Steyoyoke, ethereal techno, entrevista e mix exclusivos: o Soul Button tem muito a nos mostrar

No sentido figurado, “etéreo” é algo celestial, praticamente divino. Algo que já ultrapassou a existência material. Se você for traduzir esse conceito em uma música, então você sabe que tem uma responsabilidade gigantesca em superar suas próprias barreiras criativas em um mundo que é rodeado por trivialidades e apegado pelos prazeres mais terrenos. Deve-se mesmo evoluir.

No caso da Steyoyoke, o processo evolutivo começou há quase seis anos e a maturação é trabalhada diariamente, em família, com total interação entre seus membros, todos procurando a evolução conjunta da marca, em direção ao etéreo, sem o menor tipo de vaidade ou inautenticidade.

O deep house e o techno lúdicos deste selo já são consideravelmente conhecidos entre os brasileiros — BLANCAh, Binaryh e Alex Justino fazem parte do time — e não poderia ser mais justo que o selo venha apresentar seu showcase por aqui muito em breve, começando o ano de 2018. Antes disso, entretanto, alguns desses incríveis artistas dão um pulo na Stereo Minds para compartilhar conosco um pouco de música que é mais que apenas um amontoado de tracks, são exercícios para a mente e o coração.

Soul Button, assim como na história da Steyoyoke, será a gênese desse especial no nosso podcast Dopamine Sessions e aproveitou para falar um pouco em uma entrevista recheada de bons insights, papo que você pode conferir logo abaixo durante o play.







Oi, Soul Button! Prazer em conhecê-lo. Como começou essa bandeira do ethereal techno? Você esperava desde o começo que fosse “grudar” ou isso aconteceu naturalmente?

Oi, prazer em conhecer vocês também, pessoal. Não, o ethereal techno nasceu um dia em Chicago. Eu e o Dahu estávamos em uma turnê na América do Norte. Enquanto eu tocava, a esposa do promoter (que hoje trabalha conosco) estava conversando com o Dahu e disse: “Eu não sei como descrever a música de vocês, eu nunca ouvi nada assim… mas eu chamaria de… ethereal techno”. Quando Dahu repassou o comentário dela a mim, eu disse: “UAU! Isso é a definição perfeita da nossa música”. Desde aquele momento decidimos usar o ethereal techno como nosso gênero. Obrigado à Jewel, quem inventou o nome.

Você acredita que é importante um dono de selo ser necessariamente um músico?

Não, eu acho que não. Há muitos donos de selo com ótimo gosto musical e não são músicos. Quando for pra julgar música, eu confio nos ouvintes mais do que nos compositores. Quando eu tenho algo novo, eu prefiro compartilhar com meus amigos ouvintes e não com meus amigos produtores. Músicos e produtores têm um jeito diferente de ouvir música.


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Quando for pra julgar música, eu confio nos ouvintes mais do que nos compositores.

Eu li algumas vezes que você prefere que a Steyoyoke seja conhecida como um coletivo ao invés de um selo. O quão grande é o time e como vocês todos se convergem em um projeto que lida com ideias de todos os lados e que conta com gente de diferentes históricos culturais?

Nós começamos como um grupo pequeno, principalmente porque queríamos criar um projeto onde todos tivessem sua própria função além de fazer música. A família mudou e continua mudando: alguns artistas novos chegaram, como Clawz SG, Binaryh e JOBE. Outros foram embora. Mas o núcleo principal permanece: eu, Nick Devon, Dahu, MPathy e BLANCAh. Estamos conectados todos os dias. Nós compartilhamos músicas, ideias, contatos e influenciamos um ao outro constantemente. Essa é a parte mais bonita do projeto, eu acho. Nós todos somos diferentes, todos temos vidas diferentes e gostos diferentes, mas nós conseguimos magicamente fundir todas essas diferenças juntos neste projeto sem fazer imposições. É isso que faz o selo evoluir.

steyo3 arte na capa do EP "Limbo", do Nick Devon // por Emmanuel Lafont

Estamos no fim do ano, não repare na nossa vibe sentimental! Haha! Qual você diria que é o aspecto que torna este trabalho totalmente gratificante e como ele se aplica nas conquistas da Steyoyoke?

O aspecto mais gratificante é definitivamente o fato de que eu comecei este selo sem expectativa alguma e ele acabou se estabelecendo bem. Mas isso apenas aconteceu. É claro que eu estou orgulhoso, mas é resultado de trabalho duro. Acho que eu não dormi nenhuma noite nos primeiros três anos! :) Me faz muito feliz o fato de eu ter juntado pessoas incríveis ao meu redor; pessoas que trabalham duro por conta do amor que eles têm pelo projeto. Eu os chamo de “meus anjos”. A Steyoyoke talvez não existiria hoje sem a Kate, a Jewel, o Emmanuel, o Marco e as duas Yulias.


