Tuín: Bruno Furlan fala sobre seu primeiro álbum, influências, novo selo e shows em vinil

Com apenas 22 anos, Bruno Furlan já não é mais só o prodígio de estúdio que obteve a simpatia do mundo g-house. Depois de marcos homéricos em sua recente carreira de produtor — incluindo o reconhecimento de lendas como Green Velvet — o monstrinho cresceu e se consolidou por diversos selos nos últimos dois anos e, como um artista de mão cheia, se mostra disposto a criar pontes cada vez mais sólidas com a velha escola da música eletrônica, como notamos em texturas de seu primeiro álbum Horn, com lançamento para 30 de junho.

Conversamos agora com ele para saber mais sobre seu disco, o novo selo Whistle, e toda essa pira de old school na sua vida. A nova fase do tuín que flerta abertamente com raízes e a responsa de ter crescido no underground rumo a palcos maiores. A entrevista foi concedida em São Paulo e as melhores partes você confere com exclusividade abaixo. Se liga no berro.



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STEREO MINDS - Você tem apenas 20 e poucos anos e já se consolidou nacionalmente lançando por diversos selos. Atualmente, você incorpora elementos da velha escola, fruto de uma consciência clubber que veio de casa. Quais foram as principais motivações por trás de “Horn”? O que você estava fazendo quando decidiu colocar essa ideia em prática?

BRUNO FURLAN - Na verdade eu já planejo esse álbum há bem mais de um ano e ele ia sair pelo meu antigo selo Crocodile Records, mas acabou não rolando por vários motivos. Fui guardando as tracks que produzia e não cabiam em outros selos. Muitas delas não entrariam na Dirtybird, são bem mescladas; tem uma que é mais techno e outras mais melódicas, tem até um drum’n’bass. Sempre foi um sonho fazer um álbum assim, então fui guardando com carinho e agora rolou essa oportunidade.


SM - Ouvindo as 11 faixas do disco, é possível notar uma atmosfera diferente em sua produção habitual e uma textura mais oldschool, em meio a já aclamada identidade “tuín” dos últimos dois anos. Você concorda que existe uma ruptura?

BF - Existe sim, tá mudando bastante. Acho que já passou do nível de ser tuín que a galera tanto fala, mas não perdeu a essência groove e dirty groove. Eu estou gostando bastante da minha nova fase, eu estou produzindo bem menos do que antes mas acho que a qualidade melhorou muito. To buscando novas referências, fontes e inspirações constantemente. Tem dado bastante certo na pista, já deu pra sentir que o público tem gostado.





SM - Quais foram as maiores influências por trás dessa evolução?

BF - O que eu sinto que estou passando é uma evolução gigantesca. Eu sempre quis isso pro meu trabalho. Depois de anos arriscando e experimentando, hoje eu consigo fazer um som exatamente como eu quero e os fãs curtem e incentivam. Novos talentos também me influenciam e não só os velhos. Uma nata ainda desconhecida que tá fazendo um som com qualidade muito grande. As influencias oldschool estão no sangue. Poderia passar o dia falando. Mas não posso deixar de citar raízes como DJ Marky, Murphy e Vonstroke.


SM - Grandes produtores de UK house como Marc Spence e Switch começaram no drum’n’bass e assim carregam o peso do grave em seu DNA até hoje. Na faixa “Slim 33”, você mostra o caminho inverso, é um houseiro fazendo d&b em 2017. Quem são seus ícones no estilo de batidas quebradas? O que vem desse balaio?

BF - Eu sempre tive um pé em outros gêneros e fazer drum’n’bass hoje é uma grande realização pra mim, até porque antes eu não conseguia por limitações de produção. São mestres como Marky, Patife, Spy, Calibre, Netsky e Marcus Intalex, que faleceu recentemente. Muitas das linhas de baixo retas e gordas que Intalex fazia foram influências pros basslines de house que você escuta no meu som desde sempre. Eles são sons sujos mas que não atrapalham a melodia. Com certeza, podem esperar por mais faixas de drum’n’bass.





