Conversamos com o Bixiga 70, super-banda que veremos em poucos dias em SP!

Bixiga 70 é um coletivo paulistano que surgiu no início da década através da união de 10 músicos — sim, eles são DEZ! — cuja relevância foi comprovada já no início da carreira, quando seu primeiro álbum Bixiga 70 - 2011 entrou nas principais listas de melhores discos do ano, incluindo a da revista Rolling Stones, e ganhou o prêmio na categoria revelação no 25º Prêmio da Música Brasileira. Além disso, antes de sequer terem álbuns lançados em 2010, o guia da Folha de São Paulo os consolidou um dos melhores shows daquele ano.

O projeto começou no estúdio Traquitana, localizado no tradicional bairro do Bixiga, evidentemente a inspiração pro nome da banda que faz um som instrumental incrível, uma mistura louca da musicalidade brasileira, latina e africana.

Se a missão que seguem é de levar aos ouvintes novos estados de consciência através da música, a estão cumprindo perfeitamente. Mesmo com uma carreira relativamente curta, seus álbuns rodaram o mundo, assim como a turnê Copan Connection Tour, que passou por diversos festivais em vários países, incluindo o tão famoso Glastonbury.

bixiga 70

Ainda neste semestre, esperamos que seja lançado o documentário Segue o Baile, que mostrará shows da banda no Rio, em São Paulo, New York e São Francisco, e tem como objetivo mostrar o efeito que a mistura musical do Bixiga 70 causa no público, ou seja, se a missão dos caras está sendo mesmo cumprida!

Batemos um papo pra que você conheça mais deles, que serão uma das super atrações da primeira edição do Dekmantel Festival em São Paulo nos próximos dias.

STEREO MINDS - Criar (e manter) uma banda com 10 integrantes não parece tarefa fácil. Como foi o surgimento do Bixiga 70?

BIXIGA 70 - A banda foi formada a partir de um time de músicos que já trabalhavam juntos no Estúdio Traquitana, no Bixiga, daí o nome. Realmente, se não houvesse o estúdio, seria muito difícil de reunir tanta gente para criar num ambiente propício e sem o taxímetro rodando o tempo inteiro. A partir de gravações que estávamos desenvolvendo lá, tínhamos a vontade de chegar num som coletivo, sem vocalista, para usar nossas ideias fora do formato tradicional de canção, a idéia partiu do nosso baterista, Décio 7 e a partir daí trabalhamos muito para chegar num resultado coletivo.

STEREO MINDS - O som de vocês é uma mistura de várias influências musicais e cada ouvinte acaba tendo uma percepção diferente dele. Na visão de vocês, o que influencia e como pode ser definido o som que vocês fazem?

BIXIGA 70 - Não só cada ouvinte, mas cada integrante da banda também vai ter uma visão diferente sobre cada composição! O que nos influencia é a vida no centro de São Paulo, a arte de rua, a música do chamado "terceiro mundo" de uma forma geral e a vontade de descobrir novas combinações possíveis entre a música que ouvimos e criamos.

Teaser do documentário "Segue o Baile"

STEREO MINDS - O álbum "The Copan Connection" é fruto de uma parceria com Vitor Rice, que é o próprio Dub no Brasil! Como essa parceria foi iniciada?

BIXIGA 70 - O Victor Rice já era nosso amigo, principalmente por causa do coletivo Dubversão (do qual o nosso guitarrista Cris Scabello fez parte). Foi natural convidá-lo para mixar nossos trabalhos desde o primeiro compacto, "Tema Di Malaika" - que já tinha uma versão normal no lado A e uma versão dub no lado B, bem ao estilo jamaicano - até hoje.

STEREO MINDS - A Copan Connection Tour 2016 foi incrivelmente agitada, passando por mais de 10 festivais europeus. Qual a sensação de estar inserido nesse circuito internacional?

BIXIGA 70 - É muito gratificante perceber que nossa música faz sentido num contexto internacional, principalmente porque buscamos sempre fazer o nosso som o mais honesto e verdadeiro possível, entendendo nossas limitações e buscando em nossas experiências de vida as respostas para nossas questões musicais. Ficamos felizes em sentir na pele como o Brasil é um país importante para a música mundial e como isso é absolutamente inegável, por mais que tentem nos fazer pensar o contrário.



STEREO MINDS - E o Glastonbury? Queremos saber!

BIXIGA 70 - Foi um show muito legal, dentro de um festival gigantesco, algo inédito pra gente. Demos sorte pois lá chove o tempo todo mas o sol saiu no tempo exato da nossa apresentação. Lá sentimos uma atmosfera de muito respeito e diversão, foi impressionante ver o povo lá fazendo trenzinho e tudo! Mas, como a maioria dos shows, quando estamos em turnê, passa tudo muito rápido e depois do show já temos que ir embora para o próximo.

STEREO MINDS - 6 - Vocês têm pleno entendimento do poder de alteração no estado de consciência que a música causa nas pessoas mesmo que ela não tenha vocais, e isso é bem evidenciado quando se fala de música eletrônica. Como surgiu o convite pra que vocês se apresentassem no Dekmantel, um festival predominantemente de Techno?

BIXIGA 70 - Sim, para a gente esse transe é muito importante, é mesmo um norte para a forma como encaramos a música e por isso achamos que mesmo sendo instrumental, a nossa mensagem é clara, uma liberdade de pensamento e movimento e congregação durante o transe. Quanto ao convite, acredito que tenha sido através do pessoal do Gop Tun, que são parceiros do festival e que encontramos na Dinamarca durante o Copenhagen Jazz Festival, acabamos tocando juntos na mesma noite lá. Já nos apresentamos várias vezes em Amsterdam, é possível que algum dos cabeças já tenha visto a gente por lá.

15492317_1356921117654298_1567902508100334517_n Final da apresentação na festa Baile do Bixiga, na Casa das Caldeiras (SP), onde se apresentaram com o cantor Liniker, dez/2016.

STEREO MINDS - 7 - Vocês curtem música eletrônica? Se sim, quais as preferências? Se não, o que costumam ouvir?

BIXIGA 70 - Nós não gostamos de limitar o tipo de música que ouvimos, até porque cada integrante acaba tendo suas preferências, dentre as coisas que assistimos juntos e gostamos muito estão alguns projetos que mesclam a música eletrônica a outros elementos, grupos como Mbongwana Star, Batida + Konono nº1, Frente Cumbiero, Kondi Band, entre outros. Dos que seguem uma linha mais tradicional na instrumentação, gostamos muito do Pat Thomas & Kwashibu Area Band, Bitori, Los Pirañas, Fumaça Preta. Gostamos muito do último disco do Síntese, enfim, sempre estamos mostrando som uns pros outros e pesquisando.

STEREO MINDS - 8 - O que vocês esperam do público do Dekmantel em SP, e o que podemos esperar do Bixiga 70 pra esse grande festival?

BIXIGA 70 - Podem esperar um show altamente dançante, na pressão! Nós amamos tocar em São Paulo!

Samuel Carvalho く(._.) ゝ

Autor // Paulista, 29 anos, publicitário, maluco por trance, amante de um bom techno, minimal e eletro, muito jovem, falador, adora descobrir tudo de novidade musical e falar sobre, fumante de cigarro de menta sim, odeia falar no telefone, bebe com muito gosto uma cerveja bem gelada sempre que pode, curte tomar guaraná no festival e é o louco do mentos.

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