[REVIEW] O novo álbum do deadmau5 é bom e revela muita coisa

Já se passaram dois anos desde o último álbum de estúdio do deadmau5, while (1<2). Nesse período, entre polêmicas no Twitter e fases de experimentação, Joel finalmente voltou a fazer música nesse ano: Saved, Desynchronized e Snowcone foram lançadas. Esta última acabou se juntando a outras 11 faixas no oitavo álbum do artista, chamado W:/2016Album, que foi à público na última sexta-feira (02).

Pelo fato de já termos escutado a maior parte das tracks por aí, seja em live shows ou ripagens no YouTube, W:/2016Album não soa como 100% novidade. E antes mesmo do seu lançamento, o próprio Zimmerman já demonstrara, em seu Twitter, desânimo com o resultado final: "eu não gostei... foi tipo, tudo às pressas/amontoado", lamentando, ainda, que queria ter mais tempo pra finalizar esse trabalho e que só lançara por pressão (dos caras da sua gravadora, talvez) e por ter "contas para pagar" - o que faz sentido, após investir milhões no novo estúdio.

Esse feeling "poderia ter feito melhor" do Joel representa um perfeccionismo que está presente na genialidade da maioria dos grandes artistas. Desde Steve Angello, cuja a própria cobrança interna o fez refazer Wild Youth, quando percebeu que não tinha dado tudo de sí em termos criativos, à músicos clássicos como Mozart e Beethoven, esse caras estão tão acostumados à apresentar obras impecáveis, que talvez a sua percepção de qualidade vá muito além do que o público considera "aceitável".

Porém, embora para alguns pareça exagerada, a autocrítica de Joel soa pertinente. W:/2016Album falha em não ter a harmonia e consistência dos seus trabalhos anteriores. Olhando como um todo, percebe-se que o álbum parece inacabado, com vários "espaços vazios" entre as faixas, dificultando a experiência de ouvi-lo por inteiro. Ou seja, em resumo, W:/2016Album é uma "compilação de vários bagulhos que deadmau5 fez nos últimos dois anos", como define Rodrigo Airaf, em seu excelente review para a House Mag.

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Mas o melhor de tudo é que essa crítica ao formato acabou sendo só um detalhe, porque os "bagulhos" do deadmau5 são dos bons. Algumas faixas, como 4ware, Imaginary Friends, Let Go, No Problem e 2248, revelam o melhor do deadmau5 que conhecemos: house progressivo ambiente e viajante, regados a synths poderosos, reverbs ricos e electros oitentistas - executados à níveis de maestria já esperados.

Outras tracks expressam a vontade do Joel de fazer algo diferente. Snowcone e Welk Then (que o próprio Zimmerman alegou serem as suas preferidas do álbum) são trip-hops experimentais. Destaque para a última, que o The Guardian descreve como "uma estranha oferta experimental que oscila entre explosões de síncopes e um orgasmático som de pingo d'água que se ouve sutilmente ao fundo".

Alia-se a essas músicas, a pegada groovada e techno/minimal de Deus Ex Machina e Three Pound Chicken Wing para ter um álbum diversificado, o que é algo ótimo para os fãs, mas que talvez seja interpretada como a falta de foco que resultou na insatisfação do Joel. Para ele, que já manifestou vontade de acabar com o projeto deadmau5 e começar algo novo e fresco do zero, esse álbum pode significar uma transição de sonoridades.

W:/2016Album está longe de ser "o álbum perfeito" que deadmau5 tanto busca mas com certeza não é de se jogar fora. A boa notícia é que, em tweet recente, Joel já superou a frustração e agradeceu aos fãs pelos elogios.

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Agora é hora de seguir em frente. Ano que vem tem seu projeto de live show reformulado e uma turnê na América do Norte. Enquanto que do lado de cá, a gente ouve sua discografia inteira pensando em como pode ficar melhor do que já é. Mas isso, só a cabeça de Zimmerman tem a resposta.



Meus agradecimentos ao Efferson Oliveira pelo help nesse texto.
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