Os 10 anos do Rolldabeetz merecem muitos aplausos e uma entrevista exclusiva também!

Fabo e Pako são dois pilares fundamentais na rica e quente cena curitibana. DJs, produtores e pessoas de grande simpatia dentro do cenário, eles não poupam esforços quando o assunto é a evolução do nosso mercado. Isso fica mais do que comprovado através dos serviços prestados em suas carreiras solo, residências, gerenciamento da Playperview e nos 10 anos de trabalho do Rolldabeetz, comemorados esse ano com uma tour e o lançamento do primeiro vinil do selo e deles também. He Kills For a Prize chegou a mercado com 2 faixas originais e um remix assinado por Davis & Zopelar, coisa fina, encorpada, original e deliciosa de se dançar. Nós não perdemos tempo e trocamos uma ideia com essa dupla simpaticíssima. Vale muito a pena conferir, logo abaixo:

rolldabeetz

STEREO MINDS - Olá, Pako e Fabø. Obrigado por falarem conosco. Vocês recentemente lançaram o primeiro vinil da Playperview, certo? Esse também foi o primeiro disco de vocês como produtores? O que os motivou para produzir esse lançamento em tal formato?

Olá, Stereo Minds! Realmente esse é o primeiro vinil lançado pela Playperview, primeiro de muitos, esperamos [risos]. E sim, este é o nosso primeiro lançamento em vinil também. Era um sonho que tínhamos desde o início do selo, e já que faríamos 10 anos de Rolldabeetz não vimos hora melhor. Acreditamos que isso dará mais credibilidade à Playperview no mercado lá fora, que é um mercado mais exigente.

STEREO MINDS - Brasília possui uma cena um pouco diferente do restante do país. Como é para vocês tocar por aqui? De uma forma geral, vocês enxergam diferenças entre o público de distintas regiões do Brasil?

Pako - Cara, toquei somente uma vez em Brasília na Acqua Boat Party e foi realmente muito foda. Sinceramente, não percebi nenhum tipo de atraso entre a galera aqui do Sul e o pessoal aí de cima. Acho que com essa parada da internet só fica para trás quem realmente não tem interesse no assunto.

Fabø - Eu toquei algumas vezes no projeto 5uinto e realmente não há diferença entre tocar aqui ou no 904, acho que o que muda mesmo é só o sotaque [risos].

Rolldabeetz - Com toda certeza há lugares em que realmente a coisa estacionou, não há uma preocupação de ter uma cena atualizada, eles simplesmente aceitam o que o mercado empurra goela abaixo. Nesses mesmos lugares graças a Deus temos os guetos, onde uma minoria tenta fazer a coisa acontecer como realmente deve ser.

STEREO MINDS - Como exatamente vocês começaram a tocar juntos e qual a razão pela escolha do nome Rolldabeetz?

Pako - Em 2006 eu dava aula na AIMEC e nessa mesma época o Fabø estava fazendo curso de produção. Nos intervalos entre as aulas tínhamos uma sala de recreação onde os alunos podiam tocar. Várias vezes passei por ali e sempre tinha um piá tocando drum n bass, esse foi o nosso elo.

Fabø - Todo intervalo eu pegava minha case e ia para o setup que havia nessa área, sempre corria pra chegar primeiro e ficava lá praticando direto. Um dia o véio vendo que eu estava tocando drum n bass, falou que tinha vários discos e CDs de d’n’b, e a partir disso começamos a dividir as pickups na escola. Fazemos isso há 10 anos.

Rolldabeetz - O nome é simples, na época em que montamos o projeto o objetivo era misturar tudo, tocávamos o que achássemos bom, podia ser techno, d’n’b ou breaks, a música tinha que ser boa e ponto. "Rolando as batidas" foi o nome apropriado.

STEREO MINDS - Estamos numa época onde muito se fala de techno, em praticamente todos os principais clubs do país. Como vocês lidam com esse boom na identidade sonora do projeto? Há uma preocupação em seguir tendências ou as coisas acontecem de forma 100% natural?

Rolldabeetz - Realmente esse “boom” existe, existiu, e sempre existirá. Isso já aconteceu com o deep house, house, tech house, enfim, é um eterno vai-e-volta. No nosso caso, como já falamos acima, o techno nunca saiu de “moda”, ele sempre esteve presente de alguma forma em nosso trabalho, seja como DJs ou produtores. Aliás, nós achamos que sempre vai haver uma bola da vez, mas isso não significa que os outros gêneros desapareçam.

