[REVIEW] Mesmo com algumas falhas, a Xxx #20anos foi especial!

*Texto colaborativo entre nosso autores Rodrigo Airaf e Nayara Storquio

A rebordose pós-Xxxperience #20 foi pesadíssima aqui na firma. Um pouco de saudades, um pouco de arrependimento por ter gastado tanta grana, uma dorzinha aqui e ali no corpo, mas principalmente muitas memórias. O festival-líder do Brasil fechou com o tema “Reino Mágico” sua trilogia iniciada em 2014 e trouxe novidades como sistema cashless, live streaming pro pessoal que ficou em casa e uma decoração de cair o queixo. Agora que tivemos a coragem de escrever sobre, veja abaixo nossas considerações sobre esta grande celebração.

xxxperience20-2016 Créditos // Image Dealers

Os shows

Apresentando um dos line-ups mais relevantes de sua história e a pontualidade prosseguindo como uma das caras do festival, não faltaram shows incríveis na Xxx. Entre os destaques, Stephan Bodzin foi o cara. Seu techno melódico revirou muitas almas no Union Stage, foi o show mais lotado e as duas horas de show live foram catárticas.

Em outro pólo da dance music, temos o Alok. O atual DJ mais popular do país tem melhorado em intensa velocidade e alçado voos inimagináveis para um DJ brasileiro. Na Xxxperience, não teve nada no show do Alok que não tem em um show dos grandes do Top 10: muitos fogos, iluminação minuciosamente controlada, lindas imagens sincronizadas no telão e até participação ao vivo do Iro, que cantou os hits Me And You e Hear Me Now. O show foi realmente muito bom e Alok/equipe empenham-se em reafirmar o artista como o herói nacional da música eletrônica mainstream.

stephan bodzin xxxperience 2016 Stephan Bodzin - Créditos // Image Dealers

xxxperience 2016 alok Alok - Créditos // Image Dealers

Um espetáculo à parte e que vai ficar pra história com certeza foi o set do Skazi com Infected Mushroom, que souberem conduzir um público já exausto de mais de 15h de festa. Iniciaram o set homenageando o Chapeleiro, que havia tocado antes, e seguiram no comando do Love Stage por duas horas de trance. Esse trance passou pelo oldschool, psy e pure e até o estilo metalizado particular do Skazi. O Infected como MC gerou interação direta com o público e foi a cereja do bolo.

Outros destaques: Ben Klock, Claude VonStroke, Astrix X Ace Ventura e Steve Angello.

Funcionamento

Xxx, amor, se você quer nos dar sistema cashless, dê o sistema cashless. Dê o cartão. Não peça 5 reais emprestados pra fazer a gente voltar e fazer check-out no fim de um festival de quase 20 horas pra pegar essa grana de volta. Além do mais, o cartão devia ser uma recordação pra gente como um brinde e não como compra. Mas a gente te curte mesmo assim, tá?

Segurança

Não dá pra esperar que um festival consideravelmente barato não tenha alguns crackudinhos querendo furtar as suas coisas. A Xxx é mais pra todos do que os festivais gringos, então curtir os shows com um olho aberto, outro fechado, a bunda na parede e a carteira na virilha é uma história de praxe não só na Xxx, mas na Tribe, na Kaballah e em vários outros. We get it. Mas é exatamente por isso que se espera segurança reforçada tanto dentro do festival quando na entrada. Mais uma vez não foi o caso.

A gente se pergunta de qual buraco esses seguranças saem e o quão mal-remunerados eles são pra começarem a querer roubar as pessoas que deviam estar protegendo. As queixas sobre isso em grupos e páginas do Facebook foram inúmeras. Pra piorar, o brinde final foi uma grande pancadaria na saída da festa, dando a você aquela bad vibe que você não queria depois de curtir por tantas horas. Os seguranças, como sempre, estavam ausentes. Gente espancada, arrastões, nomeie qualquer problema de segurança em festa e te diremos que sim, teve isso na Xxx.

xxxperience 2016 20 anos Créditos // Image Dealers

Preços

É, amigos, já era… chegamos em mais um período em que todos os festivais começam a “padronizar” o preço médio das bebidas. Vai chegar um momento que reclamar não vai adiantar. Se no Ultra parecia absurdo o valor de 8 reais para uma pequena água de 300ml, a Xxxperience não ficou muito atrás. A água na Xxx (também de 300ml) custava 1,5 do que eles chama de pilas — moeda própria do festival — e isso equivale a R$7,50.

