Vamos brincar no escuro! Conheça as vertentes noturnas do trance psicodélico



The night is dark and full of terrors.

Muito se fala sobre a música eletrônica, mas poucas vezes as vertentes noturnas são citadas, então vamos conhecer um pouco mais sobre elas. Hoje caminharemos pelas estradas da noite. Abre tua mente e prepara teu psicológico, pois é preciso ser forte para o que vem por aí.

Sabe quando aquele outsider da música eletrônica diz que quem gosta desse tipo de música é louco? Pois bem, assim são vistos os fãs das vertentes noturnas pelos que curtem música eletrônica. Isso se deve pelas características do som, que geralmente possui efeitos curtos e rápidos, batidas que variam de 140 a mais de 200 bpm, efeitos sintetizados comuns em filmes de terror somados a amostras de sons como: gritos, risadas, sons de animais, frases macabras, rezas, etc. Atualmente, podemos definir o full on night e o dark como os principais representantes da noite.

Uma das vertentes mais queridas e mais bem associadas à cena rave no mundo, o full on, há alguns anos preenchia cerca de 90% de um line-up de qualquer festa. Contudo, sua sub-vertente noturna não possui tamanha popularidade no mundo da e-music ‘underground'. O full on night se destaca pela mistura de elementos do dark psytrance e eleva o nível da psicodelia a padrões que assustam ouvidos não-acostumados logo no primeiro contato com o ritmo mais acelerado e com poucas melodias, mas que mantém uma onda dançante da mesma forma que seu originador. O full on night geralmente é aderido a festivais e festas que buscam um público mais direcionado, pois mesmo na cena underground, o público atualmente prefere o psytrance progressivo ou ‘Prog’, como atualmente é chamado.

Já conhecido por ser uma vertente quase que exclusivamente noturna, o dark psy pode se apresentar em algumas formas, podendo ser dançante ou não (nos casos dos sons mais pesados ou muito acelerados). Ideologicamente, demonstra o excesso de informação da atualidade em forma de música, colocando subliminarmente na música o lado caótico e sombrio do século 21, em que a sociedade apresenta um comportamento repetitivo, consumista, rotineiro e alienado. Atualmente, muitos projetos têm se caracterizado por ter BPM acima de 150. Essa tendência apresenta uma grande propagação de sons em pequenos intervalos de tempo, como também o uso de efeitos como o de repetição ou reversão.



No final dos anos 70, comecei a ouvir música eletrônica e encontrei aí a combinação perfeita entre ritmos tribais do passado e sons futuristas, sintetizados, quase alienígenas. A música tornou-se um ciclo completo, do tribalismo ao cibertribalismo o que traduz de forma perfeita os tempos atuais.Goa Gil

O dark psychedelic trance é visto por alguns como uma vertente marginalizada e pouco difundida por ter um menor número de adeptos em relação às demais vertentes do gênero psicodélico. Só que todas as formas de música são sagradas e o dark é capaz de induzir o ouvinte a um estado alterado que "desautomatiza" a consciência corrente. Nesses estados induzidos pelo dark, a mente consegue, mais facilmente, romper e desorientar o fluxo normal de pensamentos, causando confusão ao iniciante, mas calmaria ao praticante reiterado.

O trance psicodélico noturno se divide em três sub-vertentes:

Twisted: som groovado que apresenta efeitos rápidos e sons tecnológicos. Apesar de apresentar efeitos secos e rígidos, é o estilo mais calmo no dark. Envolve maior uso de técnicas, é mais trabalhado na estrutura de kick e bass e apresenta mais paragens. 

Forest: você falou em psicodelia? O Forest é um som altamente psicodélico, com basslines carregadas e sintetizadores e samples bem 'úmidos' que lembram ou formulam barulhos de animais e fenômenos da natureza. O Forest também é composto por melodias quase que ininteligíveis, de raízes psicodélicas. Mas muitos consideram o Forest como uma vertente e não uma sub-vertente do dark, já que o ritmo é carregado de pura psicodelia e nem sempre possui semblantes noturnos ou macabros. O fato do som ser altamente psicodélico e correlacionado a momentos de autoconhecimento fez com que fosse relacionado ao dark.

Weird: diferente das outras sub-vertentes do dark, que geralmente ficam abaixo dos 170 BPM, o Weird é a variação mais sombria, barulhenta, acelerada e bizarra do dark trance. As tracks geralmente são carregadas de chimbais contínuos e samples aterrorizantes que podem proporcionar um som massacrante para quem não aprecia o gênero.

Espero que a caminhada pela noite tenha agradado e que a curiosidade pelo desconhecido e assombroso te acompanhe, pois a mente daquele que aprecia esse som na sua essência converte-se em um pote vazio no qual podem acomodar-se objetos de percepção e elementos inconscientes e intuitivos da experiência que, em geral, estão reprimidos, amontoados ou bloqueados por nosso caótico e incessante fluxo de pensamentos desorganizados. Se conheça, transcenda, transmita e assuste-se.

Vinícius Arcelino ♬♫♪◖(●。●)◗♪♫♬

Autor // Recifense, 24 anos. Eclético musicalmente. Adaptável quando estou com amigos. Amante das raves e do mundo psicodélico. Cerveja gelada, amigos, sorrisos e boa música pagam minha vida.

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