O dono do Coachella doou grana para grupos anti-LGBT e a treta já está imensa; saiba mais

Por Paulo Carretero e Mariela Gregori

Com certeza podemos considerar o Coachella um dos maiores festivais de música e artes do mundo. Sua fama hipster chic + presença de celebridades + line-up imponente faz o festival lotar todos os anos. A próxima edição especificamente vai trazer grandes headliners como Radiohead, Beyoncé e Kendrick Lamar, além de dezenas de outros artistas de peso, os ingressos se esgotaram em poucas horas — como sempre, aliás.

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A música eletrônica nos remete ao conceito de PLUR (paz, amor, união e respeito), mas lembramos que este ''conceito'' não existe somente no cenário eletrônico, mas sim no mundo das músicas e artes — apesar de que deveria ser uma regra geral. E é a partir daí que as coisas ficam estranhas. O Coachella é da AEG, uma das maiores empresas de entretenimento dos Estados Unidos, que comanda além do Coachella as turnês de grandes artistas como Taylor Swift, Katy Perry, Kanye West, Alicia Keys, Bruno Mars e Justin Bieber. Isso só no ramo das artes, já que a empresa não funciona somente nesta parte. Já deu pra sacar que a empresa é bem poderosa, não?

O jornal americano Washington Post descobriu que Philip Anschutz, dono da empresa, estaria doando parte de sua fortuna de U$ 12 bilhões para grupos como o Alliance Defending Freedom, National Christian Foundation e Family Research Council. São organizações de extrema-direita, com foco em claras políticas anti-LGBTQ, anti-aborto e anti-transgênero — eles tentam, inclusive, cassar os direitos destas minorias por meio de ações judiciais e lobby.

coach-5 Eis o nosso novo vilão.

Pra piorar a situação, Anschutz também apoiou grupos de negação de mudanças climáticas. De acordo com o Greenpeace, ele se encontra uma vez por semestre com os irmãos Koch, grandes exploradores de petróleo e gás, e utiliza seu veículo de mídia, o Washington Examiner, para reforçar suas visões.

Calma que ainda pode ficar mais tenso: procurando sobre essa bomba nos fóruns oficiais do Coachella, achamos um tópico criado pelo usuário gypsylander, pasmem, em 27/01/2010, falando que ele(a) estava "seguindo o código de ética pessoal dele(a)”, desistindo de aproveitar o festival naquele ano, pois Philip Anschutz havia apoiado o Colorado's 1992 Amendment 2 — emenda constitucional que fazia com que qualquer cidade ou distrito dentro do estado do Colorado não aceitasse denúncias ou ações judiciais que colocassem homossexuais como uma "classe protegida”. Em outras palavras, denúncias de preconceito contra homossexuais não seriam aceitas.

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Anschutz apoiou também a criação do The Discovery Institute, um instituto que utilizava convicções cristãs para desacreditar a teoria da evolução e o Darwinismo. Pra finalizar, ele estaria financiando o Media Research Center e o Institute for American Values, ambos órgãos extremamente conservadores que acreditam que os valores tradicionais americanos estão sendo rebaixados pelas atitudes liberais — tipo o nosso lance de família tradicional brasileira.

Infelizmente, a intolerância ainda é uma realidade: estados americanos já aprovaram leis que obrigam transgêneros a utilizar banheiros públicos de acordo com o sexo de nascimento, batendo de frente com os direitos destes. Pior ainda: existem leis que permitem que estabelecimentos, médicos ou terapeutas neguem atendimento a homossexuais, tudo isto com base em valores religiosos.

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Por outro lado, grande parte do mundo parece girar no sentido contrário: empresas gigantes como Paypal, Apple, Bank of America, Facebook, Google, IBM, Twitter e Microsoft já se posicionaram contra essas leis e estão boicotando Estados que as contém. Junto com as empresas, artistas estão fazendo o mesmo e cancelando seus shows; Bruce Springsteen foi o primeiro e cancelou uma apresentação na Carolina do Norte, justificando as leis que ferem os direitos LGBTs. Outros nomes como Bryan Adams, Ani DiFranco, Boston, Ringo Starr, Pearl Jam, Demi Lovato e Nick Jonas também cancelaram shows em Estados com leis proporcionais. Até festivais como o Bonnaroo Music & Arts Festival verbalizaram seu desapontamento com a história toda, reiterando que continuariam a promover, apoiar e defender direitos iguais em todos os lugares.

Uma grande headliner do Coachella é também uma defensora dos direitos LGBT: Beyoncé. O público nos fóruns e redes sociais já espera que ela desista de se apresentar no festival; temos aí uma possível crise para a marca. É quase certo que alguns dos artistas restantes não ficariam para se apresentar sem ao menos uma declaração, pois poderiam dar a entender que estão ignorando problemas, direitos das minorias e apoiando as decisões de Anschutz. Sobre isso, vamos aguardar. Sobre Anschutz: aff.

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Nossas principais fontes: Washington Post; O Globo; UOL; Fórum do Coachella.

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