São paulo sendo São Paulo no terceiro SP Na Rua!

As outras grandes cidades do mundo que me desculpem, mas que São Paulo é sinônimo de noite boa isso é. No último sábado isso foi mais uma vez comprovado de maneira gloriosa.

A terceira edição do SP Na Rua, uma ação da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo que marcou a abertura do mês da cultura independente, aconteceu no centro histórico em meio a prédios lindos, projeções incríveis, e com 25 espaços e ações itinerantes. Foram 10 horas de muita música, instalações e projeções artísticas. Nesta edição, tivemos 57 núcleos festivos.

Naquela noite aconteceram praticamente todas as melhores festas da atualidade aqui da Selva de Pedra e teve pra todos os gostos: rap, reggae, rock, música brasileira e várias vertentes da nossa tão amada e-music.

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Particularmente gosto muito da idéia de festas de rua, frequento bastante e, apesar disso não ser uma novidade em SP, de uns anos pra cá temos ganhado força nessas iniciativas graças a projetos como Voodoohop, Free Beats, Calefação Tropicaos e muitos outros coletivos que invadiram as ruas.

Saindo do metrô no Centro, já percebi que a noite estava diferente; muita gente desde a catraca invadindo as ruas. E não eram pessoas perdidas ou curiosas, eu realmente vi nas ruas pessoas que vejo nas festas, gente montada, pintada, purpurinada, pelada, enfim... toda aquela pluralidade que só a noite de SP proporciona. Héteros, gays, brancos, negros, altos, baixos, bonitos, feios, exóticos, exagerados, simples... Todo mundo pôde estar ali e participar igualmente!

Um evento desse porte carrega uma responsabilidade imensurável. 10 horas de pessoas enlouquecidas pelas ruas demanda muita preocupação e estrutura. Nada estava tão fora do lugar. Nas laterais ou ao fundo dos palcos havia ambulantes bem posicionados, porque sim, nossa catuaba, cerveja e vodcas baratas coloridas também precisam estar ali. Vi carrinhos de lanches em geral, ou seja, ninguém precisou fazer a louca e passar mal, quem quis comeu.

Tentei não citar nomes pra não ser injusto com ninguém, já que aparentemente todas as festas foram fodas, mas após uma rápida andada resolvi parar e curtir a noite no palco da ODD/Selvagem, por serem festas que curto demais e também por acreditar que foram posicionados no melhor lugar. Encontrei muitos amigos e pessoas queridas, não me senti inseguro por nenhum momento (o que é muito dificil por ali), ouvi sets impagáveis, e todos vimos o dia amanhecer curtindo num espaço que é nosso!

sp-na-rua-odd-768x576 Palco ODD/Selvagem na praça do patriarca

Sempre falo em meus textos sobre a questão do lixo, porque creio que nossa educação em relação a isso está muito longe da ideal, mas pelo menos no palco onde estive, as pessoas não jogaram seu lixo no meio da pista e sim nos cantos em volta de vasos ou do toten que foi inserido com o mapa do evento. É um gesto pequeno, mas que não deixa de ser importante.

Quando amanheceu e o som foi desligado, a cena inesquecível foi o gosto de "quero mais" que o evento deixou, onde as pessoas estavam felizes partindo animadas para continuar o rolê nos afters por aí.

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Fico muito contente de ter vivido isso, de saber que faço parte de uma juventude que mostra que é capaz de fazer acontecer um evento assim. Gosto porque mostra que você pode sim se divertir sem precisar pagar preços abusivos para entrar e/ou beber nos lugares, o que aqui em SP é bem comum. É lindo ver esse sentimento de colaboração e coletividade até no momento de diversão.

Mesmo com tribos tão diferentes circulando juntas, não vi brigas, embora também não vi muita polícia — o que nunca sabemos se é bom ou ruim — não vi nada de grave ou ruim acontecendo, não vi ninguém passar mal, mas vi ambulâncias. Claro que num evento como esse sempre vai ter o espertinho querendo seu celular, o ladrãozinho enfiado no meio de gente do bem, mas isso é inevitável em qualquer situação e talvez pela primeira vez essas desavenças não são o assunto principal de um grande evento de rua.

Por muito mais noites como esta e que não sejam só em São Paulo! Pra finalizar, clique aqui para ver o trabalho do fotógrafo Andre Ligeiro, que clicou de forma espetacular quem esteve no evento.

Samuel Carvalho く(._.) ゝ

Autor // Paulista, 29 anos, publicitário, maluco por trance, amante de um bom techno, minimal e eletro, muito jovem, falador, adora descobrir tudo de novidade musical e falar sobre, fumante de cigarro de menta sim, odeia falar no telefone, bebe com muito gosto uma cerveja bem gelada sempre que pode, curte tomar guaraná no festival e é o louco do mentos.

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