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Nós todos somos diferentes, todos temos vidas diferentes e gostos diferentes, mas nós conseguimos magicamente fundir todas essas diferenças juntos neste projeto sem fazer imposições.

O que mais te inspirou quando você conheceu o trabalho dos nossos produtores do Brasil, mais especificamente o duo Binaryh e a BLANCAh? Há outros artistas brasileiros cujo trabalho realmente te toca?

Os artistas brasileiros estão se tornando uma parte cada vez mais substancial na Steyoyoke. Eu diria inclusive que a Steyoyoke é um selo teuto-brasileiro. Os Binaryh são incríveis e amáveis, tanto como músicos quanto como pessoas. A BLANCAh é a única pessoa no mundo com quem eu me comparo quando o assunto é criatividade e ideias. Nós continuamente compartilhamos sugestões, conceitos e possíveis soluções. E não estou falando de música, estou falando de projetos. Aliás, ela cuida da direção artística da Steyoyoke Black, ainda que o ilustrador principal seja o Emmanuel Lafont!

Nós recebemos muitas demos de artistas brasileiros e acabamos de assinar o Talking Machines, um novo artista de lá.

steyo2 arte na capa do VA "Synergy" na Steyoyoke // por Emmanuel Lafont

Parece que o “Steyoyoke state of art” se espalhou consideravelmente rápido — através de muito trabalho, obviamente. Que conselho você daria àqueles que querem seguir este mesmo caminho? Sinta-se livre pra nos dizer o que você absorveu tanto de momentos bons como ruins, lições tidas da pior ou melhor maneira.

Eu diria para pensar em criar algo que seja seu: seu próprio projeto, seu próprio conceito e seu próprio estilo. Não precisa pensar no que outros selos e produtores fazem. Nós vivemos num momento em que há milhões de selos, DJs e produtores; a única fora de se destacar é definindo o que é seu e ignorar todo o resto.

Lições? Uffff… eu poderia escrever um livro sobre isso. Infelizmente, o mundo da música é uma selva de gente sedenta por sucesso. Pessoas que venderiam sua própria mãe por uma gig. Pessoas que te seguem somente por interesses pessoais e não pelo amor pela música. Há muito tempo eu decidi não interagir com ninguém: a Steyoyoke não tem interações com outra label, nem outro club, agência ou management.

O segredo é fazer você mesmo, ou então afundará para debaixo da superfície mais cedo ou mais tarde. De verdade, eu conheci muitas pessoas no passado que tentaram de tudo pra dificultar meu trabalho. E a razão pela qual ninguém conseguiu e ninguém vai conseguir é porque eu apenas ignoro todas elas. Isso soa arrogante? Talvez, mas é por isso que a Steyoyoke está onde está.

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"Infelizmente, o mundo da música é uma selva de gente sedenta por sucesso.”

Você criou um braço para a Steyoyoke, a Steyoyoke Black, pra apresentar um gosto mais pesado pela música eletrônica dentro do conceito da Steyoyoke, já que vocês amam techno e tinham muito som pra lançar. Mesmo assim, você ainda não tem um lançamento na Steyoyoke Black. Por que? Isso significa que veremos este seu lado em breve?

Honestamente, eu não acho que vou lançar na Steyoyoke Black futuramente. Eu amo a música que lançamos neste selo, assim como amo tocá-la ao vivo, mas meu estilo é diferente. Não é tão pesado ou reto, e eu também não gosto de produzir gêneros diferentes sob o mesmo alias. O Soul Button é profundo e melódico! Além disso, eu tenho meu outro bebê, a Inner Symphony, meu novo selo que precisa de músicas novas minhas no momento. :)

Obrigado, foi bom conversar.

Clique e ouça o set do Soul Button para a Stereo Minds

Rodrigo Airaf ¯\_(ツ)_/¯

Co-founder/Editor-chefe // Brasiliense de 23 anos. Nômade. Festivalouco. Festeiro. Fã máximo do Stephan Bodzin, do Above & Beyond, do Porter Robinson; daquele techno mais macumbeiro, daquele trance mais viajante, daquele house mais groovado, daquelas farofas bem enérgicas, daquelas músicas que tocam a alma e de tudo que for bom e diferente. Trocou de sobrenome. Ama os amigos. Fala alto. Bebe pra caralho. Gosta de experiências. Grato pela vida.

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