Affee, uma semana sem Dekmantel SP! Vamos relembrar?

Uma semana após o Dekmantel SP já pode sentir saudade? Pode sim, e deve. O festival que aconteceu nos últimos 4 e 5 de fevereiro trouxe artistas sensacionais da música eletrônica com uma estrutura agradável, público apaixonado e, graças a Deus, pouca chuva. Muita moda, muita hipsteridade, muita gente de preto (e algumas pessoas perdendo tempo reclamando de quem tava de preto, hahaha), muita sonzeira e felicidade. Diferente de tudo que já vimos no Brasil. Queremos uma nova edição PRA JÁ! Mas até lá, vamos relembrar um pouco?

Lena Willikens (photo credits Gabriel Quintão)

Foi dekqualidade

Não é sempre que se vê uma organização tão boa assim em festivais no Brasil. O número de pessoas que foi ao evento colaborou, mas de fato estava tudo impecável — principalmente o motherfucking sound system dos palcos, com som limpo, alto e estável em todos os momentos. Os bares não tinham fila e o sistema cashless funcionou muito bem. Outro fator que contou muito foi a pontualidade dos shows.

Atmosphere 1 (photo credits Ariel Martini)

Foi dekpeso

Alguém sabe dizer o que foi aquela pistinha do palco UFO? Credeuspai. Foi pesado. Foi lindo. Foi subsolo. Principalmente no segundo dia, que tinha no main stage um público bem mais colorful-instagrammer, o UFO foi o refúgio pra quem queria um inferninho de techno. Lá aconteceram alguns dos melhores shows do festival e a simplicidade daquele lugar era acolhedora. Passar por aquelas catracas tinha um certo charme também, né?

Filmagem vagabunda do UFO no insta pode, né?

Foi dekfofo <3

Os detalhes importam. E o Dekmantel teve uns detalhes feat. níveis de fofura. Primeiro que só pagou inteira quem quis mesmo: bastava levar um livro pra doação que seu ingresso valia meia-entrada; durante a primeira chuva no primeiro dia — que pelos meus cálculos acabou sendo a única, me corrijam se eu estiver errado — a produção distribuiu capas de chuva nos bares e na pista pra quem precisava; e debaixo do sol de lascar que ficava aquele lugar à tarde, vimos gente passando pelo festival oferecendo protetor solar em spray pra conservar a nossa curtição sem insolação. É sempre bom ver esse tipo de coisa acontecendo quando não a obrigação do festival era zero. Fizeram só porque quiseram e foi impressão positiva máxima.

Nina Kraviz (Gabriel Quintão)

Foi dekmodesto

A estrutura não era nada muito complexo e o que foi disposto no espaço do festival era simples. Undergrounder não precisa de muita coisa pra ser feliz, na real. E nem precisava de uma puta decoração; a área do Jockey Club que foi utilizada mais parecia uma pequena cidade cenográfica, e isso combinou bem com o porte do festival — tomara que a história da Jovem Pan não ferre com tudo pro festival ser realizado ali em uma próxima edição. A instalação com a loja de vinis era bem interessante e me fez aprender uma ou duas coisas do alto da minha vibe de geração Z. Só faltou um telão no main stage, os DJs ficaram meio escondidos.

Nicolaas Jaar 2 (photo credits Ariel Martini)

Foi dekconforto

Nunca foi tão agradável ir ao banheiro em um festival de música eletrônica. Foi uma surpresa entrar na cabine e encontrar pia, espelho, torneira individual e papel higiênico sempre recarregado no suporte. Zero banheiros químicos esquisitões que mais pareciam que você chegou em uma cena de Trainspotting. No main stage, o público também colaborou na questão do lixo; não havia montes Everest de garrafas no chão e o público era consciente — as lixeiras transbordavam, na verdade. Além disso, os chill-outs perto da entrada estavam bem maneiros e aquilo ali virou uma praça descontraída com música boa em volta.

