As estratégias de sucesso dos principais selos de música eletrônica do mundo

Muitos selos de música eletrônica existem desde a época que só se vendia vinis, mas, com o crescimento do mercado digital, o aumento do consumo de música em plataformas como Spotify e Apple Music e, principalmente, o surgimento cada vez maior de novos artistas e novos conteúdos, cresce a quantidade de novos selos no mundo. Sejam grandes ou independentes, eles se multiplicam para atender essa demanda, buscando identidade e relevância no mercado dentro do seu segmento musical.

Selo: é uma divisão própria ou dentro de uma gravadora (podendo inclusive ser chamado de gravadora), que lança fonogramas que se identificam com o perfil musical planejado, e onde a equipe de A&R (artists and repertoire) decide o que é interessante lançar ou não, e define a estratégia de lançamento

Os selos podem ter diferentes objetivos para lançar suas músicas - que podem depender também da época do ano. Em alguns casos, certas músicas podem estar focadas mais em streaming, rádio e publicidade, e outras estarem voltadas apenas para a pista. Existem labels, por exemplo, que lançam músicas apenas em vinil até hoje e assim se classificam dentro de tal cena ou nicho. Já outras são lançadas como forma de expansão de festas, clubs e núcleos de DJs.

Dentro desses núcleos, as tracks são enviadas para nomes expressivos do mercado, que muitas vezes dão suporte e as transformam em sucessos. Alguns hits mundiais nem sempre estouram por conta de divulgação e marketing do selo, mas por causa dos DJs, principalmente no período em que se realizam grandes festivais, ou no verão europeu, com as temporadas de festas em Ibiza e na Croácia. Já outros selos preferem ter suas faixas conhecidas apenas em determinados segmentos, sem o objetivo de transformá-las em hits.

A cada dia que passa, mais DJs e artistas fundam também suas próprias labels, que se caracterizam por determinado estilo musical no seu meio. Musical Freedom do Tiesto, Axtone do Axwell, Snatch! do Riva Starr, Get Physical do M.A.N.D.Y., Toolroom do Mark Knight, Hexagon do Don Diablo, Cuff do Amine Edge & Dance, Bunny Tiger do Sharam Jey, Subliminal do Erick Morillo, Revealed do Hardwell , Dim Mak do Steve Aoki, Protocol do Nicky Romero, OSWLA do Skrillex e Hot Creations de Jamie Jones e Lee Foss são algumas que muitas vezes licenciam tracks para outros selos e majors, criando parcerias de negócios entre diversos territórios.

Um selo de música eletrônica às vezes leva alguns anos para se estabelecer e criar uma identidade reconhecida no seu segmento. Quem imaginava que a Spinnin’ (a maior do mercado atual de música eletrônica) e a Hed Kandi foram lançadas em 1999?

O público em geral não está nem aí pra que selo lançou tal track, mas os DJs e pessoas envolvidas no mercado são muito ligados nisso. E quando falamos em gravadoras de música eletrônica, alguns dos primeiros nomes que lembramos são Ministry Of Sound e Hed Kandi por terem feito um trabalho fantástico de branding ao longo de décadas, onde as marcas em si eram mais fortes e lembradas do que qualquer música ou artista das labels.

Quase todos os selos disponibilizam seus contatos para receber demos e muitos produtores brasileiros já tiveram músicas lançadas por grandes labels internacionais, como as citados acima. Mas vamos aos principais selos e suas estratégias:

4d832601-d180-408c-8301-1078dc8f2adc Ministry Of Sound em Londres

Ministry Of Sound e Hed Kandi

A MOS se mantém como uma das gravadoras mais lembradas no mercado por ser ter se transformado em uma grande potência na indústria da música e do entretenimento mundial. Adquirida recentemente pela gigante Sony, a marca iniciou suas atividades em 1991 com a abertura do consagrado club no sul de Londres, promovendo grandes festas e levando os principais DJs do mundo para se apresentar por lá.

