REVIEW: O Defqon.1 2017 foi INSANO!

Nos dias 24 e 25 de junho, aconteceu em Biddinghuizen a edição de 15 anos de aniversário da Defqon.1. Eu consegui participar dessa loucura e descreverei a estrutura e como foi participar disso tudo.

Para quem não sabe, a Defqon.1 Weekend Festival, que acontece próxima a Amsterdam, é o maior festival de Hardstyle do mundo, contando com o tradicional The Gathering, para quem está no camping e dois dias de festival, com 10 stages diários e uma afterparty entre os dias. Não existe dúvida nenhuma que este lugar é um paraíso para os amantes deste estilo de música eletrônica, e posso confirmar com t-o-d-a-s as letras.

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Bom, vou seguir este review em uma ordem cronológica, então começaremos pelo shuttle: comprei ele em conjunto com o ingresso, e apesar das informações sobre localização terem chego no meu e-mail somente uma semana antes do evento, ele foi preciso: as 14:00 estávamos embarcando em direção ao festival. Pegamos praticamente uma hora de trânsito para entrar na área, porém lá dentro foi extremamente ágil e nos deixaram em uma área do lado da entrada do festival.

Chegamos nas terras da Defqon.1 por volta das 16:00, e assim tínhamos tempo para nos acomodar na nossa barraca e nos organizar, já que o The Gathering começaria somente as 20:00.

Descemos do ônibus e sem nenhuma surpresa: uma fila razoavelmente grande para a revista na entrada do camping. Até lermos nossos ingressos: como comprei sendo estrangeiro, meu ingresso entrou como Q-travel, mesmo sem nenhum pacote (comprei somente a barraca e o ingresso do fim de semana) e estava indicando para entrarmos pela lateral, local onde a fila era quase que inexistente.

Pisquei o olho e estava do lado de dentro com a pulseira no braço. Legal, foi rápido, mas por um segundo me passou pela cabeça: eu viajei pela Europa e vi que as pessoas tem medo de terrorismo, e assim não seria muita inocência deixar todas as pessoas que vieram pelo Q-travel passarem SEM REVISTA?!

Sim, essa será uma das minhas poucas críticas ao festival, mas eu realmente me senti incomodado de não ter sido revistado e nem minhas malas, eu simplesmente entrei. Não aconteceu nada envolvendo isso durante todo o festival, ainda bem, mas creio que a segurança na entrada foi um pouco falha.

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Passada a entrada, a sensação de felicidade me preencheu: eu estava realmente dentro do camping da Defqon.1, um festival que eu só sonhava em visitar. Já recebi também o "Guide to Glory" que é um guia sobre todo o fim de semana.

Descobri que a minha barraca era no Campsite 1, bem longe da entrada, porém quando cheguei descobri que era extremamente bem localizada: eu estava do lado de uma entrada para o festival, e extremamente perto do Blue Stage com a barraca já montada, aquele kit básico de camping com 2 sacos de dormir, uma luminária e um colchão inflável, praticamente na frente de banheiros, chuveiros e torneiras (lembrem-se, aqui a água das torneiras é potável, o que me fez economizar muitos Euros).

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O preço dos tokens seguia o seguinte padrão: cada 10 Euros equivaliam a 3,5 tokens, o que facilitava você perder a conta (isso no começo, pois depois você se acostumava e sempre lembrava que cada token era aproximadamente 2,85 Euros) e eram facilmente comprados tanto em caixas, que raramente tinham filas, tanto em máquinas automáticas que aceitavam dinheiro e cartão.

Já que tínhamos tempo antes do The Gathering, demos uma volta por quase todos os campsites e vimos como ele era gigantesco. Com praças de alimentações completas: pizza, kebab, lanches naturais, hamburguers, massas, frutas, etc.

Achei os preços da alimentação um tanto quanto justos (lembrando que estamos dentro de um festival e que a moeda local é o Euro), que variavam entre 3 e 4 tokens. Além disso, no camping eram vendidos "kit-churrasco" que vinha com carnes e carvão, para você fazer seu próprio barbecue na frente de sua barraca, ou utilizar das grandes churrasqueiras montadas ao longo do camping.

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Tudo conhecido no camping, hora de ir para o The Gathering, que aqui é no próprio campo da Defqon.1, utilizando-se de três stages diferentes: o Blue, o Black e o Yellow. Já pudemos sentir um gostinho da Defqon.1 e dar uma fuçada nas partes que estavam abertas (infelizmente ou felizmente o RED foi uma surpresa para o sábado, pois as áreas que estavam abertas para o The Gathering impossibilitaram a vista para o palco).

Aqui sentimos um grande diferencial: todas as áreas em todos os stages que eram destinadas ao público, ou tinham o chão de madeira ou de cimento. Isso foi extremamente bom, já que tivemos chuva no fim de semana e também ter um chão regular é uma boa pedida!

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Quanto ao público, existe uma intensa dedicação quanto às marcas da Q-dance: todos vestiam ao menos uma peça de roupa que remetia a Defqon.1, Dominator, Qlimax, Qapital, Q-Base ou até eventos de hardstyle que não são da produtora como Reverze e Decibel.

