Confira Arpejo: um dos melhores álbuns nacionais do ano

Esse álbum é daqueles que eu gostaria de ter o poder de fazer todas as pessoas do mundo ouvirem. Não só porque é algo nacional, mas também de altíssima qualidade e com muita autenticidade. Você pode adquirir o álbum neste link.

Segundo o dicionário, Arpejo significa um acorde de sons sucessivos em instrumento de cordas. Isso diz muito sobre o novo release do selo Nin92wo, assinado pelo talentoso Monobloq.

A sucessividade dá o tom no primeiro álbum deste promissor artista, que tem nas facetas melódicas do techno o ponto de escape para sua expressão artística. Mais do que a coroação de uma sequência de lançamentos incríveis pela 92, Arpejo é um ponto de virada na carreira do Monobloq, que a partir de agora busca novos horizontes.

Bati um papo com o Diego sobre carreira, processos de produção do álbum e projetos futuros. Enquanto ouve, dá um confere:

FELIPE FREITAS: Quando e como começou seu relacionamento com a música eletrônica?

MONOBLOQ: Quando pequeno, tive a oportunidade de ter aulas de teclado e piano, ainda que não fosse maduro o suficiente para ler e escrever partituras.

Ao ganhar meu primeiro teclado Casio, acredito que Chariots of Fire do Vangelis foi a primeira música que aprendi a tocar – de ouvido mesmo.

Jean Michel Jarre é outra figura que também me influenciou quando criança. Esses dois compositores despertaram em mim a curiosidade de como eram feitos aqueles sons “espaciais”. Mais tarde, mergulhei no mundo dos “DAW” e comecei a aprender a fazer meu próprio som “espacial”. Meu primeiro projeto de música eletrônica se chamou Silica.

FELIPE FREITAS: Como você define a particularidade do seu som?

MONOBLOQ: Nem sempre realizo as sessões no estúdio para criar uma música inteira. Gosto muito de experimentar e meditar em cima dos instrumentos que uso. Com isso, desenvolvo constantemente minha assinatura sonora e as ideias para futuras faixas.

Busco, também, mesclar melodias e progressões introspectivas com elementos rítmicos para a pista de dança. Minha perspectiva é a de que uma música com uma pitada de melancolia e tristeza gera muito mais clímax e felicidade por causa da tensão exercida ao ouvinte do que algo mais efusivo.

FELIPE FREITAS: Desde a escolha do nome que o intitula até os detalhes finais, como foi o processo de produção do álbum?

MONOBLOQ: Comecei a produzir o álbum no começo de 2016, após voltar de um período que passei em Goiânia, em decorrência do Showcase da Nin92wo no Réveillon. Já estava trabalhando em alguns elementos antes da viagem e, quando retornei, – mais inspirado – as coisas fluíram de forma incrível.

Desde Maravalhas, abandonei o uso de nomes em inglês e comecei a adotar palavras em português pouco conhecidas, diferentes e primitivas. O arpejo – que é quando as notas de um acorde são tocadas em sequência – está presente em todas as faixas do álbum (ora de forma mais simples, ora de forma mais complexa) e por isso acabou sendo seu título.

Produzi todas as músicas em sequência – inclusive a Amplexo, que saiu do álbum para ser lançada na compilação Arquétipo I da Nin92wo – e depois realizei um trabalho para definir a sequência e os nomes das músicas que envolveram lugares, pessoas e situações diferentes.

A arte de capa do disco representa muito bem o que eu queria – uma criatura que possui uma harpa atrelada às costas – para tocar e contar suas histórias, neste caso, as músicas do álbum.

FELIPE FREITAS: Como você enxerga o futuro do techno no Brasil?

MONOBLOQ: Enxergo uma cena muito mais completa do que foi há uns anos. O estilo possui muitas vertentes e as pessoas começaram a se interessar em descobrir quais são. É uma cena que se desligou do conceito open air e está cada vez mais presente dentro dos clubes brasileiros. Quando o velho e o novo se encontrarem, o país crescerá musicalmente.

É uma cena que se desligou do conceito open air e está cada vez mais presente dentro dos clubes brasileiros. Quando o velho e o novo se encontrarem, o país crescerá musicalmente.Monobloq

FELIPE FREITAS: Seguindo a linha Brasil, como foi para você escolher lançar seu album de debut num selo independente e brasileiro?

MONOBLOQ: Já me relacionei com várias gravadoras internacionais em uma época em que se achava que música eletrônica era exclusividade de estrangeiros. Atualmente, essa realidade é outra, todo ano vários núcleos e gravadoras surgem e ganham destaque com artistas extremamente talentosos que até então eram desconhecidos.

A própria Nin92wo é um exemplo disso. Se desenvolver junto a uma gravadora independente torna cada lançamento especial – principalmente quando é um álbum inteiro – porque você está crescendo junto com o selo, e não crescendo em cima dele.

FELIPE FREITAS: Qual é sua relação com a Nin92wo?

MONOBLOQ:Conheci a Nin92wo em 2012 através do Danke. Ao longo desses 4 anos pude participar de vários lançamentos e showcases. Converso com o crew todos os dias, praticamente. Não é só uma relação artista e gravadora, discutimos diversos assuntos do cotidiano e muitas grandes ideias surgem desse contato diário.

FELIPE FREITAS: Quais são as maiores dificuldades para quem está lançando um album?

MONOBLOQ: Manter o foco na proposta da temática do álbum, ter dinheiro [risos] e cumprir o prazo para o agendamento do lançamento. Talvez essas sejam as universais, sem considerar o gênero musical.

FELIPE FREITAS: A faixa Maravalhas é um das grandes sensações entre os lançamentos desse ano no Brasil. Como funcionou o processo criativo dela?

MONOBLOQ: O timbre principal foi fruto de uma daquelas sessões experimentais que costumo fazer. Eu estava tentando criar algo com movimento, como se um som estivesse sendo raspado ou picotado.

Após a criação do timbre, gravei uma progressão bem simples para o acorde, já que o timbre já estava cheio de efeitos e modulações. Então, todo o resto da música (percussões, efeitos e bateria) foi criado com base naquele som hipnótico. É uma música envolvente, atmosférica, hipnótica e dançante. Gosto muito dela!

FELIPE FREITAS: E para 2017? Quais vão ser os próximos passos que você pretende dar em sua carreira e o que podemos aguardar do Monobloq?

Apesar de alguns lançamentos já agendados, quero trabalhar a divulgação do Arpejo com uma apresentação Live, encerrarei junto a Nin92wo a coletânea de remixes das músicas do álbum e, quem sabe, daqui 12 meses, eu não esteja conversando sobre um outro álbum por aqui!

Felipe Freitas ˁ˙͡˟˙ˀ

Colunista // São Paulo, 22. Formado em Rádio e TV, pesquisador e articulador da boa música, diretor de mídia social, A&R na Medrado Music e CEO na vida.

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