Às vésperas da incrível festa elrow, em SP, falamos com a Plusnetwork sobre a parceria e seus objetivos

Por Camila Brasil, com colaboração de Rodrigo Airaf.



Em menos de 72h, no dia 02, a festa mais louca e divertida do cenário underground mundial aterriza em São Paulo para realizar sua primeira edição em solo brasileiro. Estamos falando da elrow.

Com muita expectativa nas mídias sociais por um lineup fortíssimo, o paulista Soldera é o representante da terra do samba e os sempre fodas Jamie Jones, Patrick Topping, Bastian Bux, Eagles & Butterflies, andhim e Toni Varga serão os hosts musicais da noite.

A ansiedade não se deve apenas ao time pesado de artistas, mas com o conceito da festa, a história por trás da label e com sua temática espetacular que varia a cada evento. Falamos com Maurício Soares, da Plusnetwork, empresa já muito conhecida entre nós festeiros, que está trazendo a marca pra SP. Aproveitamos pra falar de investidas da Plus, de questões importantes de mercado e de desejos da produtora, além de várias curiosidades que você confere agora mesmo.


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Como começou o relacionamento com a elrow e há quanto tempo vocês estavam matutando a ideia de trazer o selo para o Brasil?

Já havia alguns anos que acompanhávamos a trajetória do evento, mas o relacionamento teve início de fato durante o Amsterdam Dance Event de 2016, quando houve o encontro de integrantes da Plusnetwork com representantes da família Arnau.



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A Plusnetwork tem investido em projetos além do seu usual, como o festival Milkshake e a própria elrow. A que se deve essa ampliação dos caminhos da empresa? Podemos esperar mais projetos relevantes de menor porte no futuro?

A inovação sempre esteve no DNA da Plus. Foi dentro da empresa que surgiu o embrião do Skol Beats, evento que veio a se consolidar como o primeiro grande festival de música eletrônica do Brasil. Mais tarde, estivemos envolvidos com a histórica apresentação do Fatboy Slim no aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.

Do lado da ID&T Brasil, que foi uma das partes integrantes da fusão que gerou a Plusnetwork, viemos com o Sensation em 2009, uma super-produção como até então o Brasil não conhecia. Trouxemos então o Tomorrowland e seu mundo de conto-de-fadas, trabalhando o storytelling como nenhum outro evento fazia por aqui.

Sim, todos esses projetos eram de grande escala, mas não era simplesmente a escala que definia o diferencial de cada um: era a forma particular com que cada um desses conceitos abordava a construção da experiência que era apresentada ao público, algo que vai muito além da seleção dos artistas que compõem o lineup.

Milkshake e elrow são extensões desta mesma ideia. São eventos que subvertem a lógica estabelecida do óbvio, proporcionando experiências sem paralelo entre seus pares. O Milkshake rompeu as barreiras do que era considerado possível em termos de diversidade musical e comportamental, abraçando todas as formas de amor e expressão. O elrow vem para mostrar que o show não acontece apenas no palco, mas em toda a festa, cercando o público com uma decoração fantástica e performances divertidíssimas, que acontecem no meio da galera.

O futuro depende de uma série de coisas, mas uma coisa é certa: ele depende do apoio do público. As cenas mais saudáveis e desenvolvidas do mundo são aquelas em que existe um público fiel, que sabe o que consome, que compra ingresso, que apóia seu evento e seu artista favorito. O clima extremado de antagonismo e de desconfiança que muitas vezes se observa nas redes sociais, assim como o comportamento de “não vou comprar ingresso até o último minuto para ver se ganho um VIP”, são coisas altamente nocivas para as iniciativas autênticas e de alto valor agregado, favorecendo exatamente aqueles que têm uma visão predatória sobre o nosso mercado e que só querem fazer o máximo de dinheiro no mínimo tempo possível.



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A elrow fez festa em Ibiza, por exemplo, com o tema Sambódromo do Brasil. Já no Brasil, o tema é o Bollywood indiano. É uma marca que não se prende a conveniências. Quais outros aspectos organizacionais, estruturais e artísticos da elrow vocês consideram “disruptivos” e como pretendem aplicá-los no Brasil?

A ideia de fazer com que o show “envolva” o público é algo que torna o elrow único. A dinâmica do evento deixa de ser simplesmente aquela missa rezada pelo DJ, com praticamente todo o público voltado para o palco, e torna-se uma imensa celebração em que a alegria é protagonista. Os temas do elrow são super bem-humorados, e a execução dos eventos apenas reforça isso.

Toda a organização e também a produção do evento são tocadas a 4 mãos, com envolvimento diário da equipe espanhola. Estamos trazendo todos os elementos de decoração, fantasias e até alguns performers da Espanha.

Na parte musical, o conceito do elrow exige música que seja para o corpo tanto quanto para a cabeça. Música com swing, pra dançar até não poder mais. Com Jamie Jones, Patrick Topping, andhim, Eagles & Butterflies, os residentes Bastian Bux e TONI Varga e o nosso Soldera, essa parte está mais do que garantida!



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Existe um acordo a médio/longo prazo para trazer o evento mais vezes, como aconteceu com o Tomorrowland Brasil, ou a elrow veio para inicialmente “sentir” o público e partir daí?

A ideia sempre é trazer as coisas para ficar, mas já aprendemos que é preciso sentir a reação das pessoas e o mercado antes de assumirmos um compromisso de longo prazo com o público - pois é a expectativa dele que não podemos frustrar.



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Indo além das parcerias com marcas estrangeiras, existe, eventualmente a intenção da Plusnetwork em criar um projeto de evento "fora da curva" primariamente brasileiro?

Este é um sonho antigo, tanto para mim como para os meus colegas. É um caminho que ainda vamos trilhar, quando sentirmos que poderemos criar, do zero, uma experiência tão original e sofisticada quanto as coisas mais bacanas que vemos lá fora.



Fotos: Alex Caballero

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