Era perceptível também que o público não cansa de acompanhar: vimos muitos idosos no festival. Sim, idosos em um festival de hardstyle! E posso afirmar que eles eram tão agitados quanto os jovens!

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Vi a abertura do final do semana no Blue, e posso dizer que fiquei com os olhos marejados ao ouvir "Welcome, Weekend Warriors.". A parte mais legal é que uma vez dentro da tenda, você tinha certeza que estava escuro (vale lembrar que na Holanda só escurecia por volta das 23:00).

Passamos um tempo, vimos que a tenda era realmente gigante, a caracterização era muito legal e o som: qualidade e volumes absurdos, as placas que estavam presas nas caixas de som faziam juz ao que estava escrito: "Feel the bass...".

Mesmo com um tamanho gigantesco, o som era muito alto em qualquer ponto, já que existiam caixas localizadas em toda a extensão (e isso se repetia em todo stage na Defqon.1: qualidade e volume) e estruturas de led e de fogos de artifícios estavam presas ao teto e se mexiam durante toda a noite.

Ali eu me senti realmente na Defqon.1: Bass Modulators, Coone e Noisecontrollers nos deram um aperitivo pelo que ia ser aquele final de semana: mais pura insanidade!

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Durante esse meio tempo também fui ao Black e pude conferir um stage mais escuro ainda, gigantesco (tanto quanto o Blue) e com o som frenético que o domina!

Infelizmente o Yellow estava cheio e não tive paciência para ficar na fila e participar do Extreme Silence, que não tem som na pista, e na entrada você pega o fone bluetooth para curtir. Nessas indas e vindas, terminei no Blue e as 01:00 já era hora de dormir, mas por um bom motivo: sábado era o festival e ainda teríamos uma afterparty.

No sábado passei por outros palcos que não estavam abertos antes, como o White, Gold, UV, Magenta e pude descobrir as áreas comuns da Defqon.1 e suas peculiaridades.

Tínhamos acesso a atrações de parque de diversões, bungee-jump, o grande altar, onde você deposita o seu tênis usado e a Q-dance está projetando montar algo nos próximos anos utilizando esses velhos tênis, que curtiram tantas festas com você.

Mas talvez, a parte que mais me chamou atenção foram dois quiosques: o de Ear Protection já não foi um choque, pois se você assiste aftermovies ou gravações da Defqon.1, com certeza já viu pessoas com protetores auriculares. No quiosque é explicado sobre os altos volumes, e que mesmo com o protetor auricular, você tem uma sensação de "sentir" mais a música, por não estar tudo focado na audição (lembre-se: "feel the bass").

Mas o quiosque que ganhou a competição foi o quiosque de redução de danos. Sabemos que a Holanda trata a questão de drogas como um problema de saúde e não policial.

O que acontece é o seguinte: eles sabem que é impossível sustentar uma guerra contra as drogas, ainda mais em um festival gigantesco como aquele, mas porque não tentar minimizar danos, oferecendo informação e testes sobre a droga que você tem em mãos, provavelmente comprada de um desconhecido?

E é assim que funciona, você deixava uma fração do que queria testar e depois de um tempo voltava para pegar o resultado e saber se aquilo que você comprou era realmente aquilo que você espera, evitando testar em você e ter surpresas desagradáveis.

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Não falei sobre as bebidas: sobrevivi o festival inteiro bebendo cerveja. a Heineken era 1 token e a Desperados era 1,5. Achei o preço também razoável (lembre-se que eu não estou convertendo nada, se não só vou falar que é tudo caro), afinal 2,85 euros por uma cerveja era bem aceitável.

Comprei uma garrafinha da própria Defqon.1 (2 tokens) que prendia no cinto e era perfeita: toda vez que ia ao banheiro já enchia ela nas torneiras. Sucos e refrigerantes seguiam o mesmo padrão: 1 token, e 1,5 no caso do chá verde, por vir em uma embalagem maior.

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Sábado nem preciso dizer que foi o dia que eu praticamente estacionei no Red. Um palco gigante, alto, imponente, com um som impecável em qualquer local, e com características de uma esquadra: o palco era na verdade uma esquadra, com 5 "navios".

Bares com um atendimento muito rápido (não somente ali tanto no festivla inteiro): não existiam filas, por mais que tivessem muitas pessoas ali. Agora as apresentações... Simplesmente sensacionais.

Me instalei no palco por volta das 15:00, que já me possibilitou assistir Audiotricz que tocou clássicos como Ghettoblaster, Raise Your Hands e F#cking Wild. Começou a ameaça de chuva com a garoa, e você podia ir em qualquer bar e retirar uma capa de chuva gratuita, mas foi só ameaça, e às 16:00 começou a Power Hour.

Se você já viu algum vídeo da Power Hour você sabe do que estou falando: "This is Power Hour... yeah yeah!". Uma hora que reúne tudo de bom e do melhor de todas as vertentes do hardstyle.

