Chamamos Dirty Noise para comentar o novo álbum do Excision

Hoje (25) foi lançado oficialmente VIRUS, o novo album do canadense Excision, um dos principais artistas do dubstep.

Pra quem não conhece, Jeff Abel, o Excision, é um DJ e produtor que além de ser responsável pelo selo Rottun Recordings, ainda é membro do trio DESTROID, junto com o também DJ e produtor DOWNLINK e o baterista e produtor KJ SAWKA (também baterista da banda Pendulum). As ligações com grandes artistas não são acaso, já que estamos falando do talvez mais ovacionado artista do dubstep, depois de Skrillex.

O Excision consegue evoluir em suas produções sem apelar. Seu som é pesado e com muita energia desde sempre. A parte visual do seu trabalho também é impecável, tanto nos gráficos estáticos manipulados no Photoshop, quanto nos vídeos dos seus shows. São trabalhos que inspiram não só a bass music, mas toda a cena eletrônica.Dirty Noise, que é fã declarado.

Para fazer essa matéria, chamamos o DJ brazuca Dirty Noise, que é referência em dubstep no país, e esteve com o cara no EDC Brasil, em 2015, para tecer seus comentários super valiosos sobre as tracks do álbum. Lembrando que teremos Dirty Noise fazendo um set especial para nosso podcast Dopamine Sessions no próximo dia 04!

Comentários track by track por DIRTY NOISE. Aperte o play e curta com a gente!

01. Virus

O álbum já começa acelerado com a faixa que dá nome à obra. É um Drumstep (mistura de drum n' bass com dubstep) cheio de timbres raivosos, mas que na metade se transforma num Dubstep. Muito boa!

02. Neck Brace (feat. Messinian)

O vocal do rapper Messinian está presente em diversas tracks do Excision, como X Rated, X Up, além de tracks de outros produtores de dubstep como Barely Alive, Dodge & Fuski, Datsik, Figure e muitos outros. Então posso dizer que é um vocal classico das tracks desse gênero. E mais uma vez essa dupla destrói!

03. Throwin' Elbows (feat. Space Laces)

Essa track era esperada há meses. Cada vídeo do Excision tocando ela, causava orgasmos nos fãs de Dubstep. Além da guitarra que dá o climão headbanger, essa faixa tem vocal extraído de Let's Get Dirty, do rapper Redman e também o sample clássico de Shut'em Down, do Public Enemy (1,2,3,4). Os timbres metálicos e o snare (caixa) do tipo "latão", dão uma sonoridade diferenciada da maioria das tracks atuais. É uma bomba!

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04. Rave Thing

Em mais um Drumstep pesado, Excision deixa claro que tem a fórmula pra deixar todo mundo louco na pista. Essa track tem início com rolos de bateria, levando a crer que se trata de uma banda de Heavy Metal, mas logo cai num synth hardcore clássico do inicio dos anos 90 fazendo um bulding up (subida até o drop).

Quando explode pro drop, é aquela coisa: uma mistura de distorções, wobbles, barulhinhos e samples de vocais de hip hop. Tudo harmonicamente bem organizado. No drop down (paradinha no meio da track) entra um tipo de vocal étnico/indiano, um momento pra dar uma acalmada e logo voltar a porradaria.

05. Drowning (feat. Akylla)

A primeira track "mais comercial" vem com o vocal de Akylla, numa base mais melodica e sem wobbles, lasers ou qualquer outra loucura. Os synths e vocais são cheios de reverbs e bem constantes. Lembra um pouco os trabalhos atuais do Zeds Dead. Não que essa seja uma track ruim, mas nesse mesmo estilo, prefiro bem mais Night Shine, do álbum anterior.

06. Africa (feat. Dion Timmer)

É uma parceria entre X (Excision) e o menino Dion Timmer. Essa track foi originalmente lançada em Janeiro, no EP Plug Me In, do Dion, que com apenas 16 anos, já tem o support total do Excision. Os sons de animais e o vocal do tipo "chipmunk" somados à bela melodia dos wobbles, facilmente me faz querer cantar alto "African life... African dream... Does anyone wanna take me down?". Ótima track. Agora, se você quer ter uma experiência incrível, veja um vídeo do show do X tocando essa track. É incrível!

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07. Are You Ready (feat. Protohype)

Os woobles lentos e as notas sempre baixas dão um climão mais sombrio. É uma track pra ser tocada no momento certo. Pra quem não sabe, Max Pote, o Protohype, também assina como Phiso, seu projeto mais underground.

08. Death Wish (feat. Sam King)

O vocal é do rapper Sam King e em certos momentos lembra Prision Riot, do Flosstradamus. Mas não adianta nem tentar separar Excision de Rock And Roll, pois a maioria das tracks dele deixam claro que há muita ligação. E essa track é mais uma que mostra isso, pois tem uma guitarra base durante quase todo o tempo.

09. Mirror (feat. Dion Timmer)

Mais um do X com o prodígio Dion Timmer, só que dessa vez um Electro House. Começa parecendo uma track comercial e tranquila, mas só no começo. Logo entra o drop poderoso com os timbres malucos dessa dupla. E de repente, no drop seguinte, o 4x4 do electro se transforma num Dubstep.

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10. Generator

O início lembra o "bass test" que deu origem à famosa track do brasileiro Illusionize. Mas não se engane! Essa é mais uma nervosa track de Dubstep. A bateria de Trap deixa com uma levada mais lenta, mas a porradaria de bass rola solta hehehe. Essa track tinha sido lançada em 2015, mas apenas como abertura do seu tradicional set referente ao Shambhala Festival daquele ano. É uma das minhas preferidas do álbum.

11. G Shit (feat. Sam King)

Mais uma track com o vocal do rapper Sam King. Achei muito parecida com a primeira, Virus. Mas claro, também é uma track legal.

12. Her (feat. Dion Timmer)

X e Dion, uma dupla infalível quanto Batman e Robin hehehe E pelo jeito esses vocais tipo Chipmunk são a especialidade do menino Dion, mas o melhor é que eles sempre acertam. Essa track tem uma melodia linda.

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13. With You (feat. Madi)

O vocal da cantora Madi sussurrando soa bem sexy. Essa track é bem melódica, do jeito que eu gosto quando tem q ter vocal feminino. O drop é curto, mas o destaque mesmo é pro vocal.

14. Final Boss (feat. Dion Timmer)

Em mais uma parceria entre X e o menino Dion Timmer, essa track tem um drop camuflado de Trap frenético, com um timbre de nota muito alta e, no drop seguinte, se transforma num Dubstep. É mais uma bomba, porém, soa ter um bitrate baixo. Lembrou muito a primeira track, Virus.

15. The Paradox

A introdução apocalíptica, característica do Excision, anuncia que uma porrada nos miólos vem por aí. O drop tem uma arquitetura simples e com pouca quantidade de timbres. O que facilita a assimilação, mas não desmerece nada essa track, que está entre as melhores do álbum.

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16. Harambe (feat Datsik & Dion Timmer)

Se X e o menino Dion já fazem um estrago, imagine trabalhando com outro mestre como Datsik. O resultado só pode ser uma track poderosa, assim como é Harambe - um gorila que ficou famoso por ser abatido num zoológico dos Estados Unidos.

E pasmem! O timbre principal desta track foi criado utilizando a imagem do gorila, inserindo-a no plugin Serum e então, originando esse som grave distorcido que lembra a partida de um carro (ignição). É mais uma track pra não deixar ninguém parado.



Foto de capa: Rukes.com
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