O duo Heatbeat, em entrevista exclusiva, nos lembra o verdadeiro sentimento do trance

Se já somos conhecidos por ter uma veia tranceira, quando o assunto é o duo argentino Heatbeat o amor é dobrado. Sempre com shows espetaculares - o último que vimos foi no Ultra Brasil - e energia incomparável, o som dos caras é algo a se experienciar pelo menos uma vez na vida. A próxima dessas experiências será em São Paulo no dia 18 de março, no Áudio Club, festão promovido pela Trance in Brazil que você pode descobrir aqui e que contará também com apresentações do Danilo Ercole e do Wrechiski.

Com esse retorno, tivemos que falar com eles, né? Eles contaram um pouco da sua trajetória na música eletrônica pelos últimos dez anos, das suas últimas passagens pelo Brasil, da expectativa de estarem voltando desta vez para uma apresentação mais intimista e com um long set, dos seus novos projetos e comentaram também sobre a cena trance em geral. Confere!



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STEREO MINDS - Olá Agustin e Matias, como é bom ter vocês na Stereo Minds! Como esta é nossa primeira entrevista, vamos começar com um pouco de background. Como vocês entraram na música?

HEATBEAT - Nós começamos quando éramos crianças. Como sempre, quando você é um garoto, você começa a ouvir todos os gêneros, mas quando entramos na música dance era algo totalmente diferente. Nós adoramos e começamos a ouvir DJs como Paul van Dyk ou bandas como Chemical Brothers. Ao mesmo tempo, começamos a produzir música, e o "DJing" veio depois.


SM - Para os nossos leitores que nunca ouviram a sua música, expliquem o seu som em 5 palavras.

HB - Trance, Energia, Original, Ardente e Combinação.





SM - Quais foram suas influências na música em geral, e por que produzir trance?

HB - Matias é um grande fã de Linkin Park, Agustin adora banda como Disturbed ou Nightwish. Quanto à música eletrônica, escolhemos o trance por causa do tipo de gênero que é: sentimental e melódico. Você pode ouvir uma canção muito feliz ou uma muito sombria e ainda vai ser uma canção trance. É ótimo para a produção, pois você pode combinar isso com outros gêneros, diferentes tipos de melodias e atmosferas.


Somos o Heatbeat e fazemos Heatbeat Music, esqueça os gêneros ou sons na moda.

SM - Que canção você se lembra que você ouviu e amou logo no início e também foi uma inspiração para começar a produzir?

HB - Uma das primeiras músicas que ouvimos foi Paul van Dyk – For an Angel, ele tocando na mística Love Parade perante 1 milhão de pessoas, foi incrível, diferente. 1 milhão de pessoas assistindo e ouvindo 1 DJ, 1 canção, todos ligados ao amor, paz, união e respeito, foi uma inspiração verdadeira.



13938303_870925489718500_7135319830819333962_o Foto: Pablo Alonso

SM - Você poderia nos falar sobre o seu processo de produção de música?

HB - Normalmente começamos com uma ideia básica, talvez a melodia ou um tipo legal de baixo. Depois disso, nos juntamos e começamos a trabalhar na ideia. Geralmente nós tomamos em torno de 2 semanas, mas há algumas exceções. Algumas faixas quase terminamos em 1 noite, outras levam coisa de 6 meses. Depende da inspiração.


SM - Qual é o projeto musical atual em que vocês estão trabalhando?

HB - Agora estamos trabalhando em uma faixa com o nosso alias Stacker, pelo qual costumávamos produzir muito, assinando faixas na Vandit e na Armada. Nós pensamos, "agora é hora de fazer um novo", e realmente estamos felizes com os resultados até agora. Esperem por batidas enérgicas.





SM - A mudança que vocês trouxeram para seu som era algo planejado, um velho desejo, ou foi pontual apenas para seguir uma tendência?

HB - Estamos na cena há 10 anos. Para sermos honestos, é chato fazer a mesma música por 10 anos, é como estar no mesmo trabalho fazendo as mesmas coisas dia a dia. Heatbeat é sobre tentar fazer algo original, fresco e combinando sons com música trance. Nos últimos 2 anos tentamos explorar um modo diferente de trance, mais sombrio e enérgico, colocando o BPM um pouco acima, mas sempre aderindo ao som do Heatbeat. Somos o Heatbeat e fazemos Heatbeat Music, esqueça os gêneros ou sons na moda.


A música não é estática, você tem artistas mais puristas e outros que gostam de combinar gêneros ou explorar novos horizontes. Qualquer um dos dois é ótimo e ninguém tem a verdade sobre a música.

SM - O que você pensa sobre a cena trance com tantos artistas saindo e voltando quando falamos sobre o gênero da música?

HB - Acho que isso acontece o tempo todo, em todos os gêneros, em todos os tipos de música. A música não é estática, você tem artistas mais puristas e outros que gostam de combinar gêneros ou explorar novos horizontes. Qualquer um dos dois é ótimo e ninguém tem a verdade sobre a música.

Nós vemos que a música trance está chegando a um ponto realmente interessante, estamos entusiasmados com a boa música que está sendo lançada agora, tantos tipos de trance, de progressivo para uplifting, de sons de Anjuna para o mais sombrio tech trance.



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SM - Na Argentina, vocês têm uma cena de trance muito boa, talvez a maior da América do Sul. Como nós brasileiros podemos nos inspirar na Argentina para desenvolver mais nossa cena?

HB - Se você gosta de música trance com seus amigos e você vê que em sua cidade não há nenhuma festa, FAÇA SUA PRÓPRIA! Todo promoter começou assim, e talvez em 10 anos você esteja fazendo o seu próprio festival. Isso é como a cena cresce.


SM - Agora, vocês estão se voltando para uma pequena apresentação em um clube; qual é a expectativa?

HB - Nós não gostamos de dizer "pequeno", vamos dizer que é mais "íntimo". É grande desde que você possa mostrar as pessoas qual é realmente seu som. É sempre bom tocar mais de 1 hora, que é o que acontece em festivais. Será uma noite íntima, explorando nossos sons da AERYS Records, muitas músicas inéditas e nossos próprios clássicos, mal podemos esperar!





SM - Que artistas os fãs ficariam surpresos em encontrar no seu player pessoal?

HB - Millencolin, Disturbed, Linkin Park, Front 242, Eric Prydz, Solomun.


Se você gosta de música trance com seus amigos e você vê que em sua cidade não há nenhuma festa, faça sua própria.

SM - Muito obrigada pela conversa! Vocês gostariam de deixar uma mensagem para os seus fãs que vão se divertir dia 18 no Audio Club?

HB - Nós não podemos esperar para ver vocês na Áudio Club. Por favor convide seus amigos para uma noite verdadeiramente trance, mostre-nos a energia verdadeira do público brasileiro. Nos vemos alla, hermanos brasileros :)



Foto de capa: Pablo Alonso

Mariela Gregori ॐ

Autora // Advogada, eterna estudante e jornalista aos finais de semana. Fã de rock, viciada em trance e apaixonada por música.

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