SM - Pra você, pesquisar vinil contribuiu em ideias para o álbum?

BF - Acho que foi um passo de ter um pouco mais de liberdade pra arriscar mais em vários sentidos. Apesar dos sons serem agitados, dançantes e da atualidade, tem boas pitadas de coisas antigas que a gente não escuta mais hoje. Quem era daquela época vai lembrar do ritmo, da melodia ou do efeito. Ou da sensação de já ter escutado antes. Aquela música que você sempre ouviu falar que parece de mil novecentos e oitenta mas não sabe de onde veio. Essa é a ideia da Whistle também.


SM - Conta mais sobre a gravadora... Vai lançar vinil?

BF - Então, a label surge agora com o lançamento de “Horn” no dia 30 e eu tenho dois carros-chefes me ajudando, que é o Fernando Santana, que tá em parceria comigo, e a social manager, a Jessica, que tá mantendo a Whistle quente nas plataformas. A ideia por trás de tudo é ser um selo de som clássico e antigo, mas com um design novo e gangsta. Artes e temas minimalistas, simples, objetivos e que as pessoas entendam a nossa proposta de primeira. Queremos criar uma marca forte. Tenho ideias de fazer coisas impressas, mas vinil ainda é um pouco difícil no Brasil. A pirataria prejudica muito isso, mas penso sim em mais pra frente fazer coisas inusitadas como quadros, fitas cassetes e colecionáveis para apreciadores de música.



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SM - Quando você começou, você já imaginava atingir um público mais velho pro seu som?

BF - Na verdade, tem sido uma surpresa pra mim. Se bem que o veterano da cena que curte flash house será uma consequência natural. Mas a galera nova também está pesquisando muito, recebo várias mensagens de ouvidos curiosos. Lembro de tocar Technotronic em uma festa grande e o original soou como se fosse novo na pista, ferveu. A galera mais nova tá interessada e aberta, percebo que vai à festa disposta a conhecer mais de música e não só de divertir.


SM - O set em vinil vai ser um formato oficial do Bruno Furlan?

BF - Sempre gostei e tive uma forte ligação com discos e fitas cassete em casa. Vem de bem pequeno, com a educação que meu pai me deu. Eu gosto e sei tocar com vinil, mas acredito que vão ser apresentações especiais. Vou deixar para ocasiões exclusivas mesmo. Meu set continua sendo no padrão de 4 CDJs e o rmx da Pioneer. E posso adiantar que pra agosto eu já comece a fazer um live usando outros aparelhos e brinquedos que estou comprando. Uma coisa pra poder mexer mais com o som ao vivo e envolver os fãs em uma energia ainda maior.





SM - E pra fechar, quais são os próximos lançamentos que vêm no embalo de “Horn”?

BF - Posso contar com exclusividade pra vocês que estou trabalhando em um remix oficial para o Raul Seixas que fiquei muito feliz com o convite. Além disso, vai sair um EP pela gravadora Animal Language e tem mais coisas pela Relief. To planejando um EP bem especial de aniversário pra Dirtybird em janeiro. Vou buscar concretizar sonhos de lançar por selos como Defected, Toolroom e Strictly Rhythm, entre outros e muitas novidades estão por vir. To pegando Noel e outras coisas dos anos 1980 e 1990 pra remixar e testar na pista também. Vai dar trabalho para oficializar mas irei atrás com todo meu empenho. Vocês vão amar.



Felicio Marmo ɾ⚈▿⚈ɹ

Colaborador // Habitué da cena underground paulistana, 30 anos, apaixonado por arte e inovação. Tudão em prol do rolê desde os 17, se divide entre DJ, publicitário, promoter, professor de marketing e jornalista especializado em música eletrônica com mais de uma década de publicações em revistas, sites e campanhas.

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