[REVIEW] Os maiores erros e acertos do Ultra Brasil

*Texto colaborativo por Matheus Tavares, Nayara Storquio, Raiane Reis, Rodrigo Airaf, Samuel Carvalho e Vinícius Arcelino.

Fazer esse Ultra Brasil acontecer não foi fácil.

Desde que foi anunciado, lá em 8 de dezembro de 2015, até o último domingo, no dia 15, foram 312 dias de expectativas, ansiedades e muita tensão, numa jornada épica que quase culminou no cancelamento do festival.

Mas no final, os deuses do eletrônico conspiraram em nosso favor, e teve Ultra sim (#thanksgod). A única coisa que fãs, organizadores e artistas pensaram ao ver esse belo e grandioso main stage foi: "We made it". O festival aconteceu e foi bonito de se ver.

ultra brasil 2016

Estamos felizes, mas não iludidos. É sábio reconhecer que nem tudo foi perfeito. Longe disso. Talvez a mudança de local de última hora e toda a nossa alta expectativa e deslumbramento em torno da grife Ultra sejam partes da culpa. Mas o fato é: a edição brasileira do Ultra Music Festival teve alguns pequenos e grandes tropeços, e todos estamos conscientes disso.

Não senti clima de festival. Parecia mais uma festa grande.André Martins

Entrar no festival: problemático para alguns, tranquilo para outros

Chegamos no Sambódromo e ficamos um pouco perdidos. Não havia sinalização de onde era o acesso ao festival. Por isso, muitas pessoas tiveram que dar a volta na Marquês de Sapucaí a pé ou de carro para encontrar a entrada. Já na mesma, enquanto que alguns conseguiram entrar facilmente, outros enfrentaram filas extensas e tumultuadas que, dependendo do horário, chegaram a durar 1-2 horas.

14721492_10154063954612945_7755688115518675017_n

E aí veio a revista dos seguranças. Os caras fizeram uma revista bem cabulosa, ao menos no segundo dia, o que é bom para prevenir armas de fogo e venda de substâncias ilícitas, porém pode causar um certo desconforto pelas "apalpadas" que muitos reclamaram ter tido.

O main stage era lindo e o sistema de som poderoso

Depois de percorrer a pista reta da Marquês de Sapucaí, chegamos à área da Apoteose e nos deparamos com um main stage bem top e futurista, que definitivamente calou a boca de todos os reclamões precipitados da internet. À noite, o sistema de iluminação e leds de última geração impressionava até quem estava lá no fundão. O som estava sempre muito limpo e forte em todos os lugares. O main stage foi a melhor coisa, em termos de estrutura, desse Ultra Brasil.

QUE SISTEMA DE SOM, SENHORES! O Mainstage, que nas fotos vazadas parecia pequeno, puff, ficou lindo demais! E a noite se transformava num show de luzes e efeitos que meus olhos brilhavam.Vinícius Arcelino
14717270_10154205728188999_115354827619165760_n foto: reprodução/facebook

O que o main stage tinha de sobra, era precário nos outros dois palcos secundários. O Resistance tinha uma boa acústica mas era apertado e, talvez, muito conservador. Enquanto isso, o UMF Radio sofreu com a falta de capricho. Um palco pobre para um festival desse nível e, para as ótimas atrações que lá se apresentaram, o pequeno espaço lotou rapidamente.

resistance ultra brasil 2016 Palco Resistance. foto: Ariel Martini

umf radio ultra brasil 2016 Placo UMF Radio. foto: Ariel Martini

Um ponto positivo foi a esperteza da produção em liberar o acesso a uma das arquibancadas, que não só serviu como local de descanso mas também como um lindo mirante para observar toda a grandiosidade do festival. Apesar disso, ficou claro pra todo mundo que, embora o Sambódromo tenha "quebrado o galho", não é o local ideal para o nosso querido Ultra Brazuca. Seguimos adiante.

A água era cara e as filas bem demoradas

De suvenires à lanches e bebidas alcoólicas - sabemos que as coisas são caras em um festival, mas uma água de apenas 300ml a 8 temers? Ouch, produção! Esse preço abusivo foi uma das maiores críticas de quem foi ao festival.

Só para ter uma ideia, a Priscila Brito, do blog Festivalando, fez uma comparação entre o preço da água nos principais festivais que rolam no país, e ainda tirou da cartola uma excelente análise sobre o assunto:

image

Tem alguém muito fora do tom e esse alguém é o Ultra. Primeiro, porque a diferença é clara. Segundo, porque não estamos falando de algo que se pode optar ou não pelo consumo; água é um item básico de sobrevivência, e mais ainda em determinadas situações (entendedores entenderão). Terceiro, porque sabemos que o padrão Miami é ofertar estações de água gratuita e esse padrão não foi importado junto com a marca que veio ao Brasil.Priscila Brito, do Festivalando


À medida em que o festival ia enchendo, as filas iam aumentado, sejam filas para ir ao banheiro, para adquirir o cartão cashless ou pegar bebidas. Houve relatos de pessoas que esperaram de 25 a 30 minutos em uma dessas filinhas. Foi chato, estressante e comia partes do show.

