Um dos pioneiros da música eletrônica – o que realmente inspira o Manni?

Um dos pioneiros da música eletrônica no Brasil, Manoel Vanni começou como DJ Vanni em 1985 e, junto com DJ Mau Mau, Marcel SK e Franco Jr, criou um dos primeiros lives do Brasil: o M4J. Nesse projeto, explorou house, techno e ritmos brasileiros, lançando dois álbuns que foram aclamados pela crítica e pelo público. Alguns dos melhores DJs da época tocaram suas tracks: Carl Cox, Laurent Garnier, Green Velvet e Derrick May, pra começar. De Londres a Barcelona, Paris a Roma, ele segue o baile em carreira solo e parcerias como esta com a label berlinense Society 3.0., conhecida por seu grande poder de narrativa dentro da música.



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Eu e o Renato Patriarca já trabalhamos juntos há mais de dez anos, creio que já são pelo menos quinze então [risos]. Nossa linguagem musical tem muito conteúdo, que vem desde os anos 60,70,80,90 — a base de toda a música eletrônica que é feita hoje em dia. Sempre gostei de compor algo que não seja tão deteriorável como a música que se faz hoje em dia, algo que possa ser ouvido daqui a uns dez anos e soar como coisa atual ou que possa ser ouvido como algo vintage, mas com uma nova argumentação e conteúdo, algo que faça as pessoas se emocionarem, como era antigamente, quando se comprava um LP e a música era menos descartável e volátil.Manni




Pela Society 3.0, Wave Machine foi lançado em dezembro e tem 14 faixas tech house na agradável linha dos 120 bpm. Nesse álbum, Manni faz um follow-up de outra faixa que produziu em 1998 com o M4J e explora ritmos que foram referência para sua carreira, o resultado sendo repleto de groove e funk. Entre o pessoal que apoiou o trampo, está ninguém menos que Maceo Plex.

Música é cultura e bagagem, que te influencia e te motiva a criar sempre algo novo, mas com uma pegada de um som que já tenha te emocionado antes. Eu e o Renato já tínhamos alguns releases em selos internacionais e decidimos focar em algo mais ambicioso. Então decidimos compor músicas novas para um álbum — até então inédito em nossa parceria — porque, no nosso processo, eu componho e produzo a música como um todo e o Renato co-produz, dando um toque pessoal na composição, arranjo e finalização… mixando, masterizando e, se preciso for, eu volto e dou uma opinião final pra fechar o trabalho.


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Creio que levamos uns 10 meses para concluir o Wave Machine, que tem influências da disco anos 70, Jazz Fusion, house anos 80 e 90, Rap, Kraftwerk, Latin Groove, Samba, Techno, Tech House, enfim, tudo que faz, fez e sempre fará parte da nossa cultura e bagagem musical. Muitas dessas faixas foram compostas por mim aqui no Hawaii, lugar com uma vibe mágica, contagiante e inspiradora. Devo a esse lugar muito da inspiração para criar esse trabalho e por isso o título Wave Machine, porque sou surfista desde os anos 70 e esse lugar é realmente uma fantástica máquina de ondas.

Agora, a Society 3.0 juntou duas grandes faixas de Wave Machine — Pure Juice e I Want You — com dois remixes pelas mãos de Modeplex e Inspector Macbet, para criar o EP Pure Juice. Pure Juice traz um lado muito mais sério e voltado para a pista, mostrando sua versatilidade como produtor e sua experiência em repertório, fruto de uma carreira respeitável como DJ — são mais de 30 anos no rolê. A desenvoltura da faixa-título contrasta um tanto com I Want You, que é mais fluída e profunda.





Manni entrega um EP interessante que pode mostrar exatamente o que os anos nos ensinam. A faixa-título, com sua desenvoltura rápida e ritmada. O remix de Modeplex dramatiza um pouco adicionando um grave no fundo. Já I Want You é uma faixa muito mais fluída e profunda e com a releitura de Inspector Macbet fica ainda mais calma e reta.

Gosto de pensar música dessa forma, como se pensava e se fazia musica na época do Jazz Fuzion, do Rock dos anos 70 e 80, e que se você ouvir hoje inevitavelmente você vai se emocionar, amar, dançar e viajar na maionese pensando no que deu na cabeça dos caras quando compuseram a tal track!
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