A água é mais do que nunca um item de luxo e espero que, mesmo com esta nova média de preço, os usuários de drogas ainda mantenham em mente a importância de se hidratar. Produtores, sejam responsáveis. Cobrem o que quiserem na água, mas comecem a pensar em redução de danos, ok? Ou pelo menos entreguem garrafas d’água lá pro incansável pessoal da grade como faz o queridíssimo EDC.

xxxperience 2016 20 anos Créditos // Image Dealers

Estrutura, som e decoração

Pra sua comemoração de 20 anos, a Xxx não poupou budget pra decoração. Absolutamente todas as expectativas que tínhamos foram superadas. Das mandalas psicodélicas do Peace ao castelo detalhado do Love Stage, dos LEDs com espírito de club intimista do Union Stage aos belíssimos abajures do Joy, a Xxx estava belíssima. O único festival genuinamente brasileiro que pode se comparar a este trabalho (ao menos em questão de main stage) talvez seja a Tribaltech, e ainda assim é difícil bater de frente.

15002443_1220789644658249_2799780440439386457_o Créditos // Image Dealers

Enquanto que o line-up e a decoração da Xxxperience foram dignos de uma celebração de 20 anos, a coisa começa a ficar muito feia ao se pensar na estrutura e no som. Foi decepcionante entrar no Union Stage e não sentir o groove do techno, já que o som batia com do Love Stage. Não adianta ter um palco com artistas do nível de Ben Block e Stephan Bodzin e cometer um tamanho erro de cálculo — dizemos erro de cálculo porque já estivemos presentes em outras edições do festival e aquela área não tinha esse problema, especialmente quando era utilizada pro Peace Stage. A única forma de realmente escutar o som era indo no meio do inferninho, praticamente na cara do palco, e sabemos que nem todo mundo tem esse pique; uma pista ideal deve dar opções ao público.

15003390_1220789324658281_4037580724664177164_o Créditos // Image Dealers

O Joy Stage (aquele que você precisou pagar mais pra entrar) estava lindíssimo, mas o som foi tratado com tanto descaso quanto no Union Stage. Estava estourado e os chiados eram insuportáveis. A festa de 15 anos da sua prima teve som mais agradável que o Joy Stage e foi impossível pra gente curtir um show do nível do Adriatique da forma que o duo merecia. Uma pena. Os problemas nesses dois palcos nos fazem questionar como um festival deste porte e dentro de suas melhores intenções consegue tratar as vertentes mais underground desta forma quando claramente a maior parte do público foi pra isso.

xxxperience 2016 20 anos Créditos // Image Dealers

Fora isso, os banheiros estavam muito longe das pistas e já passou da hora de não apenas a Xxxperience mas outros festivais nacionais investirem em grandes áreas de chill-out. Era um festival de mais de 15h de duração, com possibilidade de chuva e com expectativa de milhares de pessoas no público. Se houvesse áreas melhores para as pessoas descansarem, não haveria um tumulto tão grande dentro da praça de alimentação com houve na Xxx — o lugar feito pra que as pessoas procurassem comida acabou virando refúgio de centenas de participantes cansados ou com medo da chuva, e o desconforto de quem realmente foi pra comer alguma coisa foi bastante evidente nos espaços apertados que sobraram pra andar.

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O saldo final foi positivo, mas como tudo na vida, sempre dá pra melhorar. Voltar à Xxxperience ainda está nos nossos planos, mas há de se rever algumas questões. Desejamos mais 20 anos de sucesso e nos vemos ano que vem!

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