de acompanhar diariamente os sites de venda de passagens aéreas. Uma promoção sempre acontece nos momentos de desespero hehehe. Além disso, é possível comprar a passagem pagando em até 10x no boleto. Sim, eu paguei minha passagem dessa forma pela Latam.

Nem preciso dizer o quão hostel são baratos né? E se você não fala inglês, Portugal é uma ótima pedida também pra você não ter problemas com a língua.

Para o festival, que são 8 dias, também não é necessário levar uma quantia exorbitante de dinheiro. Tudo vai depender do seu consumo na realidade. Lá as comidas e bebidas são baratas, além de água ser free. Eu comi bem todos os dias, bebo bastante, até comprei uma camiseta, uma cartucheira e umas lembrancinhas e gastei um total de 390€. Como paguei 4 reais no euro, saiu por menos de 1600 reais.

No fim das contas, com menos de 6 mil reais é possível viver toda essa magia incrível que é o Boom Festival. Caso você tenha um pouco mais de dinheiro e esteja de férias, indico aproveitar pra conhecer outras cidades européias como Amsterdã e Berlin. No fim das contas, não há dinheiro que pague essa fantástica e inesquecível experiência!

14102380_10154171700785379_3137467863047672236_n Canga estendida para o registro dos brazucas!

19025274_10155023125880379_642230585920443530_o Brazilians Boomers tumultuando no Boom!

20280538_10155170050865379_6921432759817475112_o Lançamento do tema do Boom 2018 "geometria sagrada".

VAMOS?

Samuel Carvalho く(._.) ゝ

Autor // Paulista, 29 anos, publicitário, maluco por trance, amante de um bom techno, minimal e eletro, muito jovem, falador, adora descobrir tudo de novidade musical e falar sobre, fumante de cigarro de menta sim, odeia falar no telefone, bebe com muito gosto uma cerveja bem gelada sempre que pode, curte tomar guaraná no festival e é o louco do mentos.

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