A energia que é criada naquele stage é inexplicável, pois são aquelas músicas que todos que estão ali conhecem e gostam, mixadas como uma obra prima e com a animação passada pelo Villain. Do "Left, Right" com todos no stage e o jogar de copos/beeholders para o alto, tudo ali é mágico.

A Q-Dance já liberou a Power Hour completa e você pode conferir como foram eufóricos esses 60 minutos!

Ao fim da Power Hour decidimos ir comer algo para nos prepararmos para o final daquele dia (no momento eu me arrependo de não ter visto Psyko Punkz, mas estava tão necessitado de comida/sentar que foi aceitável) e ainda escutamos Luna, já que o Magenta era praticamente parte de uma área de lanchonetes.

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Voltamos ao Red para vermos um set em conjunto: Brennan Heart e Zatox. O melódico e o pesado. Não precisa muita explicação, se você conhece o trabalho dos dois, imagine eles juntos e como ficaria um set com esses dois.

Aproveitamos para dar uma passada em outros stages para ver como estava: fomos ao White, Silver e Yellow, ficando pouco tempo em cada, mas só para não deixarmos nada de lado. Voltando ao Red para vermos Atmozfears e comparei com as apresentações que já vi dele: na Q-dance da Tomorrowland Brasil e na Defqon.1 Chile.

Eu tive a percepção de que: Atmozfears sabe como fazer um set extremamente pesado e que (me desculpe) nem parecia o estilo dele. Mas isso não foi ruim, foi exatamente o contrário! Percebi que eu aproveitei tanto, mas tanto aquela apresentação que não mexi no meu celular em nenhum momento, sem fotos ou vídeos. A melhor apresentação do dia foi toda gravada em memórias.

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Logo em seguida, maiores surpresas: eu não achava que ia curtir tanto a apresentação do Frequencerz, que era a última do dia, e talvez por isso foi tão animada: grande parte do público se dirigia ao Red para aproveitar a última apresentação e se preparar para o Saturday Endshow. Este "gran finale" já está disponível no canal da Q-dance e você pode ver aqui embaixo.

Como infelizmente lá a noite demora a chegar, só conseguimos ver o Red no escuro durante os 30 minutos do endshow, mas aí observamos como a produção da Q-dance é caprichosa: um número absurdo de lasers, luzes e fogos, todos extremamente sincronizados com o som, ao melhor estilo Q-dance.

Tivemos uma hora para ir ao banheiro, sentar um pouco e se recuperar: meia noite de sábado para domingo se iniciou o After Saturday, com somente o palco Blue e o Magenta. Novamente me instalei no Blue e aproveitei: Code Black, Phuture Noize e Alpha². Acabamos sendo vencidos pelo cansaço por volta das 03:00, e decidimos descansar para o próximo dia.

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No domingo, o Red só abre para a Closing Ceremony, assim aproveitei o dia para curtir os outros palcos, Novamente comecei no Blue com o duo do Sub-Zero Project, muito bom por sinal.

Partimos para o Magenta para assistir Isaac que nos trazia seus grandes clássicos e logo em seguida fomos ao Big Chill, uma área para descanso com inúmeras redes, puffs com área coberta e até narguilés. Tudo ao som de um pequeno stage ali montado que tocava tudo que não fosse hardstyle.

Tomei rumo ao UV para poder assistir Wasted Penguinz e a garoa que começou a cair não atrapalhou: ótimos lugares com ótima visão e um stage cheio, mas não abarrotado!

O clima ali ficou tão bom que como queríamos ver o Brennan Heart que tocaria sozinho, acabamos ficando lá pelo set de D-Block e S-te-fan, que demonstraram um ponto mais forte para aquele stage!

Assistimos Brennan Heart e curti muito, mas o que estragou foi descobrir aos 45 minutos de apresentação dele que eu havia esquecido de Gunz for Hire! Apesar desta frustração, fui em sentindo Red, que estava aberto e se preparando para o início da Closing Ceremony e localizei um bom lugar para assistir à tudo aquilo.

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Em geral, o que posso dizer da Defqon.1?! O festival é insano, ainda mais para quem, como eu, curte o estilo e aguentaria um final de semana com todas as vertentes da cena.

Saí de lá com a vontade de voltar, e mesmo sendo uma viagem cara, depois do que eu vivi, tenho certeza que vale a pena ir novamente no ano que vem! Já estou me planejando! Acho que nem preciso falar o quanto foi marcante este festival, não é mesmo?

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Paulo Carretero ლ(ಠ益ಠლ)♥@#♫

Paulista, 25 anos, graduando em Administração, que curte escrever como se fosse do jornalismo e que ainda vai ter seu mestrado em física. Apaixonado incondicionalmente por Daft Punk, mas não dispensa nenhum tipo de bate-estaca. Desde um deep até o som do liquidificador, do menor ao mais alto bpm. Mas o hardstyle e seus 150+ bpm fazem realmente a diferença. Em outras palavras: Hardstyle till I die.

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