“Entrar mais no techno me fez ter mais força para produzir”, entrevista com Alex Justino

Alex Justino é um dos nomes mais promissores da cena eletrônica nacional atualmente. Já bastante presente como chefão do selo Nin92wo, como parte do cast fuderoso da D.Agency e como produtor de eventos na capital goiana, Alex desponta também como um dos DJs e produtores mais talentosos e versáteis da atualidade.

Suas barreiras não são impostas: ele pode transitar pelos mais diversos sons do house e do techno sem você estranhar, e assim criar uma jornada que cativa qualquer um que esteja na pista. Uma demonstração disto você vai conferir amanhã no nosso podcast Dopamine Sessions, encerrando em grande estilo o nosso mês dedicado aos amantes do techno. Confira o nosso papo com Alex:

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Alex, nós sabemos que recentemente você voltou a produzir eventos em Goiânia. Na sua visão, qual é a importância de personagens-chave da cena de cidades fora do circuito movimentarem o mercado regional?

Para desenvolver a cena é necessária a realização de eventos. Não necessariamente mega eventos, mas um fluxo constante para formar um calendário e criar um público. Estou voltando aos poucos a realizá-los, atualmente com a Lost and Found e os eventos da Nin92wo Records em parceria com clubs.

Fale um pouco sobre seu trabalho com a Nin92wo. Showcases, releases, novos artistas, o que vem por aí?

Procurar músicas é um trabalho que não é fácil, ainda mais quando quase ninguém ainda ouviu. Selecionar é sempre um desafio, mas felizmente tenho muitos amigos e colegas talentosos. Atualmente a Nin92wo trabalha com parceiros, que sempre nos enviam músicas com exclusividade e assim selecionamos as melhores para os nossos lançamentos. Nos próximos dias sai uma compilação com grandes talentos nacionais, temos um EP do Touchtalk na seqüência, vem aí também um EP dos gregos Till Death, um álbum do Monobloq para a primeira metade do ano, e ainda mais alguns EPs e remixes. Muita coisa legal.

Os showcases da Nin92wo acontecem em parceria com clubs e outros núcleos de eventos também. Os últimos foram em Goiânia, no El Club e na Coco. Esta sexta (29 de abril) acontece um evento onde nos juntaremos com o núcleo Room Noise para uma edição especial mesclando nossos artistas com os deles.

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Suas últimas apresentações no D-EDGE foram ao lado de nomes extremamente importantes na cena internacional. O que representa para você dividir a cabine com artistas como Mind Against, Nicole Moudaber e outros?

As apresentações no D-EDGE são sempre incríveis. O club é único e tem muita força em suas noites. A galera que vai lá sempre quer ouvir coisas novas e não faz a mínima questão de ouvir o que já é conhecido, então tocar lá sempre é bom para experimentar sonoridades diferentes e novas músicas. Tocar junto com grandes artistas da cena mundial é sempre gratificante, pois a cada set de um grande artista consigo absorver um pouco do que ele transmitiu com suas músicas.

Você é um dos nomes presentes no último lançamento do Warung Recordings. Fale um pouco sobre o processo de criação da faixa que está na compilação e do sentimento de lançar por uma marca tão emblemática.

Futurn é minha primeira faixa pelo Warung Recordings. A criação dela foi bem interessante. O processo não levou muito tempo. Para a ideia sair da minha cabeça e se transformar em música, foi um dia criando uma idéia e outro criando alguns timbres e alinhando outros. Lançar no selo deste club, que é um ícone mundial quando se fala em nightclubs, é extremamente gratificante. O VA Sand & Sighs está demais, 10/10. Este ano ainda tem um EP com duas faixas e remixes que sai pelo selo.



Se olharmos sua trajetória nos últimos dois anos, é possível observar uma nítida mudança em sua linha de som. Ao que se deve isso?

Todo mundo vai se renovando, se reinventando. A mudança é sempre uma coisa natural na vida de todos. No meu caso acho que foi uma mudança benéfica e na hora certa. Entrar mais no techno me fez ter mais força para produzir e um ânimo extra para criar. Sair da zona de conforto é algo muito bom, ainda mais na hora da criação, pois assim atingimos resultados inusitados.

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Recentemente, você finalizou seu home studio, certo? De que forma ter um espaço destinado exclusivamente à produção contribuiu para sua jornada musical?

É essencial ter um canto para criar. Meu home studio é peça fundamental atualmente no meu processo de criação. As produções estão fluindo cada vez mais e ter como trabalhar utilizando suas ferramentas da melhor forma faz muita diferença, principalmente na parte de pós produção, que envolve muitos detalhes.

Para encerrar, gostaríamos que falasse um pouco sobre seus sonhos e aspirações para o futuro.

Para o futuro, as aspirações e sonhos continuam os mesmos: mostrar minhas músicas e meu trabalho para cada vez mais pessoas, em lugares diferentes, sem perder o foco no som que acredito. Menos rótulos, mais som de verdade e arte. Já temos “enlatados” demais por aí.

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