Como ser DJ pode afetar a sua saúde?

A profissão DJ, de certo ângulo, parece ser glamourosa. Viver na noite e com música, viajar pra várias cidades pra tocar em clubs e festivais diferentes, ganhar uma grana boa pra isso e ter fãs declarados nas redes sociais são consequências que fazem parte do lifestyle.

Mas ser DJ não é muito fácil. Especialmente nos dias atuais, o DJ não é mais aquele cara que vai lá e apenas toca o seu set e vai embora. Atualmente, o DJ pode ser DJ, produtor, designer, promoter, relações públicas, video-maker, especialista em mídias sociais, o rei da presença online e do relacionamento profissional. Muitos DJs conduzem mais de um projeto relacionado a música eletrônica, seja um selo, uma festa mensal ou outro alias como DJ. Isso tudo tendo que dividir com o tempo pra produzir.

É uma cartilha de responsabilidades pra seguir, cada uma com suas exigências e demandas específicas. Um lifestyle tão conturbado não parece muito saudável. Como ser DJ, em seus diversos níveis de sucesso, pode influenciar na saúde?


Horários loucos

Nem todos os DJs atingiram ainda um status profissional que os permita viver de discotecar. O começo da carreira de qualquer DJ que não tenha nascido em um berço de ouro envolve muita ralação: emprego durante o dia, produção e atualização de repertório à noite, gigs no fim de semana, além do cursinho de inglês que se tornou indispensável. É de fato um segundo job, e a sobrecarga pode causar stress.

Privação do sono

As pessoas adultas precisam de 7 a 9 horas de sono todos os dias pra conseguir levar uma rotina tranquila. Um DJ que dorme tarde, acorda cedo, mal dorme nos fins de semana — basicamente sobrevive de cochilos — pode ter alterações no humor, na concentração e na memória, além do stress que é mais que esperado.

Também não funciona compensar o sono noturno com os cochilos diurnos. Primeiro porque cochilos não ajudam o cérebro a formar memórias, segundo porque trocar o dia pela noite atrapalha uma série de “manutenções naturais” do organismo que dependem de períodos regulares de claro-escuro, como a produção da melatonina, neuro-hormônio que cuida do seu ritmo biológico. Se a privação do sono virar rotina e você “forçar” a insônia, o cérebro diminuirá a produção de neurônios.

A notícia boa é que você pode usar a música a seu favor: enquanto que rolar na cama pra dormir aumenta a ansiedade e impede que o sono chegue, ouvir músicas relaxantes o trará de volta rapidinho. Esta é a hora que você bota em prática o meme do deep house que tanto compartilha no Facebook.

Cara de 25, corpo de 50

O ministério da saúde adverte que viver de fast food vai acabar dando merda. O coração agradece por uma dieta saudável e exercícios regulares, nem que seja correr na praia entre uma gig ou outra. Nossos top DJs nacionais parecem tirar isso de letra.

O lado feio de uma turnê

Por incrível que pareça, os quartos de hotel podem se tornar prisões para os grandes DJs que fazem turnês sempre. Foi o caso do Laidback Luke, que chegou em 2010 ao marco de 150 gigs no mesmo ano. Ele estava exausto e quase surtou. Muitos DJs acabam cancelando gigs por sobrecarga — alô, Avicii.

O que acontece também é que o cara nunca se adapta de verdade aos vários ambientes. Você vai passando de cidade em cidade, de club em club, muitas vezes de um fuso-horário a outro, e de um clima a outro completamente diferente. Então, se torna um milagre ter equilíbrio emocional (pois terá saudades de casa, um lugar conhecido, e de uma rotina tranquila) e físico (a pressão arterial não aprova tantas viagens assim).

As blue mondays e as ressacas

Muitos DJs — muitos mesmo — usam drogas com frequência pra trabalhar ou pra relaxar pós-gig. Ainda que o problema não seja sempre um vício — o abuso das substâncias pode refletir problemas mais profundos, sejam pessoais ou relacionados a trabalho, como a própria pressão ou sobrecarga da profissão — as consequências do uso constante de drogas podem ser paranoia, depressão, ansiedade e problemas na memória.

A corcunda

Seja treinando em casa no seu próprio equipamento ou tocando nas festas, ser DJ envolve ficar muitas horas em pé focado no equipamento que está na mesa. Problemas nas costas podem aparecer. Que bom que exercícios simples diários de alongamento e pausas pra descanso ajudam nisso.

Tinnitus

Sabe quando você sai de uma festa ouvindo aquele “zunido” agudo? É a tinnitus, que não tem cura e a única coisa que pode ser feita sobre ela é preveni-la, protegendo os ouvidos com earplugs. Se até o Excision usa, você também poderia. Zedd e Steve Angello já foram vítimas de perda temporária de audição.

Só que a tinnitus pode ser um problema permanente para os DJs, que ouvem música alta com muita frequência. Após anos de exposição a decibéis mais altos do que Deus planejou, alguns DJs começam a sofrer problemas de concentração a ponto de não conseguirem dormir direito por causa do barulho. O impacto no seu trabalho pode se tornar real.

Saúde mental

É um problema comum que o DJ se torne obcecado em manter sua relevância em meio a tanta concorrência, sofrendo pressão pra estar sempre preparando novidades pro público e pros contratantes. Este e mais fatores mencionados nesse texto podem contribuir para um estado mental prejudicado.

Seja pela saudade de casa, pelos horários que mudam sempre, descuidos com o corpo, abuso de substâncias ou privação do sono, a profissão DJ pode perder o glamour facilmente e colocar o profissional em uma série de comportamentos improdutivos e auto-destrutivos.

Rodrigo Airaf ¯\_(ツ)_/¯

Co-founder/Editor-chefe // Brasiliense de 23 anos. Nômade. Festivalouco. Festeiro. Fã máximo do Stephan Bodzin, do Above & Beyond, do Porter Robinson; daquele techno mais macumbeiro, daquele trance mais viajante, daquele house mais groovado, daquelas farofas bem enérgicas, daquelas músicas que tocam a alma e de tudo que for bom e diferente. Trocou de sobrenome. Ama os amigos. Fala alto. Bebe pra caralho. Gosta de experiências. Grato pela vida.

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