Momento fofura: esses pais não abrem mão de festejar com seus pequenos raveiros

Antes de mais nada, veja esse vídeo:

A música eletrônica é muito mistificada e vista pelos outsiders como um ambiente hostil e propenso para coisas negativas. Diz-se que o ambiente das raves e festivais não seriam para crianças. Será?

O debate entre a presença das crianças nas raves e festivais por aí existe há um bom tempo. É mesmo um assunto sério. Mas de onde surgiu essa idéia? O surgimento da música eletrônica tem lá seu lado meio de "refúgio" para famílias. Crianças são sim bem-vindas. Aliás, existe energia mais linda no mundo do que o sorriso de uma criança?

familia ieda 3 foto: Reprodução

A questão de uma festa permitir o trânsito de crianças dentro das dependências do evento é bem polêmica, claro. Contudo, fica a responsabilidade dos produtores de preparar aquele ambiente para receber os pequenos trancers, e os pais também precisam se conscientizar de que uma festa com seu pequeno ao lado é diferente de um momento só seu.

As necessidades dos pequenos são diferentes das nossas. A criança precisa estar sempre assistida, os cuidados precisam ser redobrados para que aquele momento de diversão não acarrete em prejuízos no futuro: proteção sonora, alimentação, proteção solar, momento de descanso... tudo isso precisa ser planejado para que a experiência dos pais e filhos seja a mais proveitosa possível.

quiancas2 foto: Atilla Veras

Hoje, no Brasil e no mundo, existem várias festas e festivais children-friendly, festas com proposta menos comercial voltadas para a criação de um ambiente acolhedor e em fuga dos padrões mais capitalistas. A preocupação com a ambientação e imersão do público é mais centralizada e a construção do ambiente é levada mais em conta do que a construção de um line-up de peso repleto de headliners, por exemplo.

É muito comum as pessoas associarem as festas que tocam música eletrônica às drogas. Poucos entendem a riqueza daquele momento, a profundeza que se alcança num festival de música eletrônica — e que as crianças abrilhantam esses momentos!

por Atila Veras 2 foto: Atilla Veras

Em um texto livre de cagadores de regras e em um dia mágico como o Dia das Crianças, fomos atrás de pais e mães para relatarem o porquê de levarem seus filhos às raves e festivais. Saca só essa sequência de cliques e histórias desses pequenos transbordando coisas boas!

O primeiro festival da Silvia foi o Shiva Trance. A Surya vai desde os 5 dias de vida, porque eu já estava tocando no quinto dia pós-nascimento e toquei um dia antes dela nascer. Já são muitas festas e festivais que as garotas participaram. A galera adora, mas todo mundo vê como novidade. Eu e o Selmo não; pra gente é natural, porque elas participam de tudo em nossas vidas, sempre juntas. Quando a Surya era muito pequena, a gente não ficava muito. Eu tocava, a gente curtia o dia e ia pra casa, sempre de olho nelas, principalmente na Silvia que só quer ficar na caixa de som. Tudo que rola nas raves e festivais rola em qualquer lugar do cotidiano. O lugar que é bom pra mim é bom pras minhas filhas, e mesmo quando não tem espaço kids, elas se divertem por estarem no mato, na grama, podendo correr, livres! E as pessoas sempre as tratam com carinho.Ieda Laiama, DJ, de Curitiba
familia ieda 2 quiancas3 cortesia de Ieda Laiama

Meus filhos são apaixonados por festivais, tanto que agora no Dia das Crianças eles pediram pra ir em um. Lá eles são crianças, porque hoje em dia criança não brinca mais. Nos festivais eles se realizam. Somos daqueles pais que tudo conversamos com nossos pequenos, porque eles perguntam sobre tudo. Levá-los para festivais é mais tranquilo, a atmosfera é outra, a incidência de drogas é menor. A minha filha entra em transe com a música, acho sensacional. Lá eles aprendem o carinho e amor ao próximo, aprendem que todos somos iguais. Senti que o comportamento deles melhorou muito depois que começaram a frequentar festivais comigo e com o paiDaniele Penhalvel, de São Paulo
familia daniele 1 familia daniele 2 cortesia de Daniele Penhalvel

Pra mim, uma festa trance de verdade precisa ter crianças. Elas trazem uma energia boa, pureza mesmo, sabe? Que é algo que às vezes está em falta hoje em dia. Nós buscamos oferecer um ambiente que aceite e respeite esses pequenos.Paulo Neto, Coletivo Boikot, de Recife
boikot 1 Boikot // foto: reprodução (Facebook)
boikot 2 Boikot // foto: reprodução (Facebook)

O Havi foi no seu primeiro festival com apenas 5 meses. Foi um festival que aconteceu em dezembro de 2016, o Ritual Anaychay. Foram 3 dias de festival. Uma semana antes fui comprar os protetores necessários para meu filho, abafadores de ruídos para não afetar a audição do meu pequeno. Levamos tudo que conseguimos para o conforto dele: muita roupa, coisinhas para sua alimentação e remédios caso viéssemos a precisar. Nos certificamos de que não passaríamos apertos com ele. Todos aqui em casa ficaram chocados com nossa ideia de levá-lo, que lá não seria lugar para crianças. Como que eu ia curtir com ele lá? Mas foi nessa hora que tive certeza de que lá era o lugar dele. O festival foi lindo, todos na festa vinham para conhecê-lo e brincar com ele. E não passamos nenhum perrengue. O festival tinha espaço kids com várias atividades e outras crianças. Todos ficavam admirados com ele, brincavam e pediam pra tirar fotos. Foi lindo!Liziane Bronner, de Curitiba
familia liziane cortesia de Liziane Bronner

E vocês? O que acham sobre a presença dos pequenos nas festas? Levariam seus filhos?

Vinícius Arcelino ♬♫♪◖(●。●)◗♪♫♬

Autor // Recifense, 24 anos. Eclético musicalmente. Adaptável quando estou com amigos. Amante das raves e do mundo psicodélico. Cerveja gelada, amigos, sorrisos e boa música pagam minha vida.

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