Narrativa de pista: 10 DJs que são verdadeiros contadores de histórias

Independente da fama construída por suas produções, alguns DJs têm visto a oportunidade de se destacar usando criatividade e repertório no papel de seletor de vibes ou verdadeiros contadores de histórias nas pistas. Atualmente, com o revival da pesquisa de vinil batendo forte de um lado e o culto a long sets do outro, a discotecagem ganha maior importância no cenário musical, fazendo com que os artistas se preocupem mais com narrativas e tragam surpresas na ponta da agulha.

Pegar um set longo é fritar mais com seu artista favorito e é sobre acompanhar a bagagem cultural e o universo particular do produtor, que revela a pesquisa por trás de suas criações, cozinhando tudo ali e na hora. Certo? Jornadas ilimitadas também são levadas ao extremo por aqueles que borram barreiras entre estilos, fazendo da experiência ao vivo algo sempre inédito e provocador. E não é de hoje. O famoso “o que der na telha” é a segurança de liberdade necessária para que DJs freestyle possam ir além do trivial ao "discursar" suas escolhas musicais.

Confira alguns nomes que nos inspiram há tempos por ousadia na seleção, incluindo profundidade de pesquisa histórica, obscuridades e truques técnicos de cair a bunda. Aqui, o fator principal é simplesmente contar uma história não-linear. Baileros, apertem os cintos!




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Selvagem

Trepanados e Millos Kaiser são dois ex-jornalistas e DJs que entenderam muito bem esse momento do colecionismo e sairam em busca de uma conquista musical rica e excêntrica, transitando sem limites entre clássicos do house, acid, techno, disco, soul, funk, groove, balearic e sons regionais de todos os cantos do mundo. Sua festa homônima e independente fundada há mais ou menos cinco anos já teve edições para mais de 3 mil pessoas no centro de São Paulo, e hoje o duo se desdobra com o selo Selva.





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Marc Spence

Criado no drum'n’bass de Londres e bem sucedido no g-house 10 anos depois. A bagagem de Marc Spence é tão louca quanto seu case atual. Conheça a série de mixtapes “Off The Kuf Series” pra sacar de onde o cara tira tanta inspiração subgrave na hora de fazer hits de house ao molho inglês como Nasty e vários outros.





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Nedu Lopes

Certamente, se você curte a cultura DJ ou se joga na bass music, já viu Nedu Lopes em ação. Vencedor três vezes da edição brasileira do prêmio Red Bull Thre3Style, o artista é um verdadeiro bricolador de histórias recortadas ao vivo. Agilidade e versatilidade são dois de seus maiores atributos. Saca no vídeo a treta da sua rotina de treinos.





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Justin Martin

Quando você escuta os dois principais álbuns do dirtyboy americano, Hello Clouds e Ghetto & Gardens, você sabe que tem muita referência por trás da sonzera final, o que fica explícito em seus sets de booty house com intervenções de samples de hip hop, break e disco dignos de um dos DJs da Dirtybird. Vale a pena ouvir o que ele aprontava há seis anos com esse set pra FACT.





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Laurent Garnier

Não dá pra falar em freestyle sem mencioná-lo. Pioneiro DJ e produtor francês, ele abusa das influências — do techno de Detroit ao drum’n’bass — na hora de contar suas fábulas. Suas jornadas atemporais podem ser longas como um parto normal. Uma vez em São Paulo, já chegou a tocar por mais de 10 horas ininterruptas em um rolê de segunda-feira no Lov.e Club. Sua pegada de professor de música é notável, com interrupções, pausas e informações sobre a track. Música brasileira, hip hop e jazz também estão em seu radar.





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Rony Rex

O DJ finlandês apareceu recentemente com “Sticky Fingers” — sua primeira e pegajosa track que de cara caiu no gosto do Diplo e do Treasure Fingers — mas há um tempo já apresenta a “Bassoradio”. No programa, o cara é visto entrecortando basslines do figdet house ao gangsta atual, com intervenções de breakbeats. A velha e a nova escola com uma visão ímpar. Resta saber se tal liberdade de DJIng é conferida ao vivo. Quem traz o homi pro Brasil? Na ponta da agulha, escute seu último episódio na rádio:





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Optimo

Inspiração britânica para toda a geração mash-up, contemporâneo aos 2 Many DJs, o projeto de JD Twitch conecta synth-pop, dark wave, minimal, dub e electro com tremenda apuração oitentista. Este é mais um exemplo de quem construiu primeiro sua reputação dentro de cabines de rádio e nas pistas locais para então chegar nos estúdios dos selos com repertório de sobra.





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KL Jay

Pra fechar, a arte do hip hop em pauta, de onde veio a ideia original do freestyle, o “looking for the perfect beat” incorporado pela cultura clubber, não é mesmo? E se é sobre freestyle, vamos falar das batidas de liberdade do mestre do puro feeling: Kl Jay. Cada set, um ato novo... uma zona autônoma temporária. Temos aqui o set gravado na noite de rap do Boiler Room que termina em funk e não é da benção de James Brown:





Curtiu? Se você quer abrir o leque do seu trabalho como DJ, ouvir coisas que estão fora da sua zona de conforto será algo que realmente vai inspirar e te ajudar a criar novas ideias e manter o seu som novo. Mergulhe de cabeça!

Felicio Marmo ɾ⚈▿⚈ɹ

Colaborador // Habitué da cena underground paulistana, 30 anos, apaixonado por arte e inovação. Tudão em prol do rolê desde os 17, se divide entre DJ, publicitário, promoter, professor de marketing e jornalista especializado em música eletrônica com mais de uma década de publicações em revistas, sites e campanhas.

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