Ficou evidente que houve uma economia na quantidade de banheiros e atendentes de bares. E isso atrapalhou na experiência Ultra prometida pelo festival. Soma-se a isso a relatos de falta de educação, despreparo e mau humor de alguns atendentes de bar/caixa, ambulantes e seguranças.

Depois das 21 horas era impossível não perder pelo menos 15 minutos para comprar cada bebida, sem falar que 8 reais numa garrafa de 300ml de água? Abuso! Quem abusou também foram os seguranças do evento, que agiram de forma grotesca e educação nível zero.Samuel Carvalho

O sistema cashless é uma boa ideia, mas não foi bem executado. Tanto pela comunicação ao público sobre isso às vésperas do festival quanto pela má fé de alguns funcionários, que aceitavam dinheiro quando, em teoria, o cartão seria a única forma de pagamento. Ainda houve críticas à falta de caixas para reembolso do valor do cartão, o que fez muita gente desistir de recuperar seus 6 reales de taxa.

Todo o estresse com os problemas de organização rapidamente ia embora quando os DJs começavam a tocar.

Os artistas fizeram bonito na Sapucaí

Sabendo que gosto é algo complicado e que houve divergências de opiniões entre a nossa própria equipe, vamos falar pontualmente sobre algumas das apresentações dos DJs no Ultra Brasil.

dash berlin ultra brasil Dash Berlin no Ultra Brasil

No Main Stage, Above & Beyond fez todo mundo chorar mais uma vez. Martin Garrix surpreendeu com um set bem maduro e de alta qualidade até o fim. Dash Berlin fez um set bem cremoso, chamando o público para cantar em alto e bom tom todos os vocais pop que gostamos de ouvir. Por outro lado, Carnage foi o mais pesado (com o perdão do trocadilho), Sunnery James e Ryan Marciano deram um show tribal e Jauz saciou a nossa fome de bass house.

Above & Beyond: terapia mais incrível que pude presenciar, foi lindo, fora desse mundo.Raiane Reis
Eu gostei muito do set do Dash Berlin, que soube brincar com o público e colocar todo mundo pra cantar e pular junto em vários remix, como o da música 'Hello', da Adele.Nayara Storquio
steve aoki ultra brasil 2016 Steve Aoki no Ultra Brasil

hardwell no ultra brasil 2016 Hardwell no Ultra Brasil

Por fim, os carismáticos Steve Aoki e Hardwell empolgaram e fizeram aquilo que todo mundo esperava deles: uma farofa bem executada. O Hardwell inclusive fechou seu set com a nova música do João Brasil, Michael Douglas, que simplesmente grudou na cabeça da galera (você deve estar agora cantarolando "nunca mais eu vou dormir" em sua mente).

Por outro lado, o DJ SNAKE parece ter ficado puto com a falta de resposta do público durante seu set. Diversas vezes, SNAKE tentou chamar/levantar a galera em vão. O povo edmzeiro brasileiro, que agora está viciado na "lowzeira deep house", pouco se animou ao set pancadão do DJ Snake, que nos primeiros 30 minutos violentou a Apoteose com uma boa sequência de trap e dubstep. A bass music não é tão forte aqui quanto nos Estados Unidos.

O público cantando Let Me Love You foi o ponto alto do set do DJ Snake

Já no palco UMF Rádio, a galera se esbanjou tanto no house, nu disco e brazilian bass como no nosso querido e amado trance. Tivemos ótimas apresentações do Heatbeat, Cosmic Gate, Vini Vici, Infected Mushroom e Markus Schulz. Os novos talentos brasileiros Cat Dealers, Dashdot, Chemical Surf e Bruno Furlan também merecem destaque.

infected mushroom ultra brasil 2016 Infected Mushroom no UMF Radio. Foto: Ariel Martini

cat dealers ultra brasil 2016 Cat Dealers no UMF Radio.

Há quem diga que Nicole Moudaber foi a melhor atração do palco Resistance. Ela tocou um techno mais encorpado, um tanto obscuro mas com muito groove. Já Pan Pot foi pesadíssimo, com um techno bem reto e rápido. Steve Lawer e Hot Since 82 também mandaram bem.

carl cox ultra brasil 2016 Carl Cox no Ultra Brasil

Carl Cox foi excelente, e não ruim como alguns disseram. O DJ passou de techno para o tech house, house e até minimal. E teve várias músicas com melodias lindas no meio do set. O que aconteceu é que gente que não é do techno foi lá ver o cara só pelo nome e não entendeu. Mas quem era do rolê gostou muito e foi o show mais animado.

O techno do Carl Cox não é para você dançar só durante 15 segundos depois do drop. Tem de haver conexão e realmente entrar na vibe.Guilherme Thuran

Ano que vem vai ser melhor ainda!

O Ultra valeu a pena sim. Foi ótimo. Todos saíram felizes porque a música prevaleceu e dançamos até dizer chega. Quanto aos erros, fechamos com a reflexão da Priscila:

Apontar falhas e problemas não é o mesmo que desaprovar algo. Pelo contrário, é oferecer elementos para que esse mesmo algo se aperfeiçoe e, consequentemente, melhore. Ultra, a gente te quer de volta, e bem melhor do que você foi <3Priscila Brito, do Festivalando



Foto de capa: Ariel Martini
Publicidade

Participe da conversa