O club é uma peça fundamental na disseminação da house music e do techno na Europa e por abrir diversas frentes de negócios para a marca, lançando famosas compilações como Clubbers Guide, Trance Nation, The Annual, Running Traxx e Chilled House, que sempre foram referências para os DJs. Ao longo dos anos, a companhia abriu também sua editora, produtora, rádio, revista, site de notícias, loja, marca de headphones e até uma academia.

3ad1ccc5-19aa-419b-869c-cc2db4f18d12-min Os desenhos da Hed Kandi

Além disso, passou a ser detentora da Hed Kandi, selo que é conhecido pelas capas que são uma obra à parte, com desenhos de lindas mulheres. Os lançamentos são sons leves da house music, característica principal do selo. Pure Kandi, Disco Heaven, The Mix, Beach House e Winter Chill são algumas coletâneas importantes do selo, que foi se tornando mais pop ao longo dos anos. Por fim, a MOS começou a vender label parties para muitos países e o Brasil mesmo já teve diversas edições de festas assinadas pela marca.

a470baf7-e080-4947-9ded-81cac555a1e5 Escritório da Defected

Defected

É o mais sólido selo de house music do mundo. Situada em Londres, a Defected já teve uma pegada mais comercial em seus lançamentos, mas de uns anos pra cá, passou a seguir também um lado mais underground. Tem em seu casting grandes nomes como Sandy Rivera, Franky Rizardo, Purple Disco Machine e Dennis Ferrer, e todo ano são esperadas as coletâneas anuais como Defected In The House, Most Rated, The Opening Party e House Masters, que convida grandes DJs a cada edição para revisitar clássicos que marcaram suas carreiras.

A Defected também assina palcos em festivais, festas em Ibiza como a Glitterbox e atua em outras frentes de negócios como radio show semanal e merchandising. O selo detém os direitos de outros selos menores de house como Azuli, Shifted Music, Bargrooves, Fluential e Soul Heaven. Produtores brasileiros como Boghosian e DJ Meme já lançaram pela Defected.

spinnin-logo Logo da Spinnin'

Spinnin’

É o maior selo de música eletrônica atual. Dona dos hits mais tocados pelos headliners dos maiores festivais do mundo nos últimos anos como Animals, do Martin Garrix, Tsunami, do DVBBS e Bourgeous, Gecko, do Oliver Heldens e Tremor , do Dimitri Vegas & Like Mike, a Spinnin' é grande influenciadora do movimento EDM. É dela também o super hit Hear Me Now, do Alok, Bruno Martini e Zeeba.

Diferente da Ministry, a Spinnin’ focou todos esses anos em lançar bastante conteúdo no formato single track ao invés de lançar coletâneas e atuar em diversas frentes de negócios, tendo em seu casting e nos lançamentos os principais nomes da cena eletrônica como Tiësto, Nervo, Martin Garrix, Chocolate Puma, Laidback Luke, Sam Feldt e R3hab. A label apostou também em muitos desses nomes quando eles ainda eram desconhecidos. São muitos, mas MUITOS singles em seu catálogo.

Há pouco tempo criou sub-selos como a Spinnin’ Deep (focada em electro e future house), Spinnin’ Premium (que lança faixas de novos artistas) e Heldeep Records (do Oliver Heldens), além da Talent Pool que é uma plataforma do selo para descobrir novos talentos.

Armada

Fundada por Armin Van Buuren em 2003, a Armada vem se tornando um dos selos mais importantes do mundo. Diversificando estilos como o trance, o house e o chillout, ganhou o prêmio de melhor label em 2015 pela IDMA’s (International Dance Music Awards). O selo também é dono da marca “A State Of Trance”, que promove label parties e podcasts.

A Armada Music tem mais de 25 subselos de diferentes países representando diversos segmentos da música eletrônica e tem como A&Rs seus próprios artistas e donos desses selos, como Paul Oakenfold, Markus Schulz, Paul van Dyk, Dash Berlin, Andy Moor e Max Graham, entre outros. O produtor brasileiro Nato Medrado acaba de lançar seu single The Minor por lá.