Dekmantel Soundsystem (Gabriel Quintão)

OS SHOWS

Quem diria que 5 palcos seriam tão difíceis de abandonar? Muita música boa, muitos artistas sensacionais — muitos que não se vê sempre por aqui — e um público antenado com o que estava rolando tornaram o Dekmantel um festival imperdível. Pegar chuva com Anthony Parasole no UFO foi sensa, e a partir daí as coisas foram escalando. Nina Kraviz demorou um pouco pra desenvolver seu set mas terminou em grande estilo. Foi um tanto diferente do que havíamos visto no 5uinto dois dias antes — ela mesma comentou com a gente na Fabriketa que achou o 5uinto bem especial por ser pequenininho, enquanto passeava de boas pelos palcos noturnos de macacão jardineira super simpática e com vontade de imergir na “experiência Dekmantel”.

Jeff Mills foi um dos shows mais elogiados do festival, mas confesso que achei chato em muitos momentos; esperava mais altos e baixos, um set que contasse uma história, mas foi high bpm drums ad infinitum, coisa que eu esperava ouvir na Fabriketa mais tarde. Também não me agrada a sua “bateria eletrônica” nem os loops fora de hora que ele fazia nas músicas e que acabavam ferrando com o tempo dela, tornando tudo meio esquisito de dançar. Poderia ter sido melhor mas nem de longe invalidou seu status de techno god.



Nicolas Jaar foi emocionante. Disparado o melhor show do festival, as sequências de experimentalismos com ruídos estridentes e ambiências obscuras não cansavam e misturavam-se ao groove e melodia das faixas principais das quais já éramos fãs. Dá pra perceber que ele pensa em cada momento do show e foi o melhor closing set possível pro festival. Outros destaques foram Lena Willikens — o som era tecnológico e macumbeiro ao mesmo tempo, e ela brincava com a velocidade sempre que podia, foi um dos shows mais interessantes do line-up — Dasha Rush, Zopelar, John Talabot e, na real, a maioria dos que estavam no palco Selectors, que ficava no coração do festival e nunca deixava de mostrar coisas interessantes.

Na Fabriketa, foi bonito ver o set do L_cio e o seu poder de encher uma pista em 10 minutos em side stage. Tocando várias músicas que também apresentou no set épico que fez aqui pra Stereo Minds, foi um momento intimista pelo cenário e por toda a atenção e dedicação do público. Vibe boa DEMAIS. Naquela mesma noite, o DVS1 roubou um pouco o spotlight do Ben Klock com um set acelerado de 2 horas e meia que soava como uma série de colisões intergalácticas — pelo menos era o que sentíamos.

Nicolas Jaar (photo credits Ariel Martini) Mozão.

Pontos negativos

- Alguém sabe que porra deu naqueles seguranças? Os caras enquadravam as pessoas como se elas estivessem planejando um ataque terrorista. E às vezes eram dois, três seguranças encarando você bem na sua cara, com os olhos arregalados e quebrando o seu clima. Fun fact, uma amiga até se assustou achando que tinha alguém cheirando o cangote dela mas era só um segurança metendo a cara no seu espaço. Segurança está ali pra proteger as pessoas e não pra intimidar. Foi sufoco tolerar.

- Não sei se foi por conta dos preços dos ingressos ou porque o target escolhido pelo festival era só mesmo quem estava com os dois pés enfiados no rolê, mas o Dekmantel levou um público bastante elitizado e muito “igual” mesmo dentro de todas as suas diferenças e libertinagem. Lembro que vários amigos meus que estavam dispostos a experimentar um festival como esse acabaram desistindo porque os valores não colaboravam. Teria sido simplesmente foda mostrar tantos artistas incríveis pra eles, mas o Dekmantel atingiu pouca gente no maior estilo "the underground is NOT massive".

- Aumenta a duração do festival, produção! Por favorzinho.

Rodrigo Airaf ¯\_(ツ)_/¯

Co-founder/Editor-chefe // Brasiliense de 23 anos. Nômade. Festivalouco. Festeiro. Fã máximo do Stephan Bodzin, do Above & Beyond, do Porter Robinson; daquele techno mais macumbeiro, daquele trance mais viajante, daquele house mais groovado, daquelas farofas bem enérgicas, daquelas músicas que tocam a alma e de tudo que for bom e diferente. Trocou de sobrenome. Ama os amigos. Fala alto. Bebe pra caralho. Gosta de experiências. Grato pela vida.

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