Vogue, a dança que invade as pistas pra deixar todo mundo de “carão”

Se você é do tipo que curte uma balada pra dançar e não pra posar de porta-copo com bebida quente, com certeza já topou com essa dança em alguma festa pop por aí. O Voguing (ou Vogue Dance) é um estilo de dança que surgiu nos anos 1980 quando o pop teve o seu boom e se tornou sucesso mundial com artistas como Madonna (diva!), que fez até uma música para o estilo e que com certeza você conhece.



Naquela época, muitos artistas da cultura pop foram envolvidos também pelo cenário fashion, expressado tanto em editoriais como em clipes, que eventualmente se transformou até resultar no que hoje é conhecido como Voguing. Você deve estar se perguntando se o nome foi pensado a partir da Vogue Magazine, a revista de moda mais lacradora de todo o universo fashion. E você não está errado: os movimentos que os modelos fazem nos ensaios fotográficos da revista são a influência do Voguing.



Sim, dançar fazendo pose! Os movimentos do Voguing são em sua maioria lineares, rápidos e floreados usando as mãos, fazendo giros e poses que imitam as modelos em editoriais e passarelas. Podemos identificar também uma forte influência egípcia. Pode parecer difícil de identificar, mas quando assistimos um vídeo de voguing podemos notar com clareza a intenção dos dançarinos nas coreografias: LACRAR! Afinal, dançar já é uma expressão corporal que exige desenvoltura e confiança, agora imagina fazer isso com aquele “olhar 43”. Afinal, muito dessa dança se deve também à dramatização utilizada para executar os movimentos e exige muita ousadia e extravagância.



Este estilo de dança é muito comum entre o público gay. Um pouco disso se deve ao fato de que muitas divas do mundo pop entraram na onda Vogue Dance em suas músicas e clipes. O estilo está presente em muitas produções pop de artistas como Beyoncé e Rihanna, e vários nomes que bombam nas boates e festas LGBT atualmente.

O Vogue dance também pode ser encarado como um estilo de luta contra o preconceito, tanto de gênero quanto racial. A dança se originou e se estabeleceu na cultura pop através da sua popularização no público, em sua maioria, LGBT e afrodescendente, além do público feminino — este último se apropriando do Voguing para utilizar como uma forma de expressar o empoderamento das mulheres.



No Brasil, o Voguing parece ter chegado também com a cultura da música pop, porém se tornou mais presente em performances e em eventos a partir de meados dos anos 2000. Essa popularidade talvez tenha se tornado mais forte devido ao enfraquecimento do preconceito racial e de gênero e com o a evolução das gerações X e Y.

Aqui no Brasil, o Vogue Dance já é reconhecido e está presente em diversos concursos de dança, eventos artísticos e academias de dança. Brasília, por exemplo, recebeu o Brasília Vogue Ball em março deste ano, com um evento voltado apenas a esta modalidade de dança e suas vertentes. A programação incluía workshops, batalhas de dança e aulas e contou com a presença de participantes do DF, RJ, MG, RS, Chile e Rússia.

vogue ball Brasilia Vogue Ball // Foto: Tetê Moreira

Um nome que está dando o que falar no Vogue neste momento, e com toda a razão, é a cantora britânica FKA Twigs. Filha de um jamaicano com mãe dançarina descendente de ingleses e espanhóis, a garota de 26 anos está emplacando nas paradas da Europa com suas performances dançantes nas quais incorpora o Vogue como coreografia. Seu trabalho é marcado pelo uso de batidas de House e elementos da música eletrônica, o que vem lhe destacando nas produções musicais próprias para a dança.



E não é só Fka Twigs. O Vogue está tomando o espaço também dentro do cenário EDM, com produções de DJs como Djmikeq e DJ Spider e colocando todo mundo pra fazer pose na pista. Por falar em EDM, o tribal house do Kryder ou o som groovado do Sunnery James & Ryan Marciano podem ser uma ótima desculpa para fazer um voguing. E como todo mundo aqui gosta mesmo é de pôr a cara no sol e ser a diva (o mito) que todos querem copiar, tire o ego do armário e inspire-se para a próxima balada.



Foto de capa: Karolina Brock

Nayara Storquio ᕕ( ᐛ )ᕗ

Autora // Jornalista, mato-grossense de 26 anos. Formada em Argumentação, pós-graduada em Sarcasmo e PHD em Acidez. Todas pela Universidade Brasileira da treta saudável. Amante da música e de festivais e incentivadora do positivismo. Fã de grandes ídolos do trance como Armin Van Burren e Tiesto, mas com espaço no coração para boas produções de Progressive House e vertentes High BPM. Se sinceridade matasse, já estaria presa. Tem sérios problemas com padronização. Não curte ser guiada, nem na dança e nem na vida.

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