Na gravação do clipe da Freefall, Armin chamou todo o time de Armada para pular de paraquedas.

Suara

Com o slogan “all about music and cats”, a Suara se destaca a cada dia na cena underground com suas famosas capas com fotos de gatos, com a missão de ser uma organização não-lucrativa com para cuidar de gatos de rua. O selo criado pelo DJ e produtor Coyu atua em outras frentes de negócios também como festas e loja online.

Thyladomid, Gabe, Oxia, Superlover, Latmun, Moby, Victor Ruiz, Noir, D-Formation, D.E.C.A.D.A., Dosem e Josh Butler são alguns dos artistas que têm lançado pela label.

avatars-000046359144-mc0qua-t500x500

Ultra

O selo está em 34o lugar no Youtube como o maior site de videos do mundo, e desde 2012 se juntou à Sony Music, aumentando as possibilidades de distribuição internacional e marketing promocional. Tem no seu casting artistas do porte de Calvin Harris, Kygo, Alan Walker, Flosstradamus, Steve Aoki, Above & Beyond, Claude Von Stroke, Kaskade, Sofi Tukker e Lost Frequencies.

O selo já ganhou diversos prêmios por músicas como Cheerleader, do OMI, Five More Hours, Do Deorro e Chris Brown, Gangsta Walk , do SNBRN e Are You With Me, do Lost Frequencies. Em 2012, a versão de Skrillex para a clássica Cinema, do Benny Benassi, ganhou o Grammy de melhor remix. Já o hit Drinkee, do duo Sofi Tukker, foi indicado esse ano ao Grammy de melhor música dance.

Positiva

Poucos lançamentos por ano e alguns dos maiores hits de todos os tempos. Esse é o principal posicionamento da Positiva, sub-label da EMI, que lançou clássicos como Toca's Miracle, do Fragma, Groovejet, do Spiller, Lola’s Theme , do The Shapeshifters, Flashdance, do Deep Dish e When Love Takes Over, do David Guetta. O site tem uma linha do tempo com os principais lançamentos por ano e, hoje em dia, trabalha em parcerias com a Spinnin’ e a Universal, licenciando conteúdo para determinados países.

Screen Shot 2017-03-31 at 00.02.45-min

Flamingo Recordings e Tiger Records

Dois selos que hoje em dia não estão em alta, mas que criaram algumas das melhores estratégias já vistas no mercado para estourar um hit. Como a Flamingo fez com Tung, do Deniz Koyu. Essa faixa de 2011, que não tinha nem título na época, foi tocada durante um ano em festivais, pistas e radio shows por praticamente todos os grandes DJs internacionais, como Kaskade, Tiesto, Erick Morillo, Steve Angello e Fedde Le Grand, co-fundador da label. Quando foi lançada, já era era um hit antes mesmo do lançamento. Além de Tung, a Flamingo lançou músicas de Hardwell, Yves Larock, Funkerman, Gregor Salto e Nari & Milani.

A mesma estratégia foi feita pela Tiger Records ao lançar o mega hit Who, oe Tujamo. A track foi distribuída primeiro para os DJs e o próprio Tujamo fez um vídeo mostrando quem estava tocando sua música em todos os cantos do mundo. Avicii, Bob Sinclar, John Dahlback, Alesso e Afrojack foram alguns deles.




São infinitas labels no mercado internacional. Em breve na Stereo Minds, um review sobre os principais selos nacionais de música eletrônica.

Rodrigo Rodríguez ( ͡° ͜ʖ ͡°)

Colaborador // DJ e curador musical, além de publicitário e jornalista por formação. A&R do selo Austro. Apaixonado por música eletrônica e festivais. Ligado sempre em 220v. Só bebe água e nada de álcool. Já curtiu muito trance europeu, mas de muitos anos pra cá é do house. Viciado em séries. Fã de Daft Punk, Jamiroquai, The Chemical Brothers, New Order, Disclosure e Erick Morillo. Ouve música e fica conectado quase 24h por dia.

Publicidade

Participe da conversa