Dobradinha com Wolf Player: Entrevista + Set Exclusivo

A despedida de Março será em grande estilo e com muita música. Wolf Player é o convidado dessa semana da Dopamine Sessions, o nosso podcast do coração. Wolf Player é quem veio depois da era Yan Brauer, após experimentações, erros e acertos, e muito conhecimento de pista acumulado ao longo de quase uma década — ainda que tenha apenas 24 anos.

Yan conta pra gente um pouco do seu projeto e da sua visão sobre as coisas, enquanto curtimos o seu set na Dopamine, que você pode conferir aqui.

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Como foi essa transição de Yan Brauer para Wolf Player? De onde surgiu a ideia? É uma nova fase, um reset? Podemos declarar a morte do som Yan Brauer?

A transição do Yan para o Wolf foi feita pelo fato de eu ter amadurecido tanto como músico quanto pessoalmente. Resolvi iniciar algo de uma forma extremamente profissional. Foram anos de estudo e pesquisas, e o Yan Brauer passou por todas as fases, a ruim, a média e a boa, assim como as pessoas, que acompanharam tudo. Senti que talvez isso era um dos grandes fatores, que ninguém dava muita atenção ao meu trabalho. Para camuflar o que passou e a caminhada até onde estou, dar o “reset” como vocês falaram, resolvi começar o Wolf Player com uma cara nova, com um som que reflete todos os meus sentimentos reais.

Artisticamente falando, quais são as maiores diferenças para o novo projeto?

Hoje estou investindo em algo mais harmônico, com cadências mais pensadas, melodias bem trabalhadas, vocais, e posso dizer que agora o meu som está mais acessível a todos os públicos, ao contrário do Yan Brauer, que era tech house, bass house, pouca melodia, muitos efeitos, combinação de sons, [tudo isso] para um público bem seleto.



A linha house/tech house que temos ouvido nos clubs atingiu um ponto de saturação criativa, com muitos DJs fazendo o mesmo som. O que você faz para se esquivar disso e quais são as influências do Wolf Player?

A maneira que eu me esquivo disso tudo é subindo no palco, olhando no olho de cada pessoa que está na pista, observando o sorriso, felicidade, a dança, e através deste momento de energia pura eu volto para meu estúdio e, antes de começar [a produzir] o próximo som, eu lembro das músicas que mais vibraram. A partir disso eu faço algo novo, diferente, mas que tenha essa referência explosiva que deu certo. A melhor esquiva é você ser original, mas lembrando que você precisa agradar as pessoas que estão ali. Faça a música para você e para os outros. Quem mais tem a balança da originalidade VS entender o público regulada, sempre vai estar em alta.

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Você toma conta da Maze Records, influente selo nacional com releases de caras como Velkro, Touchtalk, Diamn e Bruno Furlan, e já foi curador do nosso amado Club Stage no Soulvision Festival. Você é um tastemaker, um influenciador. No geral, o que você pensa da cena atual? Nos diga uma coisa boa e outra ruim que estão rolando.

A cena atual no Brasil está evoluindo sem limites. Os grandes festivais estão olhando para nós e fazendo suas festas aqui, ou melhor, ensinado a gente a fazer as festas. O público cresce, novos DJs nascem, pois a informação é mais fácil de se encontrar. A cena fica mais exigente, fazendo com que os organizadores de festas no Brasil parem de produzir apenas uma festa com palco + DJ e pensem em agregar com mais decoração, intervenções artísticas, mais conforto ao público, bebidas diferentes, enfim, tudo se torna uma arte, desde o segurança até o DJ.

O lado ruim é que na parte da música vs tecnologia vs EGO, muita gente hoje está subindo no palco sem mesmo saber tocar, ter estudado a história, ouvido as referências, tudo apenas pela moda que está sendo gerada no Brasil. Isso está acontecendo um pouco pela facilidade que temos para tocar em um CDJ 2000 com Rekordbox, sync, agregados com muita tecnologia. Está aí o por quê de as pessoas copiarem tanto umas das outras: ninguém ouviu, ninguém estudou, ninguém tem ideias novas, [tudo] está virando uma máquina de cópias. Isso acaba refletindo no público em médio e a longo prazo, gerando uma opinião ruim da festa e do DJ.

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Podemos esperar muitas novidades do Wolf Player para este ano?

As novidades já existem. Tenho tanta coisa pronta que não foi lançada ainda, diversos lançamentos em gravadoras nacionais e internacionais fechados — mas que ainda não posso divulgar — collabs com artistas consagrados aqui no Brasil, Yan voltando a fazer festas na Bahia… 2016 vai ser o ano do “dar um passo para trás para pegar impulso", e então 2017 promete ser QUENTE.



O que mais te atrai quando você recebe suas demos na Maze ou o que você mais procura em um artista atualmente?

Eu sempre busco na música da pessoa a criatividade e a originalidade, que tenha groove correndo nas veias, que seja pista, e que tenha qualidade na mix/master. Para lançar na MAZE você vai ter que percorrer um labirinto imenso, e de fato você nunca vai encontrar a porta de releases, apenas se nós, Maze Runners, Wolf Player & Facing Odds, o conduzir até a saída, hahahah!!

O que você preparou pra gente nessa edição da Dopamine Sessions?

Eu preparei 60 minutos de músicas de autoria própria. Vai ter bootlegs, remixes e original mixes. 80% das músicas são unreleased, ou seja, nem o Shazam vai encontrar!

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