O curso itinerante OCLB é perfeito pra quem quer elevar seus eventos ao próximo nível

Outubro fechou de maneira produtiva quando fui até a terra do pão-de-queijo, dos “trens” e “uais” pra participar da edição mineira do OCLB Tour, curso apresentado por Carol Soares e Franklin Costa, que chamo carinhosamente de Frankarol, ou Carolin, ou Francol — ainda estamos decidindo o que funciona melhor — fundadores do Projeto Pulso e da agência de consultoria Mana.

Depois de terem embarcado em uma aventura enriquecedora de nomadismo digital que passou por diversos países, cidades e festivais, os dois uniram seus conhecimentos sobre entretenimento a insights e estudos provenientes desta imersão, culminando na criação deste projeto, o OCLB (fala-se “O Clube”), que visitou três capitais brasileiras — Rio de Janeiro, Brasília e esta que comento, BH — e caminha para sua última edição do ano em Porto Alegre, nesta quarta-feira, dia 08.

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O curso tem duração curta e acontece em 4 encontros. Alguns dos seus slogans, como “um curso para quem leva diversão a sério” ou um “curso sobre o futuro do entretenimento”, ajudam a entender do que se trata o rolê, que acaba por se mostrar ainda mais do que o esperado.

Estamos lidando aqui com dois profissionais que já trabalharam com empresas como Rock in Rio, Tomorrowland, Heineken e Coca-Cola, que caíram na estrada ou voaram no maior estilo “vim, vi e venci” pra levar até você as maiores e mais eficazes inovações na indústria do entretenimento, de uma forma dinâmica, acessível e muito rica. É uma mão na roda praqueles que trabalham com isso, mas que há muito tempo renderam-se às suas prioridades operacionais e não tiveram como dedicar-se a estudar e entender como proporcionar experiências cada vez melhores ao seu público.

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O espaço onde aconteceu o OCLB Belo Horizonte foi o QG da Sympla, plataforma de eventos que se desdobra em todas as camadas possíveis pra que seus clientes promovam eventos de sucesso, um dos fatos que a tornaram uma das startups de maior crescimento dos últimos anos e, literalmente, a melhor de 2015 no Spark Awards. Fez total sentido, então, que a simpaticíssima Karla Megda, Head of Customer Success da Sympla, desse uma palhinha como instrutora no último dia do curso, dando conhecimento privilegiado e de extrema importância pra gestores de eventos de qualquer tipo.

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Sempre reiterado por Frankarol como uma comunidade para além de um curso, a essência do OCLB é criar um espaço de conexões que continua rendendo debates sobre o mercado até mesmo após o curso, através de grupos secretos nas redes sociais e reuniões-ressacão propostas pelos próprios participantes que podem se conectar com colegas de outras edições, fora a oportunidade clara praqueles que querem fechar negócios, parcerias e, why not, novas amizades dentro da indústria.

Ao longo dos dias, esmurra-se com razão algumas teclas relacionadas a criatividade, tecnologia e comportamento, e encerra-se com um workshop que ensina definitivamente como aplicar o conhecimento adquirido em situações reais de gestão de eventos.

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Os cases de sucesso baseados em outros festivais são um plus, mostrando que um evento só tem a ganhar ao superar suas barreiras criativas e se tornar também um bom contador de histórias. Tecnologias emergentes como realidade virtual e inteligência de dados, questões sobre cultura, arte, gastronomia e sustentabilidade, e jornada do consumidor — desde quando se arruma pra sair até quando vai embora do evento — são outros pontos bem explorados e debatidos do OCLB.

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Apesar de inicialmente parecer que as referências mostradas n’O Clube são difíceis de ser incorporadas num mercado como o nosso, é só olhar ao redor e ver o quesito experiência sendo parte do curso em menor escala. Há uma preocupação de Frankarol em nunca deixar o curso chegar perto de algo chato.

Muito além de ter os salgadinhos delícia e a geladeira de Heineken que foi um grande point prum beer-lover como eu, você é surpreendido com dinâmicas em grupo, presentinhos e surpresinhas que vão desde ter que desenhar a cara do seu colega, sair da aula com glitter no pescoço, até comer larvas de besouro desidratadas. Tudo isso acaba te fazendo manter em mente que não se trata de sempre fazer coisas mirabolantes no seu evento e que a jornada do consumidor adapta-se aos seus próprios recursos e objetivos.

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Um dos pontos digníssimos do OCLB, algo que talvez tenha surpreendido até mesmo os organizadores e seja um dos resultados mais gratificantes do curso, é a brodagem orgânica que acabou acontecendo entre profissionais que muito comumente acabam por isolar-se sob o suposto pretexto de que são concorrentes e que não podem ficar trocando figurinhas. Coloque produtores de eventos, fotógrafos, designers e outros profissionais em uma sala, engoraje-os a conversar e o que sai disso é um grande círculo de compreensão, compartilhamento de experiências, aprendizagem e respeito mútuo.

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Tal foi a minha surpresa em descobrir que na edição de Brasília os participantes propuseram-se em fazer reuniões mensais pra decidir o calendário de eventos da vida noturna da capital, de forma que todos tenham chance de realizar seus rolês sem grandes colisões com outros eventos de público similar.

Em Belo Horizonte, o debate final com open pizza e open cerveja deixou as almas tranquilas pra conduzir conversas honestas sobre a cena em que trabalham e sobre os obstáculos a serem superados. Se já se alcança muito individualmente, imagine em conjunto, conectando-se com outras pessoas que perseguem os mesmos propósitos. Essa é uma semente plantada com sucesso pelo OCLB que poderá render ainda mais em edições futuras — e lá estarei novamente, absorvendo todo esse amplo espectro de informações que só um curso de qualidade pode oferecer.

Se estiver em Porto Alegre e quiser dar um pulo na edição final desta tour, não vacila não. Vai mesmo. Inscrições aqui.

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Todas as fotos por Fernanda Figueiredo

Rodrigo Airaf ¯\_(ツ)_/¯

Co-founder/Editor-chefe // Brasiliense de 23 anos. Nômade. Festivalouco. Festeiro. Fã máximo do Stephan Bodzin, do Above & Beyond, do Porter Robinson; daquele techno mais macumbeiro, daquele trance mais viajante, daquele house mais groovado, daquelas farofas bem enérgicas, daquelas músicas que tocam a alma e de tudo que for bom e diferente. Trocou de sobrenome. Ama os amigos. Fala alto. Bebe pra caralho. Gosta de experiências. Grato pela vida.

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