Isso acontece mais frequentemente no Brasil onde temos poucos clubs e fica difícil manter essa diversidade. Lá fora, os outros estilos continuam sempre ativos por mais que exista a tal bola da vez. Agora, falando em produção, ela é sempre a mais natural possível, porém seríamos hipócritas em dizer que o meio não nos afeta de alguma maneira.

STEREO MINDS - Por que Davis e Zopelar foram os escolhidos para remixar He Kills For a Prize?

Rolldabeetz - Procurávamos alguém que estivesse fazendo um som legal. Pensamos em vários amigos e optamos pelo Davis. Conhecendo seu trabalho, achamos que seu remix somaria ao EP. O passo 2 agora era saber se ele toparia ou teria tempo. De cara ele adorou a música e nos disse que faria o remix juntamente com o Zopelar. Ficamos bem felizes.

STEREO MINDS - Sabemos que vocês estão fazendo uma tour que celebra os 10 anos de carreira. Como surgiu essa ideia? Como tem sido a preparação para essas gigs?

Rolldabeetz - Bom, já que estamos completando 10 anos, nada melhor do que celebrar em alguns clubs por aí. Demos o start em nossa casa que é a Vibe e agora estamos pegando a estrada. Acho que a única surpresa é que estamos desenterrando algumas produções e notamos que elas ainda funcionam. E claro que, como sempre, estamos testando produções novas.

rollaprize capa do disco He Kills for a Prize

STEREO MINDS - Vocês são artistas de carreiras consolidadas e através dos anos se tornaram referências dentro da cena. Como vocês enxergam o momento atual da música eletrôncia no Brasil? Há algum jovem DJ ou produtor que mereça destaque atualmente?

Pako - Realmente a música eletrônica não tem do que reclamar, há anos estamos em ascensão. O que me preocupa e não é de hoje, é essa massificação, esse oportunismo barato de certos "DJs" que acham que tocar só o que o povo quer é o certo, que fazendo a galera ficar com o bracinho pra cima é que é legal, e você será um “DJ” requisitado por esse (de)feito. Meus amigos, nem só de hands up se faz uma boa pista, uma musica não é só uma virada barulhenta ou um bassline gordo, ela é muito, mas muito mais que isso.

Eu venho de uma época em que o bom DJ ditava as tendências numa pista. Eu sou DJ e não uma Juke Box onde você coloca um real e escolhe a música. Há tempos a profissão DJ foi banalizada por “n” motivos, porém pode ter certeza de que o maior motivo foi o de o DJ esquecer do seu verdadeiro propósito que pra mim é, fazer as pessoas dançarem boa musica.

Alguém que estiver lendo isso vai perguntar pro babaca aqui, "e quem é você pra dizer o que é música boa”, e eu responderei, eu sou eu meu amigo, não sou o dono da razão mas graças a Deus vivo numa democracia, sou DJ há 27 anos na mais alta atividade, continuo pobre e de cabeça erguida sem arrependimento pois nunca fiz nada só por grana. Tem uma coisa que a maioria das pessoas esqueceram com toda essa massificação, uns acham que ter dinheiro é o mais importante na vida, outros como eu, acham que o importante não é ter preço e sim ter valor. Não espero que todos concordem comigo, não mesmo, só espero que antes de qualquer crítica você realmente tente entender o que eu disse.

Fabø - Eu enxergo como um momento muito bom. A música eletrônica cresceu muito aqui no Brasil desde que eu me enfiei nessa [risos]. Vejo que aparecem várias “novas gerações” a todo o momento, e vários núcleos novos com propostas diferentes se arriscando. Isso não acontecia tão frequentemente 5 ou 6 anos atrás. Acho também que a política e a banalização sempre vão existir nesse ou em qualquer outro meio, provavelmente irá aumentar com o crescimento da cena, mas as coisas boas também crescem, só não enxerga quem não quer.

Achamos que há uma efervescência muito grande de novos produtores no Brasil. A Playperview acredita muito no potencial de seus artistas como Maax, Dake e Victor Enzo. Em São Paulo deve ter uma turma grande de jovens produtores que desconhecemos, tem o Benjamin Sallum que é jovem e é de lá.

STEREO MINDS - Para finalizar, falem um pouco a respeito dos planos para o Rolldabeetz. Lançamentos, projetos, novidades... o que podemos esperar?

Rolldabeetz - Temos agora para o meio de setembro o lançamento digital do EP He Kills for a Prize e em novembro um novo EP que já estamos testando há algum tempo. Teremos muito trabalho com a Playperview, nossas carreiras solo e muitos projetos na cabeça. Obrigado Stereo Minds pelo espaço e precisando de alguma estamos aí. Abraços!

Nós que agradecemos <3



foto de capa: Warung Beach Club
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